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Paisagismo

Zamioculca é venenosa? Entenda os riscos reais da planta queridinha dos interiores

Saiba por que a espécie pode causar irritações e quais cuidados adotar em casas com crianças e pets

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zamioculca na agua

A zamioculca, de nome científico Zamioculcas zamiifolia, tornou-se uma das plantas mais populares da decoração contemporânea. De origem africana, mais especificamente da Tanzânia e do Quênia, ela ganhou espaço nos lares brasileiros por sua resistência, brilho intenso das folhas e capacidade de sobreviver em ambientes com pouca luz. Entretanto, à medida que sua presença se espalhou por salas, quartos e escritórios, uma dúvida passou a circular com frequência: afinal, a zamioculca é venenosa?

A resposta exige nuance. Sim, a planta possui substâncias que podem causar irritação, mas não se trata de um veneno letal como muitos imaginam. O que acontece, na verdade, é que a zamioculca contém cristais de oxalato de cálcio em sua seiva. Essas microestruturas, invisíveis a olho nu, funcionam como pequenos fragmentos pontiagudos que podem provocar desconforto quando entram em contato com mucosas ou são mastigadas.

Segundo a paisagista Renata Guastelli, “a zamioculca não libera toxinas no ar e não representa perigo apenas por estar no ambiente; o risco ocorre principalmente se houver ingestão ou mastigação das folhas”. Isso significa que o simples fato de ter a planta em casa não oferece ameaça direta, o que explica sua ampla utilização em projetos residenciais e corporativos.

planta da fortuna

Entretanto, em lares com crianças pequenas ou animais domésticos curiosos, é prudente redobrar a atenção. Cães e gatos que mordiscam folhas podem apresentar salivação intensa, irritação na boca e leve inchaço. Já em crianças, o contato com a seiva pode causar ardência temporária na pele ou nos lábios. O paisagista Fábio Assef explica que “os sintomas costumam ser leves e autolimitados, mas o ideal é evitar o acesso direto à planta, especialmente durante a fase de descoberta oral das crianças”.

Além disso, é importante entender que a toxicidade da zamioculca é considerada moderada e classificada mais como irritante do que como venenosa no sentido clássico da palavra. Isso a diferencia de espécies realmente perigosas, como comigo-ninguém-pode ou espirradeira, que apresentam riscos sistêmicos mais graves.

Por outro lado, o manuseio da planta também merece cuidado. Durante podas ou replantios, a seiva pode entrar em contato com a pele e provocar leve coceira ou vermelhidão em pessoas mais sensíveis. Por isso, recomenda-se o uso de luvas ao cortar folhas ou dividir touceiras. Assim, evita-se qualquer desconforto desnecessário.

Aliás, essa característica química faz parte do mecanismo natural de defesa da espécie. Em seu habitat de origem, a presença do oxalato atua como barreira contra herbívoros, o que ajuda a explicar sua resistência estrutural. Contudo, em ambientes internos, onde não há predadores naturais, o risco se limita quase exclusivamente ao contato direto.

Outro ponto relevante é que a zamioculca não libera pólen significativo nem compostos voláteis tóxicos. Portanto, ela não interfere na qualidade do ar nem causa problemas respiratórios apenas por permanecer no ambiente. Essa informação é fundamental, sobretudo para quem associa erroneamente toxicidade a contaminação ambiental.

Assim, a pergunta inicial não deve ser respondida apenas com um “sim” ou “não”. A zamioculca pode causar irritação se ingerida ou mastigada, porém não é uma planta altamente venenosa. Com posicionamento estratégico — como prateleiras altas, suportes suspensos ou cantos menos acessíveis — ela continua sendo uma excelente escolha para interiores, oferecendo elegância, baixa manutenção e forte apelo ornamental.

Portanto, o segredo está no manejo consciente. Em ambientes onde há pets muito curiosos ou crianças pequenas, vale optar por locais elevados. Entretanto, em casas compostas apenas por adultos, a presença da planta não representa ameaça significativa. Aliás, quando bem posicionada, a zamioculca segue sendo um dos símbolos mais fortes da decoração contemporânea tropical e urbana.

  • Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.

    ​Sua expertise prática foi rapidamente reconhecida pela comunidade online. Mel contribui ativamente com artigos especializados para importantes plataformas do setor, começando pelo blog Maniadeplantas e hoje é uma autora de destaque na Agronamidia. Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.