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Estudantes paranaenses do agro trocam sala de aula por semestre em Iowa
Programa estadual garante formação bilíngue e técnica em gestão rural para estudantes da rede pública, com foco em administração de propriedades e inovação no campo
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Há cerca de um mês, estudantes paranaenses matriculados em colégios agrícolas estaduais iniciaram uma etapa estratégica de formação técnica nos Estados Unidos. Por meio do programa Ganhando o Mundo Agrícola, da Secretaria de Estado da Educação (Seed), os jovens cursam disciplinas de gestão rural, administração de fazenda e empreendedorismo na University of Northern Iowa, combinando aprimoramento do inglês com conteúdos aplicados ao agronegócio.
O modelo adotado pela instituição americana apresenta convergências diretas com a abordagem pedagógica dos colégios agrícolas do Paraná. Ambos os sistemas priorizam o ensino personalizado, com uso intensivo de tecnologia, casos atuais do mercado e acompanhamento constante do aprendizado. “É muito parecida a forma de apresentação, com material didático, uso de tecnologia e exemplos atuais. Os professores, tanto daqui quanto do Paraná, verificam sempre se os alunos estão aprendendo. Há todo um cuidado com o aprendizado”, detalha Ricardo de Moura, de 16 anos, matriculado em um colégio de Palmas e participante da edição atual.
Grade curricular voltada à tomada de decisão no campo
A estrutura do semestre concentra quatro disciplinas obrigatórias, todas direcionadas ao aprofundamento técnico no setor. Entre elas, destaca-se a disciplina de Entrepreneurship/Agribusiness, que aborda administração de negócios rurais, análise de oportunidades de mercado e aplicação de inovações no campo. Além disso, os estudantes cursam inglês intensivo, matemática aplicada e aulas em laboratório, garantindo a formação técnica necessária para a gestão de propriedades.
“Já tive contato com conteúdos de empreendedorismo e agronegócio, inglês intensivo, matemática e laboratório. A mais relacionada à área em que pretendo me formar é Entrepreneurship/Agrobusiness, que mostra como administrar negócios no agro, analisar oportunidades no campo e trabalhar com inovação no setor”, afirma Joseph Martelócio, de 17 anos, estudante de Cruzeiro do Oeste.
A proposta do programa vai além da simples imersão linguística. A agenda inclui visitas técnicas a empresas do agronegócio americano, permitindo que os alunos observem na prática os modelos de gestão, logística e tecnologia aplicados em propriedades de grande escala. Essa combinação entre teoria e vivência de campo fortalece a capacidade de análise econômica e técnica dos estudantes, preparando-os para a realidade do setor no retorno ao Brasil.
Formação profissional e amadurecimento pessoal
O programa Ganhando o Mundo Agrícola atende estudantes da 1ª série do Ensino Médio, conectando formação técnica e desenvolvimento pessoal em um momento estratégico da trajetória escolar. Para Eloísa Junqueira, de 16 anos, aluna do Colégio Estadual Marechal Arthur da Costa e Silva, em Santa Fé, o intercâmbio representa a oportunidade de compreender como o agronegócio funciona nos Estados Unidos, aprimorar a fluência em inglês e conhecer uma nova cultura.
Eloísa planeja documentar a rotina nas redes sociais, compartilhando os desafios e as conquistas do intercâmbio. Ela investiu em equipamento de gravação para registrar o dia a dia de uma aluna do interior do Paraná em uma universidade americana. “Vou gravar vídeos para mostrar como é a vida em uma universidade em Iowa e incentivar outros alunos a participarem do Ganhando o Mundo”, explicou.
A vivência em outro país exige adaptação rápida a um novo idioma, cultura e rotina acadêmica. Contudo, a gratidão por realizar um sonho antes considerado distante motiva os estudantes a enfrentar os desafios diários. Joseph, por exemplo, comemorou o aniversário em 31 de janeiro longe da família. Mesmo assim, os colegas intercambistas organizaram uma comemoração com bolo e sorvete. “No meu aniversário, acordei um pouco triste por estar longe das pessoas que amo, mas, ao longo do dia, fui passear pela cidade com meus amigos intercambistas, e eles trouxeram bolo e sorvete. Apesar da saudade, foi um ótimo aniversário”, relata.
Conexão com a família e registro da experiência
As ligações frequentes e o compartilhamento de registros fotográficos tornaram-se rotina entre os estudantes. Ricardo percebeu que enviar fotos do cotidiano é tão importante quanto as conversas por telefone, pois demonstra que está bem e permite que a família acompanhe de perto a experiência. “Percebi que mandar fotos do dia a dia é tão importante quanto falar por telefone. É uma forma de mostrar que estou bem. E, claro, fui cobrado por várias pessoas para gravar um vídeo mostrando a neve. Foi uma experiência incrível”, afirma.
A expectativa para os próximos meses é de intensificar os estudos na área de gestão rural e retornar ao Brasil preparados para a graduação. Eloísa ressalta que o intercâmbio representa amadurecimento acelerado e a oportunidade de transformar imaginação em realidade. “Quero aprender ainda mais sobre a cultura deles, melhorar minha pronúncia e intensificar os estudos na minha área para voltar ao Brasil pronta para a graduação. Sei que, com essa experiência, vou amadurecer muito e quero aproveitar ao máximo tudo isso que um dia foi apenas imaginação”, conta.
O programa reforça o compromisso do Estado com a formação técnica voltada ao agronegócio, setor que responde por parcela significativa da economia paranaense. Ao garantir acesso a conteúdos de gestão, empreendedorismo e inovação em uma das principais regiões agrícolas dos Estados Unidos, o Paraná prepara uma geração de profissionais capacitados para atuar em diferentes segmentos da cadeia produtiva, desde a administração de propriedades até a análise de mercado e implementação de tecnologias no campo.
Fonte: AEN/PR | Foto: Eloisa, Arquivo pessoal
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