Agro
Campo brasileiro acelera e projeta colheita histórica na safra 2025/26
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Por
Claudio P. Filla
A agricultura brasileira entra no ciclo 2025/26 sustentando uma das fases mais consistentes de sua história recente. Segundo o 4º Levantamento da Safra de Grãos da Conab, divulgado em dezembro, o país mantém ritmo de crescimento tanto em área cultivada quanto em volume produzido, reforçando a expectativa de que os recordes do ciclo anterior possam ser superados. A projeção indica que as 16 principais culturas do país devem somar 353,1 milhões de toneladas, distribuídas em 83,9 milhões de hectares, o que representa aumento de 0,3% na produção e 2,6% na área plantada em relação à safra 2024/25.
Esse movimento confirma uma tendência já observada nos últimos anos: o Brasil não apenas amplia sua fronteira agrícola como também consolida ganhos de eficiência, mesmo diante de desafios climáticos e oscilações regionais. A expansão de 2,1 milhões de hectares no período, segundo a Conab, reflete decisões estratégicas dos produtores, que seguem apostando em culturas de maior rentabilidade e demanda global.
Geografia da produção consolida o Centro-Oeste como motor do agro
O mapa produtivo brasileiro segue fortemente concentrado na Região Centro-Sul, que responde por 84,2% da produção nacional, com estimativa de 297,3 milhões de toneladas. Dentro desse bloco, o Centro-Oeste mantém sua liderança absoluta, alcançando 174,5 milhões de toneladas, o equivalente a 49,4% de todo o volume colhido no país. Já as regiões Norte e Nordeste somam 55,8 milhões de toneladas, participação que, embora menor, permanece estratégica para culturas específicas e para a diversificação produtiva.
Essa distribuição evidencia como a combinação entre tecnologia, logística e escala produtiva tem favorecido os grandes polos agrícolas, sobretudo em estados como Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, que seguem ampliando sua relevância no cenário nacional e internacional.
Soja sustenta o crescimento mesmo sob pressão climática
A soja, principal cultura brasileira, mantém seu protagonismo ao atingir 176,1 milhões de toneladas, o que representa um avanço de 2,7% em relação ao ciclo anterior, equivalente a 4,6 milhões de toneladas adicionais. A área plantada também cresceu 2,8%, saltando para 48,7 milhões de hectares.
Entretanto, esse crescimento ocorre apesar de uma leve retração na produtividade média, que recuou 0,1%, impactada principalmente por chuvas irregulares no Mato Grosso do Sul e por limitações físicas em solos arenosos em partes de Goiás, conforme aponta a Conab. Por outro lado, o Rio Grande do Sul apresentou expectativa de melhora nos rendimentos, ajudando a equilibrar o desempenho nacional.
Essa dinâmica mostra como a soja brasileira segue resiliente, ajustando-se às variações climáticas enquanto amplia sua presença territorial e seu peso na balança comercial.
Milho amplia área, mas enfrenta desafios de produtividade
O milho também expandiu sua área total, somando as três safras, para cerca de 22,8 milhões de hectares, um crescimento de 4% sobre o ciclo anterior. Contudo, eventos climáticos adversos, como tempestades, granizo, extremos de temperatura e veranicos no Sul, além da falta de chuvas no início do desenvolvimento em Minas Gerais, comprometeram o desempenho da primeira safra.
Como resultado, a produção total do cereal deve cair 1,5%, passando de 141 milhões para 138,9 milhões de toneladas, enquanto a produtividade média recua 5,3%, chegando a 6.114 kg/ha. Ainda assim, o milho segue como um dos pilares do sistema agrícola brasileiro, especialmente pelo seu papel crescente na indústria de etanol e ração animal.
Sorgo, girassol e mamona ganham espaço estratégico
Entre as culturas em expansão, o sorgo chama atenção pelo avanço simultâneo de área e produção. A cultura deve ocupar 1,8 milhão de hectares, crescimento de 11,3%, com produção projetada em 6,7 milhões de toneladas, alta de 9,2%. Mesmo com leve queda de produtividade, o sorgo ganha relevância por seu papel na segunda safra, após a colheita da soja, sobretudo no Centro-Oeste.
O girassol, impulsionado pela demanda por óleo vegetal e biodiesel, também apresenta crescimento. A produção estimada de 101,9 mil toneladas representa avanço de 1,5%, enquanto a área cultivada sobe para 63,8 mil hectares. A produtividade, entretanto, tende a recuar levemente devido às condições climáticas no Rio Grande do Sul, que alternaram períodos de chuva, sol e temperaturas amenas.
Já a mamona se destaca como uma das culturas de maior expansão relativa. A produção deve saltar de 100 mil para 147,4 mil toneladas, crescimento impulsionado pelo aumento da área e pelas boas condições climáticas na Bahia. A produtividade também avança de forma expressiva, alcançando 1.938 kg/ha, refletindo o maior interesse da indústria de biocombustíveis, cosméticos e fármacos pelo óleo de rícino.
Outras culturas ajustam oferta e demanda
Entre as culturas de verão, o cenário é mais heterogêneo. O algodão deve reduzir sua área em 2,8%, totalizando 2 milhões de hectares, mas ainda assim manter produção robusta de 3,8 milhões de toneladas de pluma. O amendoim apresenta leve queda de produção, enquanto o arroz sofre retração mais acentuada, com redução de 13,3% na produção, reflexo direto da menor área semeada.
O feijão, somando as três safras, deve alcançar 3 milhões de toneladas, praticamente estável em relação ao ciclo anterior, enquanto o gergelim mantém estabilidade tanto em área quanto em volume produzido.
Culturas de inverno e mercado reforçam o cenário positivo
No caso do trigo, principal cultura de inverno, a produção da safra 2025 foi de 7,9 milhões de toneladas, resultado considerado positivo, apesar da redução de 20% na área cultivada, favorecido por boas condições climáticas durante o ciclo.
No mercado, a Conab projeta exportações de 41,5 milhões de toneladas, superando as previsões anteriores, impulsionadas pela forte oferta interna e pela demanda internacional aquecida. Já o consumo doméstico de grãos, especialmente de milho, deve atingir 90,56 milhões de toneladas, alta de 7,8%, refletindo o crescimento do uso do cereal na produção de etanol, cada vez mais relevante na matriz energética brasileira.
As informações completas sobre o 4° Levantamento da Safra de Grãos 2025/26 e as condições de mercado destes produtos podem ser conferidos no Portal da Conab. Clique aqui para acessar.
Fonte: Conab

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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