Paisagismo
Espatódea: A Beleza Perigosa da Árvore com Flores Gelatinosas
Embora visualmente deslumbrantes, as flores da Espatódea contêm substâncias tóxicas que representam uma ameaça séria para abelhas e beija-flores.
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A Espatódea (Spathodea campanulata), também conhecida como tulipeira-do-Gabão, bisnagueira ou chama-da-floresta, é uma árvore ornamental de grande porte originária da África.
Sua beleza estonteante e flores de coloração vibrante fizeram dela uma escolha popular para paisagismo em diversas regiões tropicais do mundo. No entanto, essa espécie apresenta riscos significativos para a biodiversidade local, especialmente para polinizadores como abelhas e beija-flores.
Características Gerais
A Espatódea pode atingir até 25 metros de altura, com uma copa larga e densa que proporciona sombra significativa. Suas folhas são compostas, de cor verde-escura, e suas flores, que variam entre vermelho-alaranjadas e amarelas, possuem uma textura gelatinosa devido à presença de mucilagem.

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A floração ocorre principalmente entre os meses de novembro e abril, período em que a árvore se destaca pela sua exuberância e cor intensa.
Riscos para Polinizadores
Embora visualmente deslumbrantes, as flores da Espatódea contêm substâncias tóxicas que representam uma ameaça séria para abelhas e beija-flores. A mucilagem presente nas flores é pegajosa e pode aprisionar abelhas, levando-as à morte por asfixia ou fome.
Além disso, o pólen da Espatódea contém compostos químicos que são tóxicos para várias espécies de abelhas, causando envenenamento e, em muitos casos, a morte das colônias. Esse impacto negativo nos polinizadores levou diversas regiões a implementarem medidas restritivas contra o cultivo da Espatódea.
Legislação e Controle
Devido aos seus efeitos prejudiciais, a Espatódea foi alvo de regulamentações em várias regiões. Em Santa Catarina, por exemplo, a produção e o plantio dessa árvore foram proibidos desde janeiro de 2019.

A Lei Estadual nº 17.694/2019 impõe multas pesadas para quem desrespeitar a proibição, podendo chegar a R$ 1.000 por planta ou muda, dobrando em caso de reincidência. Outras cidades, como Curitiba (PR), Araucária (PR) e Limeira (SP), adotaram regulamentações similares para proteger a biodiversidade local.
Cuidados e Cultivo
Para aqueles que ainda desejam cultivar a Espatódea em regiões onde seu plantio não é proibido, é importante seguir algumas diretrizes para minimizar os riscos ao meio ambiente:
- Localização: A Espatódea deve ser plantada em locais ensolarados, recebendo pelo menos seis horas de luz solar direta por dia.
- Solo: Prefira solos bem drenados e ricos em matéria orgânica. Se o solo for argiloso, adicione areia ou composto orgânico para melhorar a drenagem.
- Plantio: Cave um buraco duas vezes maior que o torrão da muda. Coloque a planta no buraco, certificando-se de que a superfície do torrão esteja nivelada com o solo, e compacte suavemente a terra ao redor.
- Rega: Regue regularmente, mantendo o solo úmido, mas evite o encharcamento. Durante os primeiros meses, as regas devem ser mais frequentes para garantir o bom estabelecimento da planta.
- Adubação: Aplique fertilizante a cada dois ou três meses durante a estação de crescimento, preferencialmente um adubo orgânico ou balanceado.
- Poda: Realize podas de formação para dar uma estrutura adequada à árvore e remova galhos mortos ou doentes.
Substituição por Espécies Nativas
Devido aos riscos ambientais, especialistas recomendam substituir a Espatódea por espécies nativas que não apresentem perigo para a fauna local. Plantas nativas adaptadas às condições locais não só evitam problemas ecológicos como também promovem a biodiversidade e a saúde dos ecossistemas.
Além disso, é importante antes qualquer coisa, consultar profissionais de paisagismo para ajudar a encontrar alternativas seguras e igualmente atrativas para o seu jardim.
Considerações finais
A Espatódea, com suas flores espetaculares e imponente presença, é uma adição visualmente atraente a qualquer paisagem. No entanto, seu impacto negativo sobre polinizadores e a biodiversidade local não pode ser ignorado.
Por isso, é crucial que jardineiros e paisagistas estejam conscientes dos riscos e sigam as regulamentações locais, buscando sempre opções que harmonizem beleza e sustentabilidade.

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
Sua expertise prática foi rapidamente reconhecida pela comunidade online. Mel contribui ativamente com artigos especializados para importantes plataformas do setor, começando pelo blog Maniadeplantas e hoje é uma autora de destaque na Agronamidia. Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.

