Paisagismo
Brinco-de-princesa: conheça a flor-símbolo do RS que colore, nutre e protege
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5 meses atrásem

O nome pode remeter à realeza, mas a flor brinco-de-princesa — ou fuchsia, em seu nome científico — é uma verdadeira aliada dos jardins tropicais e temperados. Com suas flores pendentes em tons vibrantes de rosa, vermelho, roxo ou branco, ela parece mesmo uma joia natural balançando ao vento. E não é só aparência: essa planta reúne beleza, funcionalidade e até benefícios terapêuticos pouco conhecidos, sendo, inclusive, comestível.
A estrutura floral delicada lembra pequenos sinos ou brincos antigos, com pétalas em dupla camada e forma alongada. Esse desenho singular atrai não apenas os olhares humanos, mas também beija-flores e borboletas, o que torna a fuchsia uma excelente escolha para quem deseja estimular a presença de polinizadores no jardim.
Segundo o paisagista gaúcho Pedro Vianna, a planta é versátil e fácil de cultivar, desde que respeitadas suas preferências climáticas. “Ela gosta de temperaturas amenas e não reage bem ao calor extremo. O ideal é cultivá-la em locais frescos, com bastante luz difusa e boa circulação de ar”, orienta o profissional, que trabalha com projetos paisagísticos em zonas serranas e urbanas do Sul do Brasil.
Aliás, não é coincidência que a fuchsia tenha sido eleita a flor-símbolo do Rio Grande do Sul, por meio do Decreto Estadual nº 38.400, de 1998. A planta tem origem nas regiões montanhosas da América do Sul e Central, o que explica sua adaptação natural ao clima mais fresco de estados como o gaúcho e o catarinense.
Flor ornamental, comestível e medicinal
Além de alegrar jardineiras, vasos pendentes e canteiros sombreados, a fuchsia também pode estar à mesa — literalmente. Suas flores não são tóxicas e podem ser usadas para decorar saladas, bolos e outras receitas criativas. Em algumas regiões, inclusive, a espécie é cultivada para a produção de mel terapêutico, com propriedades anti-inflamatórias.

De acordo com a engenheira agrônoma Letícia Marcondes, especialista em plantas ornamentais e suas aplicações, o mel extraído do néctar da fuchsia é tradicionalmente utilizado para amenizar sintomas de gripes e resfriados, além de atuar em quadros leves de dor de garganta e inflamações bucais. “É um tipo de mel menos comum, mas bastante valorizado em comunidades que preservam saberes botânicos”, explica. Letícia também destaca que a planta não apresenta riscos para crianças ou animais domésticos.
Em alguns países, o uso medicinal é expandido para problemas dermatológicos leves, aproveitando o poder emoliente de infusões à base da flor. Ainda assim, ela alerta: “Apesar dos relatos populares, é importante usar essas propriedades como apoio, e nunca substituir tratamentos médicos convencionais”.
Como cultivar a brinco-de-princesa com sucesso
A fuchsia é uma planta de fácil manutenção, mas que demanda alguns cuidados específicos. Por ser uma espécie herbácea escandente, costuma crescer entre 1 e 2 metros de altura, com ramos finos e arqueados. Ela se adapta muito bem a vasos suspensos, jardineiras e também ao plantio direto no solo, desde que o ambiente seja arejado, com luz indireta e protegido do sol forte da tarde.

Durante a primavera e o verão, a planta entra em seu auge de floração. É nesse período que suas flores pendem com mais intensidade, criando um efeito visual marcante. O solo ideal deve ser fértil, leve e com boa drenagem. “Misturas com terra vegetal, areia grossa e húmus costumam funcionar muito bem”, sugere Pedro.
A rega precisa ser equilibrada. Em dias mais quentes, regar três vezes por semana ajuda a manter o solo úmido sem encharcar. Já em períodos de frio ou de chuva, recomenda-se reduzir a frequência e sempre observar a umidade da terra com os dedos.
Letícia também reforça a importância da poda anual. “A remoção dos ramos secos ou mal formados estimula a brotação e renova a planta para a próxima estação. É um cuidado simples que faz muita diferença na estética e na saúde da fuchsia”, afirma.
Outro ponto positivo da espécie é a sua resiliência. Mesmo sendo sensível ao calor, a planta se adapta bem a varandas cobertas, muros com meia-sombra e até ambientes internos iluminados, como halls ou áreas de claraboia. Desde que o espaço permita que seus galhos pendam livremente, a flor se desenvolve com graça e vigor.

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
Sua expertise prática foi rapidamente reconhecida pela comunidade online. Mel contribui ativamente com artigos especializados para importantes plataformas do setor, começando pelo blog Maniadeplantas e hoje é uma autora de destaque na Agronamidia. Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.


