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Microminerais e óleos essenciais elevam qualidade dos ovos, aponta pesquisa da UEM
Pesquisas revelam melhora na espessura da casca, vida de prateleira e bem-estar das aves em condições de estresse térmico
Publicado
14 horas atrásem
Por
Claudio P. Filla
A qualidade do ovo começa muito antes de chegar às prateleiras. Ela se forma no manejo, na ambiência e, sobretudo, na nutrição das aves. Pesquisas conduzidas na Universidade Estadual de Maringá (UEM) demonstram que ajustes estratégicos na suplementação com microminerais e óleos essenciais podem alterar significativamente a resistência da casca, a estabilidade nutricional e a vida útil do produto, além de influenciar diretamente o desempenho produtivo das galinhas poedeiras e codornas.
À frente das investigações estão a professora Tatiana Santos, coordenadora do setor de Avicultura, e a docente do Departamento de Zootecnia, professora Simara Márcia Marcato. Embora atuem em frentes distintas, os estudos convergem para um mesmo objetivo: produzir ovos mais fortes, mais estáveis e com maior valor agregado, sem comprometer o bem-estar animal.
Microminerais e a arquitetura da casca
Nos experimentos conduzidos por Tatiana Santos, foram avaliados minerais orgânicos e inorgânicos como cobre, zinco, ferro, manganês e selênio ao longo de três ciclos produtivos de 28 dias, metodologia consolidada em pesquisas com poedeiras. Durante esse período, os ovos foram coletados diariamente e submetidos a análises de resistência de casca, composição interna e estabilidade ao armazenamento.
Os resultados revelaram alterações consistentes. As cascas apresentaram maior firmeza e menor índice de quebra, enquanto os níveis nutricionais permaneceram estáveis por mais tempo. Além disso, observou-se melhora no perfil antioxidante da gema, fator diretamente relacionado à qualidade interna do alimento.
Segundo Tatiana, a suplementação adequada modifica processos metabólicos essenciais na formação da casca e na proteção celular. “Para o consumidor, essa diferença nem sempre é perceptível visualmente. Entretanto, para o produtor, significa um ovo mais resistente, com menor perda por quebra e melhor retorno econômico”, afirma.
Além do impacto produtivo, há reflexos importantes no bem-estar das aves. Em um país de clima predominantemente tropical, o estresse térmico é um desafio recorrente. Conforme explica a pesquisadora, determinados microminerais fortalecem a imunidade e auxiliam as aves a enfrentar temperaturas elevadas com maior estabilidade fisiológica. Dessa forma, a saúde do plantel se mantém mais equilibrada, mesmo em condições adversas.
Ao final de cada trimestre, as dietas testadas são comparadas para identificar o nível ideal de inclusão mineral de acordo com a idade das aves. O objetivo é encontrar o ponto de equilíbrio entre desempenho produtivo, qualidade do produto final e viabilidade econômica.
Óleos essenciais e proteção antioxidante
Paralelamente, a professora Simara Márcia Marcato investigou os efeitos de um blend comercial de óleos essenciais composto por cúrcuma, orégano, pimenta, tanino e probióticos. A proposta foi avaliar não apenas a qualidade do ovo, mas também a saúde intestinal das aves, fator diretamente ligado à eficiência nutricional.
Os resultados indicaram aumento no peso dos ovos e na espessura da casca, além de elevação da atividade antioxidante. Consequentemente, a vida de prateleira foi prolongada. “O que melhorou bastante foi o peso do ovo e a espessura da casca. Também avaliamos o poder antioxidante, que influencia diretamente a durabilidade. Um ovo que teria 30 dias de conservação pode manter qualidade por período maior”, explica Simara.
Além disso, os compostos naturais atuaram no fortalecimento imunológico das aves, auxiliando no combate a vírus e bactérias presentes no ambiente produtivo. Esse efeito é particularmente relevante em sistemas intensivos, nos quais a saúde intestinal é determinante para a conversão alimentar.
Assim, ao integrar compostos antioxidantes naturais à dieta, cria-se um ciclo positivo: aves mais saudáveis produzem ovos estruturalmente superiores e com maior estabilidade nutricional.
Ovo: alimento estratégico e sensível à qualidade
Considerado um dos alimentos mais completos do mundo, o ovo é fonte de proteínas de alto valor biológico, vitaminas, minerais, antioxidantes como luteína e zeaxantina e colina, nutriente essencial para a função cerebral. Durante a pandemia, seu consumo cresceu justamente pela combinação de acessibilidade e densidade nutricional.
“Ovo não é vilão”, reforça Simara. “Ele é acessível, nutritivo e contribui para a saúde do cérebro, da visão, dos músculos e da imunidade.” Entretanto, a pesquisadora ressalta que todos esses benefícios dependem da qualidade do produto, que começa na granja.
No ponto de venda, o consumidor deve observar armazenamento refrigerado, prazo de validade e integridade da casca. Tatiana recomenda verificar visualmente possíveis trincas e, se necessário, utilizar a lanterna do celular para identificar fissuras internas. Já em casa, o teste da água continua sendo um indicador prático de frescor: ovos frescos afundam; ovos antigos tendem a flutuar devido ao aumento da câmara de ar interna.
Contudo, mesmo que um ovo flutuante não esteja necessariamente contaminado, a perda de qualidade nutricional e sensorial é inevitável com o tempo, especialmente quando há exposição ao calor.
Sustentabilidade e redução de impacto ambiental
Além da melhoria qualitativa, as pesquisas avançam em direção à sustentabilidade. Simara destaca estudos com glicinatos, minerais orgânicos de alta absorção, capazes de reduzir significativamente a excreção mineral no ambiente. Resultados preliminares apontam que é possível diminuir em até 85% a inclusão de cobre, manganês e zinco na dieta sem comprometer o desempenho produtivo.
Essa redução não apenas fortalece ossos e cascas, mas também minimiza o impacto ambiental da atividade avícola. Sob essa ótica, a nutrição estratégica deixa de ser apenas ferramenta produtiva e passa a ser também instrumento de responsabilidade ambiental.
Dessa forma, os estudos da Universidade Estadual de Maringá evidenciam que a qualidade do ovo não é resultado do acaso. Ela é construída por meio de decisões técnicas precisas, que conectam nutrição, bem-estar animal, desempenho produtivo e sustentabilidade, redefinindo os parâmetros da avicultura contemporânea.
Fonte: Adriana Cardoso/Comunicação UEM

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