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Monitoramento fitossanitário reforça controle do cancro cítrico no território goiano

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Monitoramento fitossanitário reforça controle do cancro cítrico no território goiano

A citricultura goiana encerrou o último ciclo de monitoramento fitossanitário com um resultado que reforça a estabilidade sanitária da produção no estado. Após meses de inspeções em campo, a Agência Goiana de Defesa Agropecuária concluiu o Levantamento Fitossanitário Anual do Cancro Cítrico sem a identificação de novos focos da doença em Goiás, um dado que fortalece tanto a confiança do mercado quanto a segurança dos pomares comerciais e não comerciais.

O trabalho, realizado entre outubro e dezembro, mobilizou 61 fiscais estaduais agropecuários e cobriu uma ampla malha produtiva. Ao todo, foram vistoriadas 82 propriedades comerciais em 55 municípios, além de 40 áreas de cultivo não comercial e 11 viveiros de citros distribuídos pelo território goiano. O objetivo central foi reconhecer o status fitossanitário da citricultura e delimitar possíveis áreas de risco, atendendo às exigências do Ministério da Agricultura e Pecuária e garantindo rastreabilidade sanitária da produção.

Segundo a Agrodefesa, a ação é parte de uma estratégia contínua de vigilância, que busca não apenas detectar a doença, mas impedir que ela encontre espaço para se disseminar em áreas produtivas. A instituição destaca que esse tipo de monitoramento periódico é essencial para manter o padrão sanitário exigido tanto pelo mercado interno quanto pelos compradores internacionais.

Vistorias em pomares e viveiros ampliam o cerco à bactéria

Além das áreas de produção, os fiscais da Agrodefesa também realizaram inspeções completas nos 11 viveiros comerciais de citros em funcionamento no estado, localizados nos municípios de Anápolis, Goiânia, Goianira, Goiatuba e Itaberaí. Essas estruturas são consideradas pontos críticos de atenção, já que mudas contaminadas representam uma das principais portas de entrada da doença em novas regiões.

Durante o levantamento, dez amostras consideradas suspeitas foram coletadas e encaminhadas para análise laboratorial. Todas apresentaram resultado negativo para a bactéria Xanthomonas citri subsp. citri, agente causador do cancro cítrico. O resultado confirmou que, naquele período, não houve avanço da praga no território goiano.

De acordo com a Gerência de Sanidade Vegetal da Agrodefesa, as equipes de campo inspecionam um percentual de áreas produtoras superior ao mínimo exigido pela legislação federal, o que amplia a margem de segurança e reduz o risco de subnotificação de focos iniciais. Essa estratégia permite que eventuais ocorrências sejam identificadas ainda em estágio inicial, antes que a doença comprometa áreas maiores.

Ao mesmo tempo, o órgão reforça que a vigilância técnica precisa ser acompanhada por comportamento responsável por parte de produtores e consumidores. A aquisição de mudas fora do sistema oficial, especialmente em comércio ambulante ou viveiros a céu aberto, continua sendo um dos principais fatores de risco para a introdução da bactéria no estado, motivo pelo qual esse tipo de prática é proibido por lei.

O que é o cancro cítrico e por que ele ameaça a citricultura

O cancro cítrico é uma das doenças mais severas da citricultura mundial. A bactéria ataca todas as variedades de citros e provoca lesões nas folhas, nos ramos e, principalmente, nos frutos. Essas lesões evoluem para rachaduras na casca, facilitam a entrada de microrganismos e aceleram a podridão, o que inviabiliza a comercialização e compromete o valor econômico da produção.

Além dos danos diretos aos frutos, a doença também provoca queda prematura de folhas e frutos, reduzindo a produtividade dos pomares ao longo do tempo. Em áreas onde a bactéria se estabelece, os custos de manejo aumentam significativamente, já que medidas de erradicação e contenção precisam ser aplicadas para evitar a disseminação.

A principal forma de disseminação ocorre por meio de mudas contaminadas, mas a bactéria também pode se espalhar por chuvas, ventos, equipamentos agrícolas, veículos e restos de colheita. Por isso, o controle do trânsito de plantas e a higienização de máquinas e ferramentas fazem parte do conjunto de ações exigidas dentro dos programas de defesa sanitária vegetal.

Monitoramento contínuo sustenta a sanidade dos pomares

A manutenção do status fitossanitário de Goiás depende da combinação entre fiscalização, análises laboratoriais e cumprimento rigoroso das normas de produção. O levantamento anual permite que o estado demonstre oficialmente que suas áreas produtoras permanecem livres de novos focos, o que é decisivo para a circulação de frutos e mudas entre regiões e para o acesso a mercados mais exigentes.

Ao confirmar a ausência da bactéria nos pomares e viveiros vistoriados, o levantamento fortalece a posição da citricultura goiana em um cenário nacional marcado por desafios sanitários constantes. Mais do que um retrato momentâneo, o resultado funciona como um sinal de que o sistema de vigilância está ativo, atento e tecnicamente preparado para proteger uma das cadeias agrícolas mais relevantes do estado.

  • Monitoramento fitossanitário reforça controle do cancro cítrico no território goiano

    Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.

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