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Safra 2025/26: moagem de cana no Centro-Sul recua, mas açúcar avança 0,86%

Escrito por: Agronamidia Revisão: Derick Machado
18 de maio de 2026
in Noticias
Foto: Neide Makiko/ Embrapa Informática Agropecuária

Foto: Neide Makiko/ Embrapa Informática Agropecuária

A moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul iniciou o ano sob ritmo reduzido. Na primeira quinzena de janeiro, as unidades processaram 605,09 mil toneladas, volume compatível com o período de entressafra, mas que confirma desaceleração no acumulado do ciclo 2025/26. Até 16 de janeiro, foram moídas 601,04 milhões de toneladas, número 2,22% inferior ao registrado no mesmo intervalo da safra anterior.

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Embora o percentual de retração pareça moderado, sob a ótica industrial ele representa menor disponibilidade de matéria-prima para açúcar e etanol em um momento estratégico do calendário energético. Além disso, o índice acumulado de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) atingiu 138,36 kg por tonelada, recuo de 2,19% frente ao ciclo anterior. Consequentemente, a eficiência de extração também sofre impacto, reduzindo potencial de conversão em produto final.

Durante o período, 27 unidades permaneceram em operação na região, sendo nove usinas com processamento de cana, dez produtoras de etanol de milho e oito unidades flex. Ao final da quinzena, cinco unidades encerraram atividades, movimento típico da entressafra, mas que reforça a desaceleração industrial.

Como explica Luciano Rodrigues, diretor da UNICA, “estamos no período de entressafra da cana-de-açúcar no Centro-Sul e o restabelecimento da produção por algumas unidades só deve acontecer de maneira mais significativa a partir da segunda metade de março, seguindo padrão histórico observado no País”. Ou seja, o cenário atual não indica ruptura estrutural, mas sim comportamento sazonal.

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Açúcar mantém leve avanço mesmo com menor moagem

Apesar da retração no volume processado, a produção de açúcar apresenta dinâmica distinta. Nos primeiros quinze dias de janeiro, foram produzidas 7,32 mil toneladas. No acumulado da safra até 16 de janeiro, o volume alcançou 40,24 milhões de toneladas, crescimento de 0,86% em comparação ao mesmo período do ciclo anterior.

Esse resultado sugere ajuste estratégico no mix produtivo ao longo da safra, favorecendo o adoçante em momentos de melhor rentabilidade internacional. Assim, mesmo com menor moagem total, a indústria conseguiu preservar desempenho positivo no açúcar.

Etanol recua 4,82%, mas milho sustenta expansão

Por outro lado, a produção total de etanol na safra 2025/26 soma 31,27 bilhões de litros, queda de 4,82%. O etanol hidratado recuou 7,78%, atingindo 19,30 bilhões de litros, enquanto o anidro registrou leve alta de 0,39%, totalizando 11,97 bilhões de litros.

Entretanto, o dado que redesenha o setor é o avanço consistente do etanol de milho. Na primeira quinzena de janeiro, 89,96% do biocombustível produzido teve origem no cereal. Foram 384,49 milhões de litros no período, alta de 8,50% frente ao mesmo intervalo da safra anterior. No acumulado, o etanol de milho já soma 7,25 bilhões de litros, crescimento expressivo de 13,67%.

Esse movimento confirma a consolidação da produção híbrida no Centro-Sul, reduzindo dependência exclusiva da cana e garantindo oferta mesmo em momentos de menor moagem.

Vendas refletem mercado doméstico mais seletivo

As vendas de etanol na primeira metade de janeiro totalizaram 1,33 bilhão de litros. O anidro avançou 1,86%, enquanto o hidratado recuou 9,76%. No mercado interno, o hidratado caiu 6,49%, indicando menor competitividade frente à gasolina em algumas regiões.

No acumulado da safra, a comercialização soma 27,62 bilhões de litros, retração de 2,19%. Ainda assim, o anidro mantém crescimento de 4,59%, reflexo da obrigatoriedade de mistura na gasolina e da estabilidade da demanda regulada.

RenovaBio e CBios reforçam previsibilidade regulatória

No campo da descarbonização, a emissão de 4,27 milhões de CBios até início de fevereiro demonstra continuidade operacional do programa. Atualmente, há 21,71 milhões de créditos disponíveis para negociação.

Conforme destacou Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da UNICA, “o cumprimento das regras é fundamental para o atendimento do compromisso com a descarbonização. A continuidade dos investimentos para ampliar a oferta e a eficiência na produção demandam confiança dos agentes e diretrizes sólidas acerca dos biocombustíveis na matriz energética”.

Além disso, dados da ANP indicam que 99% da meta global de 2025 já foi atingida e 88,2% das metas individuais foram cumpridas. Metade das distribuidoras que estavam inadimplentes regularizaram suas obrigações até janeiro de 2026, fortalecendo a credibilidade do programa.

Sob essa ótica, mesmo com a retração pontual da moagem, o setor sucroenergético mantém fundamentos estruturais sólidos. A entressafra reduz o ritmo no curto prazo, porém a expansão do etanol de milho, o desempenho do açúcar e a consolidação do RenovaBio sustentam a previsibilidade econômica da cadeia produtiva no Centro-Sul.

Fonte: Revista RPANEWS

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