A colheita da soja no Rio Grande do Sul avança em ritmo lento neste início de temporada. Dos 6,624 milhões de hectares estimados para a safra 2025/26, apenas 10% foram colhidos até o momento, segundo levantamento da Emater-RS. O número reflete um campo ainda em transição, onde a maior parte das lavouras oscila entre o enchimento de grãos, que responde por 43% das áreas, e a maturação, presente em 41% dos talhões. Na prática, isso significa que o grosso da colheita gaúcha ainda está por vir, e as próximas semanas serão determinantes para definir o desempenho final da principal cultura do Estado.
As chuvas recentes desempenharam papel duplo nesse cenário. Por um lado, favoreceram a reposição hídrica nas lavouras que ainda se encontravam em fase reprodutiva, contribuindo para sustentar a produtividade média estimada em 2.871 quilos por hectare. Por outro, impuseram interrupções pontuais às operações de colheita, segurando as máquinas no pátio em momentos em que o produtor já estava pronto para entrar no campo. Esse movimento de avanço e recuo é comum no início da janela de colheita gaúcha, mas exige atenção ao monitoramento das condições climáticas para evitar perdas por umidade excessiva nos grãos.
Milho encerra a safra com desempenho satisfatório
Enquanto a soja ainda acumula área a ser colhida, o milho gaúcho já está na etapa final. A colheita da cultura atingiu 73% da área cultivada no Estado, com resultados classificados como satisfatórios pela Emater-RS. A área total estimada é de 803.019 hectares, e a produtividade média projetada chega a 7.424 kg/ha, número que reflete uma safra heterogênea, mas dentro de patamares aceitáveis para a região.
A Emater destacou que o desempenho das lavouras está diretamente ligado ao histórico climático enfrentado ao longo do ciclo. As áreas que tiveram regularidade hídrica e manejo adequado registraram os melhores resultados, ao passo que regiões submetidas a restrição de água em fases críticas acusaram perdas parciais. Esse contraste entre talhões dentro de um mesmo município é uma das marcas desta safra, e reforça que o manejo diferenciado por zona de produção fez toda a diferença no resultado final.
Arroz na reta final, com produtividade acima da média nacional
O arroz gaúcho chega à fase de intensificação da colheita com 35% da área já trabalhada. Das lavouras ainda em campo, 47% estão em maturação e 18% seguem no enchimento de grãos, etapa considerada sensível à disponibilidade hídrica e às condições de radiação solar. A área cultivada, conforme estimativa do Instituto Rio-grandense do Arroz (Irga), é de 891.908 hectares, e a produtividade projetada pela Emater-RS chega a 8.744 kg/ha, número expressivo que posiciona a lavoura orizícola gaúcha em patamar elevado para os padrões brasileiros.
O Rio Grande do Sul responde pela maior parte da produção nacional de arroz irrigado, e os números desta safra reforçam a relevância do Estado para o abastecimento interno do cereal. A concentração de lavouras ainda em maturação indica que o volume colhido deve crescer de forma consistente nas próximas semanas, desde que as condições climáticas se mantenham favoráveis para as operações de campo.
Três culturas, três momentos, uma mesma janela de decisão
O que o levantamento da Emater-RS revela, na prática, é um campo gaúcho operando simultaneamente em três frentes. O milho caminha para o encerramento da safra com resultados consolidados. O arroz avança na colheita com produtividade robusta e lavouras em estágio avançado. A soja, por sua vez, ainda está no começo do processo, com a maior parte das áreas a dias ou semanas de atingir o ponto ideal para a entrada das colhedoras.
Para o produtor gaúcho, esse cenário exige organização logística e atenção redobrada ao monitoramento das lavouras de soja, especialmente nas áreas que ainda estão no enchimento de grãos. A janela de maturação se aproxima rapidamente, e qualquer atraso desnecessário na colheita pode comprometer a qualidade final dos grãos, aumentar o risco de perdas por deiscência e pressionar os custos de secagem caso a umidade esteja acima do ponto comercial no momento do corte.



