Paisagismo
Pedras para jardim: acerte na escolha e valorize seu paisagismo com estilo
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9 meses atrásem

Quando pensamos em compor um jardim encantador, é natural imaginar a variedade de folhagens, flores e aromas. No entanto, há um elemento silencioso que transforma o projeto paisagístico em algo completo: as pedras. Além de seu papel decorativo, elas colaboram diretamente para a drenagem, organização dos espaços, conforto térmico e até para o controle de ervas daninhas. Com diferentes texturas, cores e usos, as pedras naturais e industrializadas revelam o quanto a natureza — mesmo em estado bruto — pode ser essencial na estética e funcionalidade do jardim.
Segundo a paisagista e consultora ambiental Marília Santana, as pedras servem como “marcos visuais” no terreno. “Elas criam caminhos, delimitam áreas, reduzem a necessidade de manutenção e tornam o solo mais equilibrado. Uma escolha bem feita valoriza tanto jardins clássicos quanto contemporâneos, sem a necessidade de intervenção constante”, diz.
O papel funcional das pedras no paisagismo
Não se trata apenas de beleza. O uso de pedras em jardins tem um valor técnico importante. Quando dispostas sobre o solo, elas ajudam a conservar a umidade, evitam respingos de barro, reduzem o risco de erosão e atuam como barreira física contra plantas invasoras. Isso sem falar no conforto térmico: pedras claras, como o mármore e a dolomita, refletem a luz do sol e mantêm a temperatura do solo mais amena — algo fundamental para espécies sensíveis ao calor.

Por outro lado, pedras mais escuras, como o granito flameado, absorvem calor e aquecem o solo, o que pode ser útil em regiões frias ou em projetos que pedem esse tipo de controle térmico. “O truque está em saber equilibrar funcionalidade e composição estética, para que a escolha da pedra esteja integrada ao bioma e às plantas cultivadas”, afirma o arquiteto-paisagista Rafael Moura.
Critérios para escolher a pedra ideal
Antes de decidir pelo tipo de pedra, é essencial entender qual será sua função no projeto. Para áreas de circulação, por exemplo, o ideal é optar por materiais com superfície antiderrapante e que resistam ao tráfego. Em canteiros e bordas, entram melhor as pedras decorativas de menor granulometria. Já para vasos ou floreiras, a preferência recai sobre pedriscos ou granilhas, que facilitam a drenagem e evitam compactação da terra.
Além disso, é importante considerar o clima local, a frequência de chuvas, o tipo de solo e até a incidência de luz solar. “A composição do terreno e o uso previsto interferem diretamente na durabilidade e no visual da pedra ao longo do tempo. Em regiões com muita poeira ou umidade, por exemplo, pedras porosas tendem a escurecer mais rapidamente”, destaca Rafael.
Marília também chama atenção para o impacto ambiental da escolha: “Algumas pedras, como os seixos de rio, envolvem extração predatória. Por isso, o uso consciente passa por valorizar fornecedores certificados e, sempre que possível, recorrer a reaproveitamento ou materiais alternativos com estética semelhante”.
Tipos de pedra mais utilizados em jardins
Entre as opções naturais mais procuradas, o granito é um dos queridinhos por sua resistência e aparência sofisticada. Pode ser usado em placas, seixos ou rachões e se destaca em caminhos e escadas integradas ao jardim. Se polido, é ideal para detalhes, mas pode ser escorregadio. Quando flameado, adquire textura antiderrapante, perfeita para áreas externas.

O mármore, por sua vez, confere um ar elegante e contemporâneo, sendo comum em bordas de piscinas, caminhos e espelhos d’água. Apesar da estética refinada, exige mais manutenção, principalmente em relação a manchas e exposição a ácidos. Já a pedra São Tomé, um quartzito nacional, é valorizada pela sua rusticidade, durabilidade e conforto térmico. Está presente em caminhos, bordaduras e áreas de estar com exposição direta ao sol.
Outra pedra bastante funcional é o pedrisco, que oferece boa drenagem e custo acessível. Seus tons variam entre cinza, palha e preto, e são ótimos para composições mais naturais. O seixo, com seu formato arredondado, cria uma atmosfera orgânica e é comum em espelhos d’água e entre pisos drenantes — embora hoje seu uso dependa de uma origem sustentável.

Menos conhecidas, mas bastante práticas, a granilha e a dolomita também marcam presença em jardins residenciais. A primeira, feita de minério moído, vai bem em vasos e bordaduras. A segunda, derivada do mármore, exige mais limpeza e tende a sair de moda por seu aspecto artificial e baixa durabilidade visual. Já a argila expandida, embora não seja uma pedra no sentido estrito, aparece como alternativa leve e eficiente para drenagem — especialmente em jardins verticais ou floreiras suspensas.
Dica de instalação e manutenção
Para garantir que as pedras desempenhem bem sua função, o ideal é prepará-las sobre uma base de areia e manta geotêxtil. Essa estrutura facilita a drenagem e impede o contato direto com a terra, evitando o surgimento de barro e ervas daninhas. A manutenção varia de acordo com o tipo de pedra: materiais porosos exigem lavagens frequentes, enquanto pedras escuras ou granuladas disfarçam melhor a sujeira e a ação do tempo.
Mais do que uma escolha visual, o uso correto de pedras no paisagismo valoriza o jardim como um todo. “A pedra certa, no lugar certo, transforma o ambiente — seja criando contraste com as plantas, acolhendo os pés de quem passa ou revelando texturas que o olhar descobre aos poucos”, conclui Marília.

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
Sua expertise prática foi rapidamente reconhecida pela comunidade online. Mel contribui ativamente com artigos especializados para importantes plataformas do setor, começando pelo blog Maniadeplantas e hoje é uma autora de destaque na Agronamidia. Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.


