A safra de café 2025 começou com ritmo ligeiramente acima do registrado no mesmo período do ano anterior. A Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) informou que a colheita em sua área de atuação atingiu 8,9% até o dia 29 de maio, resultado superior aos 6,9% anotados no mesmo intervalo de 2025 e muito próximo dos 9,1% de 2023, o melhor começo de safra da série histórica apresentada pela cooperativa.
O dado foi divulgado nesta quarta-feira (3 de junho) como parte de uma novidade operacional: a partir de agora, a Cooxupé passará a publicar semanalmente o andamento dos trabalhos de colheita em cerca de 370 municípios de Minas Gerais e São Paulo. A iniciativa oferece ao mercado e aos produtores uma referência mais frequente sobre o ritmo da safra em uma das origens mais relevantes do café brasileiro.
Um começo de safra dentro do esperado
A cooperativa deixou claro, já na abertura da série, que não há atraso nos trabalhos até o momento. O ritmo atual é compatível com o estágio inicial de uma safra que ainda tem semanas de aceleração pela frente, especialmente nas regiões onde a maturação dos grãos avança de forma mais gradual.
Olhando para a série histórica, o percentual atual de 8,9% se posiciona bem: em 2024, o mesmo ponto da safra marcava 8,5%, e em 2022 o índice era de apenas 4,5%. Somente o início de 2023 chegou mais adiantado, com 9,1%. Isso coloca a safra atual no grupo das mais ágeis nos últimos quatro anos, ainda que a diferença em relação ao líder histórico seja de apenas 0,2 ponto percentual.
Diferenças regionais revelam estágios distintos
O recorte por região mostra que o avanço da colheita não é uniforme. São Paulo, pela média mogiana, lidera com 14,8% colhidos até o fim de maio. As Matas de Minas vêm logo atrás, com 14%, seguidas pelo Sul de Minas, que registra 11,1%. O Cerrado Mineiro apresenta o menor avanço do grupo, com 3,5%, refletindo características próprias de clima, altitude e calendário operacional que costumam atrasar o início da retirada do grão nessa região.
Essas diferenças são esperadas e fazem parte da dinâmica natural de uma safra que abrange territórios com perfis produtivos bastante distintos. O Sul de Minas, por exemplo, tem altitude elevada e temperaturas mais amenas, o que tende a retardar a maturação em relação às áreas de cerrado com verões mais secos e definidos.
O que os próximos boletins vão revelar
O primeiro boletim da Cooxupé não traz estimativas de volume em sacas, produtividade por hectare ou distribuição por variedade. Essas informações devem ser incorporadas ao longo das próximas divulgações, à medida que o ritmo de colheita se intensifica e os dados regionais ganham densidade.
O acompanhamento semanal tem valor estratégico para produtores que precisam planejar logística, armazenagem e comercialização, e também para o mercado que monitora a velocidade de formação de estoque em origem. Com uma frequência maior de dados, qualquer desvio no ritmo esperado poderá ser identificado mais cedo, reduzindo incertezas na tomada de decisão ao longo da safra.
Por enquanto, o sinal é positivo: a safra começou no prazo, com ritmo acima do ano anterior e sem ocorrências operacionais relevantes reportadas pela cooperativa.




