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Biometano ganha escala no Paraná e redesenha o transporte pesado no Estado
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17 minutos atrásem
Por
Claudio P. Filla
O Paraná vem consolidando uma posição de destaque no cenário nacional ao estruturar um novo modelo energético voltado ao transporte pesado. A estratégia combina planejamento público, investimentos privados e forte articulação com o setor agropecuário para acelerar a substituição do diesel por fontes renováveis, com destaque para o biometano. Além disso, o Estado amplia soluções complementares, como eletromobilidade, etanol e biodiesel, reforçando uma matriz diversificada e resiliente.
Essa reorganização não se limita à tecnologia, mas avança sobre a lógica da infraestrutura. Ao conectar rodovias estratégicas, polos produtivos e redes de distribuição de energia, o Paraná cria condições reais para que caminhões e frotas do agronegócio adotem o gás renovável tanto em longas distâncias quanto em trajetos regionais ligados diretamente à produção rural.
Corredores sustentáveis e a nova lógica do abastecimento rodoviário
No centro dessa transformação estão os chamados Corredores Rodoviários Sustentáveis, concebidos para ampliar a oferta de gás natural e biometano em pontos estratégicos do território paranaense. A proposta é simples na concepção, mas robusta na execução: garantir previsibilidade de abastecimento para veículos pesados, permitindo que o transporte rodoviário reduza emissões e custos operacionais sem comprometer eficiência logística.
A primeira rota estruturada conectou o Norte do Estado ao Litoral, ligando Londrina a Paranaguá. Atualmente, já existem postos preparados para o atendimento de caminhões ao longo desse eixo, possibilitando a circulação de frotas movidas a gás e criando integração com outros estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Com isso, o biometano deixa de ser um projeto pontual e passa a ocupar espaço concreto na malha logística nacional.
Segundo a concessionária estadual de gás, a presença do combustível nas principais rotas produtivas do Paraná é decisiva para ampliar a competitividade do transporte. A estratégia mira não apenas a redução de emissões, mas também ganhos diretos em eficiência, previsibilidade de custos e menor dependência de combustíveis fósseis importados.
Do campo para a estrada: o biometano como elo entre agro e energia
Enquanto as rodovias avançam, o Interior do Estado também ganha protagonismo. Em regiões onde não há gasodutos, mas a produção de biomassa é abundante, o biometano surge como solução descentralizada. Dejetos da suinocultura, avicultura, bovinocultura, além de resíduos agroindustriais, são transformados em gás renovável por meio da biodigestão, criando um ciclo produtivo que alia energia, saneamento ambiental e renda.
Do ponto de vista químico, o biometano é idêntico ao gás natural, o que permite sua utilização direta na infraestrutura já existente. A diferença está na origem: enquanto o gás fóssil é extraído do subsolo, o biometano nasce do reaproveitamento de resíduos orgânicos, reduzindo emissões e transformando passivos ambientais em ativos econômicos.
A coordenação estadual de energia destaca que o gás natural atua como combustível de transição, abrindo caminho para a expansão do biometano. Onde um chega, o outro se conecta, criando capilaridade e segurança para investidores, produtores e transportadores.
Incentivos, financiamento e a criação de um novo mercado
Para sustentar essa transição, o Paraná estruturou políticas de fomento à produção. Programas estaduais oferecem financiamento, equalização de juros e incentivos fiscais para a implantação de biodigestores e aquisição de equipamentos. A lógica é ambiental e econômica ao mesmo tempo: ao tratar resíduos, o produtor reduz emissões de metano, atende exigências ambientais, gera energia e cria uma nova fonte de receita.
O Estado trabalha com a perspectiva de formar um mercado demandante sólido, capaz de absorver volumes crescentes de biometano. A substituição parcial do diesel no transporte pesado aparece como o principal vetor, seguindo uma tendência já observada em mercados internacionais. A expectativa é que, ao longo da próxima década, uma parcela relevante do diesel consumido no Paraná seja substituída por gás renovável.
Exemplos que já saíram do papel
No Oeste paranaense, esse novo mercado já opera em escala real. Uma cooperativa agroindustrial da região implantou uma bioplanta capaz de transformar grandes volumes de dejetos suínos em biometano e fertilizante organomineral. O combustível abastece caminhões da própria frota, enquanto o resíduo tratado retorna ao campo como adubo, fechando um ciclo de economia circular.
A motivação inicial foi resolver um gargalo ambiental, mas o resultado extrapolou essa necessidade. Além da redução expressiva nos custos em comparação ao diesel, o projeto fortaleceu a imagem sustentável da cadeia produtiva, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes em critérios ambientais.
Outro movimento relevante ocorre na Região Metropolitana de Curitiba, onde uma indústria de biocombustíveis avança em um projeto de escoamento de gás por dutos, integrando sua planta às distribuidoras instaladas no entorno da refinaria local. A iniciativa faz parte de um pacote de investimentos voltados à expansão da oferta de gás natural e biometano, reforçando a infraestrutura energética do Estado.
Transporte de cargas e a transição das frotas
Além da oferta, o Paraná atua diretamente sobre a demanda. Em parceria com entidades representativas do transporte de cargas, o Estado estimula transportadoras a migrarem para veículos híbridos ou movidos integralmente a gás. O setor é responsável pela maior parcela das emissões energéticas estaduais, sobretudo em função do diesel, o que torna a transição estratégica.
Workshops técnicos vêm sendo realizados para mapear rotas, gargalos e perfis de frota, permitindo ajustar a infraestrutura às necessidades reais do transporte. Nesse contexto, o modelo híbrido surge como uma etapa intermediária segura, preparando o caminho para a adoção plena de caminhões a gás.
Biometano, eletrovias e a matriz energética do futuro
A aposta no biometano não exclui outras soluções. O Estado também investe fortemente em eletromobilidade, acompanhando o crescimento acelerado dos veículos eletrificados no Brasil. Dados recentes indicam avanço expressivo nas vendas de carros elétricos e híbridos, refletindo uma mudança estrutural no mercado.
Nesse cenário, o Paraná conta com uma das eletrovias mais extensas do país, conectando o Porto de Paranaguá ao Oeste do Estado por meio de pontos de recarga distribuídos ao longo de rodovias estratégicas. A gestão da rede é feita pela Copel, que registra crescimento consistente no uso da infraestrutura.
Ao integrar biometano, eletricidade, etanol e biodiesel, o Paraná constrói uma transição energética pragmática, baseada em diversidade e adaptação regional. Para o governo estadual, o gás renovável representa mais do que uma alternativa ao diesel: trata-se de um novo ciclo econômico, capaz de gerar empregos, reduzir custos logísticos, fortalecer o agronegócio e posicionar o Estado como referência nacional em mobilidade sustentável.
Fonte: AEN/Noticias

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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