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Rótulo “sem glúten” só tem valor com laudo: o papel das análises laboratoriais na segurança alimentar

Do pão de queijo ao bolinho caiçara, a validação técnica garante que alimentos rotulados como isentos de glúten não representem risco para quem tem doença celíaca ou intolerância

Escrito por: Agronamidia Revisão: Derick Machado
17 de maio de 2026
in Noticias
Foto: Hedeson Alves/TECPAR

Foto: Hedeson Alves/TECPAR

Estima-se que cerca de 2 milhões de brasileiros vivem com doença celíaca, condição autoimune em que qualquer exposição ao glúten desencadeia uma resposta inflamatória grave no intestino delgado, comprometendo a absorção de nutrientes e a qualidade de vida. Para esse público, a informação no rótulo não é suficiente. A segurança começa no laboratório.

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A legislação brasileira obriga os fabricantes a declararem a presença ou ausência de glúten nas embalagens, mas a conformidade real dessa informação só pode ser verificada por meio de análises técnicas especializadas. É nesse ponto que entra o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), credenciado pela Anvisa, acreditado pelo Inmetro e registrado no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que realiza ensaios laboratoriais para detectar a presença do alérgeno tanto na matéria-prima quanto no produto final.

“Para as pessoas celíacas, mesmo uma pequena quantidade do alérgeno pode desencadear uma reação grave, por isso é essencial que as empresas que atendem esse público estejam seguras de que o produto que oferecem é realmente isento de glúten. É aí que entra a validação técnica do Tecpar, realizada por profissionais especializados e equipamentos de ponta”, afirma Alessandra Bispo, gerente do Centro de Tecnologia em Saúde e Meio Ambiente do instituto.

Diversos tipos de alimentos já passaram pelos laboratórios do Tecpar para análise de glúten, entre eles pães de queijo, pizzas, sorvetes, pães industrializados, arroz, feijão e outros grãos. A variedade de produtos analisados reflete a complexidade do desafio enfrentado pela indústria alimentícia, já que o glúten está presente não apenas nos alimentos que o contêm naturalmente, mas também em uma ampla gama de produtos processados, como salsichas, hambúrgueres, molhos e achocolatados.

Contaminação cruzada: o risco invisível na linha de produção

O glúten é uma mistura de proteínas encontradas naturalmente no trigo, centeio, cevada e aveia. Para a maioria das pessoas, o consumo não representa risco. Contudo, para celíacos e pessoas com intolerância, a ingestão provoca reações distintas: na doença celíaca, o sistema imunológico ataca o próprio organismo; na intolerância, a digestão incorreta da substância gera inflamação e sintomas gastrointestinais, sem envolver o sistema imunológico diretamente.

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Produzir um alimento verdadeiramente seguro para esse público exige muito mais do que escolher ingredientes isentos de glúten. Alessandra Bispo destaca que boas práticas de fabricação, instruções de trabalho rigorosas e processos bem estruturados são pilares obrigatórios nesse tipo de produção. Além disso, o controle sobre o ambiente fabril é determinante.

“Os produtos classificados como ‘sem glúten’ não podem ser produzidos em ambientes onde também são preparados produtos com a substância. Essa medida é essencial para evitar a chamada contaminação cruzada, que acontece quando há a presença de um alérgeno alimentar ou seus derivados no produto, o que representa um grande risco para o consumidor com a doença celíaca”, explica a gerente do Tecpar.

Assim, as análises laboratoriais cumprem uma função dupla: atestam que os processos produtivos estão sendo executados corretamente e oferecem respaldo técnico à informação que chega ao mercado. Sem esse laudo, o rótulo “sem glúten” permanece uma declaração unilateral do fabricante, sem comprovação científica.

Do litoral do Paraná ao laudo técnico: o caso dos bolinhos caiçaras

Em Antonina, no Litoral do Paraná, a empresa Bolinhos Serra do Mar produz de forma artesanal bolinhos de camarão, barreado e siri, preparados com farinha de mandioca proveniente da agricultura familiar. A ausência de glúten faz parte da receita original do tradicional bolinho caiçara da região, mas foi a validação técnica do Tecpar que transformou essa característica em um diferencial comercial comprovado.

Os sócios Josedir Tadeu Gonçalves e Laurenir Pereira de Oliveira optaram por submeter os produtos à análise laboratorial não por exigência regulatória, mas por responsabilidade com o consumidor. Para Josedir, conhecer a composição dos ingredientes não basta quando o público-alvo inclui pessoas cujos riscos à saúde são reais e imediatos.

“Mesmo sabendo da composição, entendemos que só a validação técnica em laboratório garante segurança e credibilidade. Conhecemos o Tecpar pela sua credibilidade técnica e reconhecimento nacional, e escolhemos o instituto pela confiança, seriedade e excelência nos processos”, afirma o empresário.

Os produtos da Serra do Mar são comercializados em municípios do Litoral do Paraná, em Curitiba e na Região Metropolitana. Josedir relata que a certificação técnica abriu portas com consumidores celíacos que, por anos, evitavam esse tipo de produto por falta de garantia. O impacto mais direto dessa confiança chegou na forma de um relato que o empresário não esquece: um jovem celíaco que, ao experimentar os bolinhos pela primeira vez com segurança, pediu permissão para dar um abraço de agradecimento antes de ir embora.

Credenciais que sustentam a confiança no mercado

A escolha de um laboratório habilitado e acreditado não é detalhe burocrático. Ela define a validade técnica e legal do laudo perante os órgãos de vigilância sanitária e o próprio mercado. O Tecpar opera com acreditação da Coordenação Geral de Acreditação do Inmetro (CRL 0244), habilitação da Anvisa e registro no Mapa, o que posiciona o instituto como referência para empresas que precisam comprovar conformidade em segurança alimentar.

Para os fabricantes que atendem consumidores com restrições alimentares, esse respaldo técnico não é apenas um requisito. É o que diferencia um produto responsável de uma promessa sem comprovação no mercado.

Via: AEN
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