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Capital paulista da acerola vive momento delicado na safra atual

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Capital paulista da acerola vive momento delicado na safra atual

Junqueirópolis, no oeste de São Paulo, carrega há décadas o título de capital da acerola, uma fruta valorizada pelo alto teor de vitamina C e pela importância econômica em pequenas propriedades rurais. No entanto, a safra de 2025/2026 traz preocupações significativas para os produtores locais, que enfrentam uma combinação de fatores adversos capazes de reduzir ainda mais o volume colhido.

Impacto da estiagem prolongada

Normalmente, a colheita na região ganha força em outubro, impulsionada pelas primeiras chuvas da primavera. Porém, neste ciclo, a falta de precipitações regulares atrasou a florada em cerca de 30 dias, adiando o pico de produção para dezembro. Essa irregularidade climática afeta diretamente o desenvolvimento das plantas, especialmente em áreas sem sistemas de irrigação. Assim, muitos pomares dependentes apenas da chuva apresentaram menor pegamento de frutos, o que já se reflete em uma expectativa de colheita bem inferior às médias recentes.

Queda no consumo e estoques elevados

Além das condições climáticas, o mercado mostra sinais de enfraquecimento. A demanda por acerola madura, destinada principalmente ao consumo in natura ou ao processamento de polpas, registrou retração ao longo do ano, resultando em estoques mais altos nas indústrias. Por isso, os preços pagos ao produtor, que iniciaram a temporada em torno de R$ 2,70 por quilo, ajustaram-se para cerca de R$ 2,50, valor ainda viável, mas abaixo dos patamares observados há poucos anos. Essa dinâmica reflete uma cautela maior por parte dos compradores, influenciada por uma oferta mais abundante em outros períodos.

Concorrência crescente do Nordeste

Outro elemento que pressiona os produtores paulistas vem da expansão acelerada da cultura no Nordeste, região responsável por mais de 70% da produção nacional. Lá, o uso intensivo de irrigação permite colheitas mais estáveis e volumes maiores, especialmente de acerola verde, rica em vitamina C e preferida pela indústria de suplementos.

Aliás, o excedente de fruta madura proveniente dessa área chega ao mercado paulista a preços competitivos, intensificando a concorrência. Enquanto Junqueirópolis e municípios vizinhos movimentavam até 7 mil toneladas por safra há uma década, as projeções atuais apontam para algo entre 850 e 900 toneladas, ou até menos, dependendo da demanda efetiva.

Características da produção local

A acerola cultivada na região se destaca pela colheita manual cuidadosa, realizada em pequenas propriedades familiares, já que a fruta madura é delicada e não tolera mecanização. Variedades como Olivier e Manolo predominam, e parte significativa da produção segue para congelamento rápido, permitindo distribuição para diversos estados. Entretanto, sem investimentos em irrigação ou diversificação, muitos produtores sentem o impacto acumulado desses desafios, que vão desde o clima imprevisível até as oscilações de mercado.

  • Capital paulista da acerola vive momento delicado na safra atual

    Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.

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