Paisagismo
Como plantar Manacá-da-Serra e ter uma explosão de flores no jardim
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5 meses atrásem

Poucas espécies têm o poder de transformar uma calçada ou jardim com tanta delicadeza e imponência quanto o manacá-da-serra (Tibouchina mutabilis). Nativo da Mata Atlântica, esse arbusto de porte médio a alto conquistou os projetos de paisagismo contemporâneo por seu ciclo de floração incomum e pela beleza de suas flores, que surgem em tons vibrantes de branco, rosa e lilás — muitas vezes ao mesmo tempo na mesma planta.
Além de atrair olhares, a espécie também favorece a presença de polinizadores, como abelhas e borboletas, tornando-se um elo importante entre estética e biodiversidade. “O manacá é extremamente simbólico para quem valoriza plantas nativas com alto valor ornamental. Ele representa uma reconexão com o bioma da Mata Atlântica e traz um efeito visual impactante sem demandar manutenções excessivas”, destaca a paisagista e arquiteta urbana Luciana Navarro.
Origem brasileira e beleza mutante
Presente principalmente nos estados do Sudeste e Sul, o manacá-da-serra é encontrado tanto em ambientes urbanos quanto em áreas naturais de floresta. Seu nome popular, “manacá”, deriva do tupi e significa “flor bonita”, enquanto o “da serra” faz referência à sua origem nas encostas da Serra do Mar. Adaptado ao clima úmido, o manacá aprecia temperaturas amenas a quentes e tem excelente desempenho em regiões tropicais com solo drenado e boa incidência solar.
Uma das características mais marcantes da espécie é a mudança de cor das flores conforme envelhecem: elas surgem brancas, adquirem um tom rosado e finalizam em violeta profundo. Essa mutação cromática faz com que a árvore pareça estar sempre florida em degradê. “Visualmente, o manacá parece várias plantas em uma só. Esse efeito cromático contínuo é um diferencial que poucos arbustos nativos oferecem”, explica o engenheiro agrônomo Carlos Bressani, especialista em cultivo de árvores tropicais.
Onde e como plantar o manacá-da-serra
Versátil, o manacá-da-serra pode ser plantado tanto diretamente no solo quanto em grandes vasos, o que o torna uma opção viável para jardins residenciais, calçadas e até varandas amplas. No entanto, para atingir seu porte pleno — que pode ultrapassar os 4 metros de altura em campo aberto — o ideal é garantir um espaço com boa profundidade de solo e livre de interferências subterrâneas, como encanamentos e fundações.

O plantio deve ser feito em solo bem drenado e enriquecido com matéria orgânica. Uma mistura de terra vegetal, areia grossa e composto orgânico favorece o enraizamento inicial. Já o local escolhido precisa receber luz solar direta por pelo menos quatro horas diárias, pois isso estimula tanto o crescimento quanto a formação dos botões florais.
Os cuidados que fazem o manacá florescer mais
Embora seja uma planta de manutenção considerada fácil, o manacá responde melhor quando cultivado com alguns cuidados específicos. A rega deve ser constante nas primeiras semanas após o plantio, até que a planta esteja bem estabelecida. Depois disso, basta manter o solo levemente úmido, evitando o encharcamento. Em épocas mais secas, uma rega mais frequente pode ser necessária, principalmente em vasos.
A adubação é outro ponto que influencia diretamente na exuberância da floração. De acordo com Carlos Bressani, adubos ricos em fósforo e potássio, como o NPK 4-14-8, são ideais para estimular novas floradas. “Aplicar o fertilizante no início da primavera e repetir após dois meses costuma garantir florescimento mais vigoroso. Já o excesso de nitrogênio pode favorecer apenas o crescimento da copa, mas não das flores”, orienta.
Além disso, o manacá-da-serra não exige podas drásticas, mas responde bem à limpeza de galhos secos e à formação de copa quando necessário. Isso favorece uma estrutura equilibrada e permite que a planta canalize sua energia para a produção de flores.
Uma árvore perfeita para projetos urbanos e ecológicos
O uso do manacá-da-serra em áreas urbanas não é apenas estético — trata-se de uma escolha consciente, que valoriza a flora nativa e contribui para a biodiversidade local. Por sua raiz pivotante e não agressiva, ele é amplamente recomendado para calçadas, áreas próximas a muros e espaços públicos. Também é uma opção para composições tropicais com outras espécies brasileiras, como ipês, quaresmeiras e palmeiras ornamentais.
E o melhor: por ser uma planta nativa, o manacá é naturalmente adaptado ao solo e ao regime de chuvas do Sudeste, o que reduz a necessidade de intervenções constantes. “Se bem cuidado, o manacá retribui com flores ano após ano, criando uma atmosfera tropical e elegante no paisagismo”, conclui Luciana Navarro.

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
Sua expertise prática foi rapidamente reconhecida pela comunidade online. Mel contribui ativamente com artigos especializados para importantes plataformas do setor, começando pelo blog Maniadeplantas e hoje é uma autora de destaque na Agronamidia. Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.


