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Paisagismo

Zamioculca não sobrevive por acaso: veja o que realmente mantém a planta viva

Da drenagem ao excesso de cuidado, entenda o que compromete a resistência da espécie

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zamioculca na agua

Resistente, elegante e quase indestrutível — é assim que a zamioculca costuma ser descrita. Originária da África Oriental, a Zamioculcas zamiifolia ganhou espaço nos lares brasileiros justamente por tolerar pouca luz e períodos de seca. Entretanto, a fama de planta “que não morre” acaba sendo o primeiro passo para o erro. Quando os cuidados são mal interpretados, a espécie sofre em silêncio até apresentar sinais tardios, como folhas amareladas, manchas escuras ou hastes murchas.

Manter a zamioculca saudável exige compreender sua fisiologia. Diferente de muitas plantas tropicais, ela armazena água em rizomas subterrâneos, o que muda completamente a lógica de irrigação. Além disso, seu crescimento é naturalmente lento, e qualquer alteração brusca no ambiente pode comprometer seu desenvolvimento.

Luz adequada faz diferença, mesmo sendo planta de sombra

A zamioculca tolera ambientes com baixa luminosidade, porém isso não significa ausência total de luz. Ambientes escuros demais reduzem sua capacidade fotossintética e deixam a planta mais vulnerável ao enfraquecimento estrutural. O ideal é oferecer luz indireta abundante, próxima a janelas com cortinas leves ou em varandas protegidas.

Como explica a paisagista Renata Guastelli, “a zamioculca sobrevive em meia-sombra, mas prospera quando recebe luminosidade difusa constante. A falta total de luz compromete o vigor das folhas e reduz a resistência da planta”. Assim, posicionamento estratégico é mais importante do que simplesmente escolher um canto vazio da casa.

Por outro lado, a exposição direta ao sol forte pode queimar as folhas e provocar manchas irreversíveis. Portanto, o equilíbrio é o verdadeiro segredo.

Excesso de água é o inimigo número um

Se existe um fator que realmente faz a zamioculca morrer, ele atende pelo nome de encharcamento. Como seus rizomas funcionam como reservatórios naturais, a planta suporta períodos secos com facilidade. Entretanto, quando o substrato permanece úmido por muito tempo, ocorre o apodrecimento das raízes.

O engenheiro-agrônomo Eduardo Funari alerta que “a zamioculca prefere esquecer da rega a ser regada demais. O solo deve secar completamente entre uma irrigação e outra”. Isso significa que não existe frequência fixa: é preciso observar o ambiente, a estação do ano e a ventilação do local.

Durante o inverno, por exemplo, as regas podem ser bastante espaçadas. Já em ambientes mais quentes e ventilados, o intervalo diminui levemente, mas nunca ao ponto de manter o solo constantemente úmido.

Substrato drenante é indispensável

Ainda que a rega seja controlada, um substrato inadequado compromete todo o sistema radicular. A zamioculca exige solo bem aerado, com boa drenagem e presença de materiais que evitem compactação.

planta da fortuna

Misturas que combinam terra vegetal com perlita, areia grossa ou casca de pinus funcionam muito bem. Além disso, o vaso precisa ter furos eficientes no fundo. Sem drenagem, a água acumulada cria um ambiente anaeróbico que favorece fungos e bactérias.

Aliás, trocar o substrato a cada dois ou três anos ajuda a renovar nutrientes e manter a estrutura adequada para o crescimento saudável.

Cuidado com o excesso de adubação

Por ser uma planta de crescimento lento, a zamioculca não demanda fertilizações frequentes. Aplicar adubo em excesso pode causar acúmulo de sais no solo, queimando raízes e folhas.

Adubações leves, feitas na primavera e no verão, com formulações equilibradas, são suficientes para estimular novas brotações. Entretanto, insistir em fertilizações mensais intensas não acelera o crescimento — pelo contrário, pode enfraquecer a planta.

Nesse sentido, menos é mais. A espécie evoluiu em solos relativamente pobres, o que explica sua rusticidade.

Atenção às mudanças bruscas de ambiente

Mudanças repentinas de temperatura, correntes de ar frio e ambientes com ar-condicionado constante afetam diretamente a saúde da zamioculca. Embora seja resistente, ela aprecia estabilidade térmica e umidade moderada.

Ambientes muito secos podem deixar as folhas opacas e mais suscetíveis a pragas como cochonilhas. Por isso, manter ventilação adequada, sem exposição direta a correntes intensas, é essencial.

Além disso, quando a planta apresenta folhas amareladas isoladas, isso pode ser apenas parte do ciclo natural de renovação. Entretanto, se o amarelecimento for generalizado e acompanhado de odor desagradável no solo, o problema provavelmente está na drenagem.

  • Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.

    ​Sua expertise prática foi rapidamente reconhecida pela comunidade online. Mel contribui ativamente com artigos especializados para importantes plataformas do setor, começando pelo blog Maniadeplantas e hoje é uma autora de destaque na Agronamidia. Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.