Natureza
Estudo acadêmico mapeia mamíferos silvestres em áreas protegidas do Paraná
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Por
Claudio P. Filla
Entender quem habita as florestas é um passo essencial para garantir sua preservação. Partindo desse princípio, estudantes do curso de Medicina Veterinária da Unicentro vêm desenvolvendo, desde setembro de 2025, um levantamento sistemático da presença de mamíferos silvestres em duas unidades de conservação estratégicas do Centro-Sul do Paraná: o Parque Estadual São Francisco da Esperança, onde se localiza o Salto São Francisco, e o Parque Estadual Santa Clara, no município de Candói.
A pesquisa nasce no ambiente da iniciação científica e se estende por um período de um ano, combinando formação acadêmica, produção de conhecimento e contribuição direta para a conservação da biodiversidade regional. Ao acompanhar a fauna de forma contínua, o projeto busca preencher lacunas históricas de informação sobre a mastofauna local, além de fortalecer a gestão ambiental dessas áreas protegidas.
Monitoramento silencioso e sem interferência na natureza
O estudo utiliza armadilhas fotográficas, uma metodologia amplamente reconhecida em pesquisas ambientais por permitir o registro de animais sem contato direto. Ao todo, oito câmeras automáticas foram instaladas, quatro em cada parque, posicionadas em trilhas naturais e corredores de passagem da fauna.
Esses equipamentos funcionam ininterruptamente, acionados por sensores de movimento e infravermelho, captando imagens e vídeos tanto durante o dia quanto à noite. Assim, além de evitar qualquer interferência no comportamento dos animais, o método possibilita observar padrões de atividade, deslocamento e uso do habitat ao longo do tempo, oferecendo um retrato mais fiel da dinâmica ecológica local.
Dois parques, realidades distintas da Mata Atlântica
Embora ambos estejam inseridos no bioma Mata Atlântica do Planalto de Guarapuava, os parques analisados apresentam contextos ambientais bastante diferentes, o que amplia o valor científico do levantamento.
O Parque Estadual Santa Clara é uma unidade de proteção integral sem visitação pública, com acesso restrito a pesquisadores e servidores do órgão ambiental. Trata-se, segundo a própria gestão da área, do primeiro levantamento sistemático de mamíferos já realizado no local. Com menor extensão territorial e inserido em uma paisagem mais pressionada por atividades no entorno, como a fragmentação florestal e a presença de uma usina hidrelétrica, o parque permite avaliar como a fauna responde às interferências humanas e à conectividade entre fragmentos de mata.
Já o Parque Estadual São Francisco da Esperança possui área mais ampla e está inserido em um mosaico de territórios protegidos, que inclui a APA da Serra da Esperança, outras unidades de conservação e terras indígenas. Esse conjunto favorece maior diversidade de espécies e cria condições para análises mais abrangentes sobre conectividade ecológica, sazonalidade e permanência de mamíferos de maior porte.
Registros que confirmam a riqueza — e os desafios — da fauna local
As imagens obtidas pelas armadilhas fotográficas já revelaram a presença de espécies como cachorro-do-mato, quati, veados, cutias e capivaras. Um dos registros mais emblemáticos foi o da sussuarana, também conhecida como onça-parda, predador de topo de cadeia e importante indicador da qualidade ambiental.

A acadêmica Gabriela Pedrozo Festa explica que, embora já houvesse relatos informais sobre a presença do animal, o registro por imagem representa um avanço importante. “Confirmar oficialmente a ocorrência da espécie dentro da unidade de conservação fortalece os dados sobre a biodiversidade local e amplia as possibilidades de estudos futuros”, afirma.
Entretanto, o monitoramento também revelou um ponto de alerta: a presença de cães domésticos circulando dentro das áreas protegidas. “Esses animais representam uma ameaça à fauna silvestre, pois podem transmitir doenças, competir por recursos e provocar desequilíbrios no ecossistema”, destaca Gabriela, ressaltando a importância dos dados para ações de manejo e conscientização.
Formação acadêmica aliada à conservação ambiental
Além de contribuir para o conhecimento científico e para a gestão das unidades de conservação, o projeto tem impacto direto na formação dos estudantes envolvidos. O contato com o trabalho de campo, a análise de dados e a observação direta da fauna ampliam a compreensão sobre ecologia e conservação, conectando teoria e prática.
A acadêmica Amanda Batista Silveira ressalta que a experiência tem sido transformadora. “O projeto me permite desenvolver habilidades práticas e enxergar com mais clareza a importância das unidades de conservação para a manutenção da biodiversidade”, comenta.
Já Gabriela, que também atua como estagiária em um centro de triagem de animais silvestres, aponta o contraste entre o atendimento a animais vítimas de conflitos e o registro da fauna em liberdade. “Ver esses mesmos animais vivendo livres em seu ambiente natural amplia nossa percepção sobre o valor da conservação e reforça o sentido do trabalho que realizamos”, conclui.
Fonte: AEN/Noticias

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