Maio foi um mês de queda expressiva para os produtores de café arábica no Brasil. As cotações recuaram com força ao longo de todo o período, e a média mensal chegou ao menor patamar desde outubro de 2024, em termos reais. O movimento reflete, antes de tudo, a dinâmica clássica de mercado: quando a oferta cresce, o preço cede — e a safra 2026/27 promete ser recorde.
O indicador Cepea/Esalq do café arábica fechou o mês com média de R$ 1.653,92 por saca de 60 quilos, uma queda de R$ 157,95 em relação à média de abril, que havia sido de R$ 1.811,87. Em termos percentuais, o recuo foi de 8,7% em um único mês. Os valores foram deflacionados pelo IGP-DI de abril de 2026, o que torna a comparação ainda mais precisa e revela a real dimensão da perda de poder de preço ao produtor.
A colheita como fator de pressão
O principal vetor dessa queda está no campo. O avanço da colheita da safra 2026/27 ao longo de maio colocou pressão direta sobre as cotações, à medida que o volume de café disponível no mercado cresceu progressivamente. Safras com expectativa de recorde de produção costumam antecipar esse efeito: os agentes do mercado ajustam suas posições antes mesmo do pico da oferta, e os preços respondem a essa antecipação.
O ritmo da colheita, no entanto, foi um pouco mais lento do que o esperado. Grãos em estágios variados de maturação e a ocorrência de chuvas pontuais ao longo do mês dificultaram o andamento das atividades em algumas regiões. Ainda assim, a perspectiva de volume recorde foi suficiente para manter a pressão sobre as cotações durante todo o período.
Sul de Minas em alerta com granizo
Um episódio específico chamou a atenção dos produtores durante o mês: a chuva de granizo que atingiu o sul de Minas Gerais, com maior intensidade nas regiões de Boa Esperança e Ilicínea. O evento gerou preocupação imediata, já que o granizo pode causar danos físicos aos frutos e comprometer a qualidade e o volume colhido em propriedades afetadas.
Os produtores seguiram avaliando as perdas nos dias seguintes ao evento. Com a redução gradual das chuvas na sequência, as atividades de colheita voltaram a ganhar ritmo em praticamente todas as praças, o que amenizou parte do impacto operacional do episódio, embora os danos nas áreas mais atingidas ainda estejam sendo contabilizados.
O que os números colocam em perspectiva
A média de R$ 1.653,92 a saca em maio representa o menor patamar desde outubro de 2024, quando o indicador registrou R$ 1.490,14 em termos reais. Em alguns dias do mês, as cotações diárias chegaram aos menores valores desde novembro de 2024, também em termos reais. Para o produtor que planejou seus custos com base nos preços elevados do início do ano, a queda de quase 9% em um mês representa uma perda de receita relevante.
O cenário atual coloca o mercado em posição de atenção para os próximos meses: se a safra 2026/27 confirmar o recorde de produção esperado, a tendência de pressão sobre os preços tende a persistir ao longo do período de maior oferta. A recuperação das cotações dependerá da velocidade de absorção do volume pelo mercado interno e externo, além de eventuais fatores climáticos que possam alterar o ritmo da colheita nas regiões produtoras ainda em plena atividade.




