Paisagismo
Como fazer mudas de alamanda e preencher o jardim com flores tropicais exuberantes
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6 meses atrásem

Em jardins tropicais, poucas plantas causam tanto impacto visual quanto a alamanda. Com suas flores grandes, em tons vibrantes de amarelo ou roxo, essa trepadeira nativa da América do Sul ganhou o coração dos paisagistas brasileiros. Além de resistir bem ao calor, ela se destaca por crescer com rapidez e criar verdadeiros cenários de exuberância em muros, cercas e pérgolas. Mas o que muitos não sabem é que multiplicar a alamanda em casa, com técnicas acessíveis, é mais simples do que parece — desde que se respeitem algumas condições específicas de cultivo e propagação.
Segundo a engenheira agrônoma Valéria Neves, especializada em propagação vegetal, a alamanda pertence à família Apocynaceae e apresenta tanto versões arbustivas quanto trepadeiras. “É uma planta que responde muito bem às técnicas de estaquia e alporquia, sendo ideal para quem deseja reproduzir exemplares saudáveis a partir de uma matriz já adaptada ao clima local”, explica. Com sol pleno, regas controladas e um solo bem drenado, a planta rapidamente enraíza e se estabelece, mesmo quando cultivada em vasos grandes ou canteiros diretamente no solo.
Como fazer mudas de alamanda?
A forma mais prática de propagar a alamanda é por estaquia, especialmente durante a primavera e o verão, quando as temperaturas favorecem o desenvolvimento das raízes. Para isso, recomenda-se escolher um ramo sem flores, com cerca de 20 centímetros, que deve ser cortado com uma tesoura de poda limpa e afiada. “Remova as folhas da base e mantenha apenas as superiores. Em seguida, plante a estaca em um substrato rico em matéria orgânica e leve, mantendo a umidade sem encharcar”, orienta Valéria.

Outro método bastante eficiente é a alporquia, indicado principalmente para quem tem paciência e deseja obter mudas mais robustas. Nessa técnica, seleciona-se um galho vigoroso da planta-mãe, que deve ter a casca removida em um pequeno trecho. A área exposta é então envolta com musgo umedecido e coberta com plástico transparente, que deve permanecer firme por cerca de 60 a 90 dias. “Assim que as raízes surgirem, é possível separar a muda do galho original e replantá-la”, acrescenta a agrônoma.
Embora mais raro, também é possível fazer a multiplicação por sementes. No entanto, como as sementes da alamanda não são facilmente encontradas em viveiros comerciais, a técnica exige a coleta direta dos frutos da planta — esferas espinhosas que se formam após a floração. “Após secar, o fruto libera sementes que devem ser plantadas em substrato úmido e bem iluminado. É um processo mais demorado, mas que oferece uma experiência completa de cultivo”, observa o paisagista Breno Fernandes, especialista em flora ornamental.
Dicas para cuidar da alamanda após o enraizamento
Uma vez formada a muda, é importante transplantá-la para um vaso espaçoso ou diretamente no solo, respeitando o espaço que a espécie tende a ocupar. A alamanda exige sol pleno para florescer em sua plenitude, além de regas regulares sempre que a terra estiver seca ao toque. “Ela tolera períodos curtos de estiagem, mas não se desenvolve bem com excesso de água ou em locais propensos a geadas”, alerta Breno. Além disso, é fundamental garantir um solo fértil, com boa drenagem e rico em matéria orgânica.
Cerca de um mês após o plantio, pode-se iniciar a adubação com produtos ricos em micronutrientes, como NPK 10-10-10 ou 13-05-13, em intervalos mensais durante as estações de crescimento. A poda também é uma aliada importante para controlar o porte da planta e direcionar sua ramificação. “A condução por treliças, fios de arame ou estruturas de madeira ajuda a valorizar seu crescimento vertical e deixa a floração ainda mais vistosa”, sugere o paisagista.
Vale lembrar que, apesar de ornamental, a alamanda é uma planta tóxica, especialmente em contato com a seiva ou partes ingeridas. Por isso, deve-se evitar seu cultivo em locais com acesso direto de crianças pequenas e animais domésticos.

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
Sua expertise prática foi rapidamente reconhecida pela comunidade online. Mel contribui ativamente com artigos especializados para importantes plataformas do setor, começando pelo blog Maniadeplantas e hoje é uma autora de destaque na Agronamidia. Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.


