Agro
Epagri lança milho que supera 9.900 kg/ha e dispensa fungicida na lavoura
O SCS157 Prodígio é variedade de polinização aberta criada para reduzir custos e garantir estabilidade produtiva mesmo em anos de estiagem
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A Epagri acaba de lançar o SCS157 Prodígio, uma nova variedade de milho de polinização aberta desenvolvida ao longo de mais de uma década no Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar, o Cepaf, em Chapecó.
O cultivar supera em 10% a produtividade do SCS155 Catarina, até então o material de maior rendimento da instituição, e chega ao mercado como uma opção concreta de redução de custos para pequenos e médios produtores do Sul do Brasil. O lançamento aconteceu durante o Itaipu Rural Show, em Pinhalzinho, no Oeste Catarinense.
Números que mudam o cálculo da safra
A produtividade média do Prodígio gira em torno de 9.900 quilos por hectare, o equivalente a 165 sacas. Nos ensaios mais favoráveis, o material chegou a 195 sacas, ou aproximadamente 12 mil quilos por hectare. Para quem trabalha com milho na primeira safra no Sul, esses números representam uma revisão direta na conta de resultado.
“Em média, o Prodígio rende cerca de 9.900 quilos por hectare, o que equivale a aproximadamente 165 sacas. Os ensaios demonstraram uma capacidade de produtividade ainda melhor, alcançando, em alguns casos, 195 sacas, que equivalem a aproximadamente 12 mil quilos por hectare”, explica Felipe Bermudez, pesquisador da Epagri responsável pelo desenvolvimento do cultivar.
O material foi testado em municípios com condições edafoclimáticas distintas, como Papanduva, Chapecó, Guatambu, Campos Novos e Ituporanga. Essa amplitude de avaliação não é detalhe. Significa que o Prodígio foi validado em campo, em situações reais, antes de chegar à mão do produtor.
Rusticidade que vai além da seca
O SCS157 Prodígio foi desenvolvido com foco explícito em resistência a adversidades. A tolerância à seca já seria suficiente para justificar o interesse do produtor do Sul, região onde os veranicos têm comprometido janelas de plantio e encurtado ciclos produtivos nas últimas safras. Aliás, a resistência ao complexo de enfezamentos causado pela cigarrinha-do-milho é outro diferencial que muda a equação de custos.
“Não aplicamos fungicida durante o programa de melhoramento. Com isso, exceto em casos de extrema necessidade, não é necessária a utilização de fungicidas nas lavouras de Prodígio”, afirma Bermudez.
Isso significa menos uma linha de despesa no orçamento da safra. Para o agricultor familiar que trabalha com margens apertadas, cortar ou reduzir fungicida não é detalhe operacional. É lucro direto.
Contudo, o pesquisador faz um alerta necessário sobre o manejo: “Os cultivares da Epagri não possuem eventos de transgenia, por isso, os produtores devem realizar o controle de cigarrinhas, percevejos e lagartas utilizando inseticidas ou controle biológico”. O controle de pragas segue sendo indispensável e deve ser feito com atenção ao nível de dano econômico.
O que diferencia um milho VPA dos demais
O milho de polinização aberta não é modificado em laboratório. A seleção das plantas ocorre inteiramente em campo, com avaliação em múltiplos ambientes ao longo de gerações. O processo é mais lento, mas o resultado é um material estável, adaptado e com comportamento previsível.
A diferença mais prática para quem está na lavoura está no custo da semente. As variedades VPA são significativamente mais baratas do que os híbridos comerciais. Além disso, a rusticidade do material reduz a dependência de insumos, o que contribui para uma produção com menor custo variável e maior resiliência em anos de estiagem ou instabilidade de mercado.
O presidente da Epagri, Dirceu Leite, destacou no lançamento a importância estratégica do trabalho de melhoramento genético para fortalecer as pequenas propriedades rurais do Estado. Para o presidente da Cooperitaipu, Arno Pandolfo, a parceria com a Epagri segue entregando resultados concretos. “É sempre muito importante apresentar inovações porque, cada vez mais, os agricultores estão em busca de tecnologia e rentabilidade”, afirmou.
Manejo recomendado e como adquirir
Para extrair o potencial máximo do Prodígio, a recomendação técnica é o espaçamento de 0,5 metro entre linhas, com densidade de 55 mil plantas por hectare. O cultivar foi desenvolvido para a primeira safra e segue o zoneamento de risco climático, com semeadura indicada para o início da janela de plantio da região Sul.
As sementes do SCS157 Prodígio são comercializadas pela BMF Tecnologia Biológica, sediada em Três Passos, no Rio Grande do Sul. Alexandre Bourscheid, diretor de tecnologia da empresa, destaca que os pedidos pelo material já chegam de estados como Ceará, Piauí, Paraná e Tocantins, o que indica que o alcance do cultivar vai além da região onde foi desenvolvido.
Os produtores interessados podem contatar a BMF pelo WhatsApp (55) 99211-6681 ou buscar orientação diretamente nos escritórios municipais da Epagri.
Fonte: Karin Helena Antunes de Moraes, jornalista bolsista na Epagri/Fapesc
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