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IAC na Agrishow 2026: novas variedades de cana e amendoim e um feijão que não escurece nem perde valor

Instituto Agronômico expõe seus pacotes tecnológicos mais recentes em Ribeirão Preto, de 27 de abril a 1º de maio, com cultivares que ocupam até 80% do mercado nacional em algumas culturas

Escrito por: Agronamidia Revisão: Derick Machado
27 de maio de 2026
in Agricultura
Foto: Neide Makiko/ Embrapa Informática Agropecuária

Foto: Neide Makiko/ Embrapa Informática Agropecuária

Quem visitar o estande do Instituto Agronômico de Campinas na Agrishow 2026 vai encontrar algo que vai além de plantas expostas em canteiros. O IAC leva ao evento, realizado de 27 de abril a 1º de maio em Ribeirão Preto, um conjunto de soluções genéticas e tecnológicas construídas ao longo de décadas de pesquisa — e com impacto direto na rentabilidade e na resiliência de quem produz no Brasil.

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No mesmo espaço onde funciona a Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento de Cana do Instituto, vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, os visitantes poderão interagir com pesquisadores, conhecer cultivares recém-lançadas e se aprofundar em tecnologias que vão da irrigação de salvamento ao equipamento de proteção individual para aplicadores de agrotóxicos.

“Será uma oportunidade para os visitantes interagirem com os nossos pesquisadores e técnicos e conhecerem os materiais mais recentes liberados pelo Programa Cana IAC e por vários outros programas de melhoramento genético do Instituto, a exemplo de grãos, café e horticultura, além de tecnologias de irrigação e de segurança na aplicação de agrotóxicos”, afirma Marcos Guimarães de Andrade Landell, líder do Programa Cana e coordenador do IAC.

Cana com rusticidade e resistência ao acamamento

O Programa Cana IAC apresenta suas duas variedades mais recentes: a IAC07-2361 e a IAC09-6166. Ambas são indicadas para a região Centro-Sul e chegam ao mercado com foco em produtividade agroindustrial elevada e características que simplificam o manejo ao longo dos ciclos produtivos. Além das duas novidades, outras dez cultivares de destaque nacional estarão plantadas no plot do Instituto.

A IAC07-2361 se sobressai pela alta produtividade aliada à rusticidade e ao raro florescimento, o que reduz interferências no processo produtivo. Sua adaptação à mecanização no plantio e na colheita, combinada com porte semiereto e boa resistência ao acamamento, garante a qualidade da matéria-prima entregue à indústria. A IAC09-6166 complementa esse portfólio com elevada produtividade, manutenção uniforme da população de colmos ao longo dos cortes e longo Período de Utilização Industrial (PUI), ampliando a janela de aproveitamento da cana na moagem.

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O evento também vai expor o Sistema de Mudas Pré-Brotadas (MPB), cuja produção anual estimada chega a 200 milhões de mudas, e a Tecnologia do Terceiro Eixo, já adotada em 30% do setor e essencial para reduzir a exposição da cultura ao déficit hídrico em períodos críticos.

Amendoim alto oleico que alcança 7 mil quilos por hectare

As cultivares IAC de amendoim ocupam cerca de 70% dos campos paulistas da oleaginosa — e a Agrishow 2026 marca a estreia pública da IAC OL7, a variedade mais recente do programa. Com ciclo mais curto, de aproximadamente 130 dias, e potencial produtivo de 7 mil quilos por hectare em casca, ela se enquadra no padrão de grãos tipo exportação e apresenta teor de ácido oleico entre 70% e 80%, além de menor suscetibilidade às manchas foliares.

No mesmo espaço, o público poderá conhecer a IAC OL3, a mais plantada entre as cultivares alto oleicas do Instituto, e a IAC OL5, que reúne as características agronômicas e industriais desejáveis com tolerância ao estresse hídrico. A IAC 503, segunda cultivar mais plantada do portfólio, completa o conjunto com rusticidade, ciclo longo e o mesmo teor de ácido oleico das demais.

O feijão que o mercado não rejeita — mesmo depois de meses no estoque

Uma das novidades mais práticas do IAC na Agrishow é o feijão IAC Nelore, cultivar desenvolvida para resolver um problema concreto da cadeia produtiva: o escurecimento do grão, que reduz a aceitação do consumidor e limita o tempo de armazenamento. Com tolerância ao escurecimento, o Nelore pode ser estocado por cerca de 12 meses sem comprometer a venda.

“Nós o desenvolvemos em função da cultivar IAC 2051, que apesar de todas as qualidades, como produtividade, grão claro e escurecimento muito lento, apresenta suscetibilidade para a antracnose, doença fúngica que pode causar perdas de até 100% do feijoeiro. Por isso o Nelore foi desenvolvido para suprir essa suscetibilidade”, explica Alisson Chiorato, pesquisador do IAC.

Além da resistência a várias raças fisiológicas da antracnose, o IAC Nelore tem potencial produtivo de 70 sacas por hectare, caldo espesso de alta qualidade e aprovação pela indústria. A cultivar representa um avanço tanto para o produtor, que ganha mais flexibilidade na comercialização, quanto para o consumidor final.

Mandioca, batata-doce e a força das raízes no portfólio do IAC

As cultivares de mandioca do IAC — tanto as de mesa quanto as industriais — ocupam cerca de 80% do mercado nacional. Na Agrishow, o público poderá ver de perto esse portfólio e também as novas opções de batata-doce coloridas, desenvolvidas com maior teor de betacaroteno, ampliando as possibilidades nutricionais e comerciais da cultura.

Irrigação: a tomada de decisão começa com monitoramento

A gestão eficiente da água será outro ponto de destaque no espaço do IAC. O foco está nas estratégias de manejo que consideram a integração entre planta, cultivar, ambiente e disponibilidade hídrica, com ênfase em monitoramento de clima, solo e sistema radicular.

“Isso é muito importante sobretudo quando se realiza a irrigação de salvamento: ao conhecer essa disponibilidade, consigo fazer o balanço hídrico e adotar estratégias mais assertivas na irrigação e em especial na modalidade de salvamento da cana, por exemplo”, destaca Regina Célia de Matos Pires, pesquisadora e vice-coordenadora do IAC.

A pesquisadora ressalta ainda que tecnologias como câmeras e sensores de campo ampliam a confiabilidade das decisões, especialmente em grandes culturas, onde o erro de manejo tem impacto proporcional à escala.

20 anos protegendo quem trabalha com agrotóxicos

O Programa QUEPIA, que completa duas décadas em 2026, fecha o conjunto de soluções do IAC na Agrishow com uma pauta que une segurança do trabalho e inovação de materiais. A iniciativa certifica EPIs agrícolas com foco em vestimentas para aplicadores de agrotóxicos, seguindo os critérios da norma ISO 27065, que abrange ensaios de resistência química, mecânica e adequação da modelagem ao movimento do trabalhador.

“Atualmente, EPI que não passa pelos ensaios de qualidade não chega mais ao mercado. Isso significa que todos os trabalhadores hoje em dia estão mais seguros”, afirma Hamilton Humberto Ramos, pesquisador responsável pelo QUEPIA. Ele lembra que o nível de proteção deve ser compatível com o tipo de exposição da aplicação: um equipamento costal e um tratorizado demandam vestimentas com padrões distintos, e o simples uso do EPI não garante segurança se o produto não atender aos critérios de qualidade, tamanho e manutenção.

O programa atua em parceria com a ABNT na elaboração de normas nacionais e internacionais, e segue desenvolvendo novos tecidos em conjunto com fabricantes, buscando combinar proteção e conforto térmico para trabalhadores em diferentes condições de campo.

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