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Natureza

Árvores de Curitiba: quais são as espécies mais comuns e o que define o perfil da arborização viária da cidade

Diagnóstico revela predominância de espécies de porte médio, avanço das nativas e nova visão da infraestrutura verde urbana

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Árvores de Curitiba: quais são as espécies mais comuns e o que define o perfil da arborização viária da cidade

Curitiba abriga mais de 318 mil árvores distribuídas ao longo de suas vias públicas, formando um dos sistemas de arborização urbana mais estruturados do país. A maioria dessas árvores é de porte médio, apresenta bom estado fitossanitário e foi plantada pelo poder público ao longo das últimas décadas. Entretanto, mais do que um dado numérico, o diagnóstico do Plano Municipal de Arborização Urbana (PMAU) revela uma transformação silenciosa na identidade verde da capital paranaense.

A arborização viária, que antes era percebida majoritariamente como elemento paisagístico, hoje assume papel estratégico na organização da cidade. Ela funciona como infraestrutura verde, contribui para a regulação térmica, auxilia na drenagem das águas pluviais e reforça a biodiversidade urbana. Como explica a secretária municipal do Meio Ambiente, Marilza Dias, “a arborização viária deixou de ser vista como uma questão apenas de paisagismo, mas de infraestrutura verde, como solução baseada na natureza para mitigar os impactos das mudanças climáticas na cidade”. Assim, o planejamento atual considera não apenas estética, mas também resiliência climática.

O perfil predominante nas ruas

O levantamento aponta que a população arbórea de Curitiba é majoritariamente adulta, porém em processo constante de renovação. Novos plantios vêm sendo incorporados de forma planejada, respeitando zoneamento urbano, largura de calçadas, fluxo de pedestres e características do tráfego. Dessa forma, a arborização passa a dialogar com a dinâmica urbana e não apenas ocupar espaços disponíveis.

Entre as espécies mais presentes está a extremosa (Lagerstroemia indica), que, embora exótica, apresenta características adequadas para o plantio viário, como porte compatível e sistema radicular menos agressivo. Ainda assim, o diagnóstico revela um movimento consistente de valorização das espécies nativas. Atualmente, 53,62% das árvores viárias são exóticas e 46,38% nativas — um contraste expressivo quando comparado a 1970, período em que mais de 90% da arborização era composta por espécies não originárias da região.

Essa mudança não é casual. Ela resulta de uma política pública orientada pela Divisão de Produção e Plantio de Mudas, que passou a priorizar espécies regionais nos novos plantios. Ipê-amarelo miúdo, ipê-roxo e dedaleiro figuram entre as mais introduzidas recentemente. Segundo a engenheira florestal Andréa Dalcul Toller, “o que tem contribuído para um aumento de espécies regionais enriquecendo nossas vias e colaborando para o resgate da biodiversidade local”. Portanto, a arborização passa a cumprir também um papel ecológico, ao fortalecer a fauna associada e preservar a identidade vegetal do bioma.

Exóticas, nativas e o equilíbrio necessário

Embora as espécies exóticas ainda representem ligeira maioria, o planejamento atual considera seus impactos potenciais. Espécies fora de sua área natural podem tornar-se invasoras, comprometendo ecossistemas locais e interferindo na biodiversidade. Por isso, novos plantios seguem critérios técnicos rigorosos, e a orientação municipal recomenda consulta prévia antes de qualquer iniciativa particular.

Entretanto, o plano não propõe uma substituição abrupta, mas sim uma transição gradual e estratégica. A arborização urbana precisa ser dinâmica, rotativa e adaptável ao futuro climático da cidade. Nesse contexto, a participação social também se torna essencial. A engenheira florestal Ana Marise Auer, que acompanhou a audiência pública realizada na Regional Matriz, destaca que “a arborização urbana precisa ser rotativa e contemplar a ideia de futuro, como nesse plano, feito por técnicos de mão cheia. E a participação da sociedade, mesmo que com olhar leigo, também é fundamental”.

Assim, o plano assume caráter técnico e democrático ao mesmo tempo, incorporando diagnóstico ambiental, histórico urbano e realidade socioeconômica das regionais.

Planejamento que se torna política pública

Atualmente em fase de audiência pública, o Plano Municipal de Arborização Urbana deverá, após aprovação, transformar-se em legislação municipal. Isso significa que os critérios de plantio, manutenção e renovação arbórea deixarão de ser apenas diretrizes administrativas e passarão a orientar formalmente a gestão das áreas públicas.

Além disso, o documento prevê ações de educação ambiental, buscando aproximar moradores do cuidado com as árvores. Afinal, a manutenção adequada depende não apenas do poder público, mas também da compreensão coletiva sobre a importância das espécies plantadas.

Curitiba, conhecida historicamente por seu planejamento urbano inovador, agora consolida uma nova etapa: a consolidação da infraestrutura verde como elemento estruturante da cidade. E, por trás de cada ipê que floresce ou de cada extremosa que colore as ruas, há um planejamento técnico que equilibra biodiversidade, segurança urbana e adaptação climática.

Fonte: PMC / Foto: Valquir Aureliano/SECOM

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    Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.

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