Paisagismo
Zamioculca é venenosa? Entenda os riscos reais da planta queridinha dos interiores
Saiba por que a espécie pode causar irritações e quais cuidados adotar em casas com crianças e pets
Publicado
6 horas atrásem
Por
Mel Maria
A zamioculca, de nome científico Zamioculcas zamiifolia, tornou-se uma das plantas mais populares da decoração contemporânea. De origem africana, mais especificamente da Tanzânia e do Quênia, ela ganhou espaço nos lares brasileiros por sua resistência, brilho intenso das folhas e capacidade de sobreviver em ambientes com pouca luz. Entretanto, à medida que sua presença se espalhou por salas, quartos e escritórios, uma dúvida passou a circular com frequência: afinal, a zamioculca é venenosa?
A resposta exige nuance. Sim, a planta possui substâncias que podem causar irritação, mas não se trata de um veneno letal como muitos imaginam. O que acontece, na verdade, é que a zamioculca contém cristais de oxalato de cálcio em sua seiva. Essas microestruturas, invisíveis a olho nu, funcionam como pequenos fragmentos pontiagudos que podem provocar desconforto quando entram em contato com mucosas ou são mastigadas.
Segundo a paisagista Renata Guastelli, “a zamioculca não libera toxinas no ar e não representa perigo apenas por estar no ambiente; o risco ocorre principalmente se houver ingestão ou mastigação das folhas”. Isso significa que o simples fato de ter a planta em casa não oferece ameaça direta, o que explica sua ampla utilização em projetos residenciais e corporativos.

Entretanto, em lares com crianças pequenas ou animais domésticos curiosos, é prudente redobrar a atenção. Cães e gatos que mordiscam folhas podem apresentar salivação intensa, irritação na boca e leve inchaço. Já em crianças, o contato com a seiva pode causar ardência temporária na pele ou nos lábios. O paisagista Fábio Assef explica que “os sintomas costumam ser leves e autolimitados, mas o ideal é evitar o acesso direto à planta, especialmente durante a fase de descoberta oral das crianças”.
Além disso, é importante entender que a toxicidade da zamioculca é considerada moderada e classificada mais como irritante do que como venenosa no sentido clássico da palavra. Isso a diferencia de espécies realmente perigosas, como comigo-ninguém-pode ou espirradeira, que apresentam riscos sistêmicos mais graves.
Por outro lado, o manuseio da planta também merece cuidado. Durante podas ou replantios, a seiva pode entrar em contato com a pele e provocar leve coceira ou vermelhidão em pessoas mais sensíveis. Por isso, recomenda-se o uso de luvas ao cortar folhas ou dividir touceiras. Assim, evita-se qualquer desconforto desnecessário.
Aliás, essa característica química faz parte do mecanismo natural de defesa da espécie. Em seu habitat de origem, a presença do oxalato atua como barreira contra herbívoros, o que ajuda a explicar sua resistência estrutural. Contudo, em ambientes internos, onde não há predadores naturais, o risco se limita quase exclusivamente ao contato direto.
Outro ponto relevante é que a zamioculca não libera pólen significativo nem compostos voláteis tóxicos. Portanto, ela não interfere na qualidade do ar nem causa problemas respiratórios apenas por permanecer no ambiente. Essa informação é fundamental, sobretudo para quem associa erroneamente toxicidade a contaminação ambiental.
Assim, a pergunta inicial não deve ser respondida apenas com um “sim” ou “não”. A zamioculca pode causar irritação se ingerida ou mastigada, porém não é uma planta altamente venenosa. Com posicionamento estratégico — como prateleiras altas, suportes suspensos ou cantos menos acessíveis — ela continua sendo uma excelente escolha para interiores, oferecendo elegância, baixa manutenção e forte apelo ornamental.
Portanto, o segredo está no manejo consciente. Em ambientes onde há pets muito curiosos ou crianças pequenas, vale optar por locais elevados. Entretanto, em casas compostas apenas por adultos, a presença da planta não representa ameaça significativa. Aliás, quando bem posicionada, a zamioculca segue sendo um dos símbolos mais fortes da decoração contemporânea tropical e urbana.
Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
Sua expertise prática foi rapidamente reconhecida pela comunidade online. Mel contribui ativamente com artigos especializados para importantes plataformas do setor, começando pelo blog Maniadeplantas e hoje é uma autora de destaque na Agronamidia. Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.
