O frio do outono chegou às lavouras e o consumidor já começa a sentir a diferença no bolso. Na última semana, o preço do tomate disparou nos principais entrepostos do país, com alta de até 22,8%, reflexo direto da queda nas temperaturas e do encolhimento progressivo da oferta que acompanha os meses mais frios do ano.
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o atacado de São Paulo registrou cotação de R$ 169 por caixa de 20 quilos, uma elevação de 20,7% em apenas uma semana. No Rio de Janeiro, o avanço foi ainda mais intenso: a caixa fechou o período a R$ 153, com alta de 22,8%. Em Campinas (SP), a média chegou a R$ 184,29, com crescimento de 8,8%.
O que o frio tem a ver com o preço do tomate
A lógica é direta: temperaturas baixas desaceleram o processo de maturação dos frutos no campo. O tomate que levaria determinado número de dias para atingir o ponto de colheita passa a demandar mais tempo — e isso comprime a oferta disponível nos entrepostos. Quando menos produto chega ao mercado atacadista, os preços sobem.
Esse comportamento se intensifica nos meses de outono e se prolonga pelo inverno, mas a amplitude do impacto varia conforme o rigor térmico de cada região e a capacidade de abastecimento das praças produtoras próximas. Neste ciclo, a combinação entre frio mais acentuado e redução natural da colheita criou condições para uma alta mais pronunciada em praças como Rio de Janeiro, que depende de regiões produtoras com menor diversificação de abastecimento neste período.
Por que São Paulo e Belo Horizonte subiram menos
Nem todos os mercados sentiram o impacto com a mesma intensidade. Os atacados de São Paulo e Belo Horizonte registraram altas menos expressivas em comparação ao Rio de Janeiro, e a razão está na origem do produto que os abastece. Regiões como Araguari (MG) e Sumaré (SP), classificadas como praças de inverno, intensificaram um pouco o ritmo de colheita nas últimas semanas, o que ajudou a amortecer a pressão sobre a oferta nessas praças.
Araguari e Sumaré são áreas com condições climáticas e de altitude que permitem produção mais estável durante os meses mais frios, funcionando como válvulas de alívio quando outras regiões reduzem o volume colhido. A capacidade de acionar esse tipo de produção complementar faz diferença direta no comportamento dos preços em cada mercado.
O que esperar nas próximas semanas
Com o outono ainda em curso e o inverno se aproximando, a tendência é de que a pressão sobre a oferta se mantenha ou se intensifique nas próximas semanas. O reflexo já chega ao varejo: em Curitiba, nesta semana, o quilo do tomate é encontrado em mercados da cidade entre R$ 11,99 e R$ 13,99, a depender do estabelecimento e da qualidade do produto. A normalização dos preços depende da retomada do ritmo de maturação nas lavouras, que está diretamente atrelada à estabilização das temperaturas. Enquanto o frio persistir, os entrepostos seguirão operando com volume reduzido — e o tomate deve continuar pressionado tanto para o varejista quanto para o consumidor final.




