A pecuária brasileira encerrou 2025 com uma sequência de marcas históricas que dificilmente serão esquecidas pelo setor. O abate de bovinos no país chegou a 42,94 milhões de cabeças, um crescimento de 8,2% sobre 2024, segundo a Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, do Leite, do Couro e da Produção de Ovos de Galinha, divulgada pelo IBGE em março de 2026. Não foi um recorde isolado: frangos, suínos, ovos de galinha e couro bovino também atingiram volumes sem precedentes no mesmo período, consolidando 2025 como o ano mais produtivo da proteína animal brasileira.
A trajetória ascendente do abate bovino não surgiu do nada. Desde 2022, o segmento acumula crescimento consistente, impulsionado pela expansão do rebanho, pela melhora no manejo produtivo e pelo avanço de tecnologias como o Sistema Antecipasto e a Integração Lavoura-Pecuária, que reduziram a idade média de abate e aumentaram a oferta de animais terminados. No quarto trimestre de 2025, foram abatidas 11,043 milhões de cabeças, número 14% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, ainda que 2,7% abaixo do terceiro trimestre, reflexo da sazonalidade típica do final de ano.
Frangos e suínos também entram para a história
O setor de aves seguiu o mesmo ritmo. O abate de frangos totalizou 6,69 bilhões de aves em 2025, alta de 3,1% frente a 2024, com o quarto trimestre registrando 1,714 bilhão de aves abatidas, crescimento de 5,7% sobre igual trimestre do ano anterior. O desempenho reflete a competitividade da avicultura brasileira, sustentada por eficiência genética, custo de produção controlado e crescente demanda tanto interna quanto nos mercados externos.
Na suinocultura, o recorde foi igualmente expressivo. O abate chegou a 60,69 milhões de cabeças em 2025, crescimento de 4,3% sobre o ano anterior. No último trimestre, foram 15,286 milhões de animais abatidos, com alta de 5,8% sobre o mesmo trimestre de 2024. A queda trimestral de 3,5% em relação ao terceiro trimestre segue o padrão sazonal do setor e não compromete a leitura geral do ano.
Para Rodrigo Alvim Braga, analista de mercados agropecuários e professor da Universidade Federal de Viçosa, o desempenho simultâneo de bovinos, frangos e suínos em 2025 tem explicação direta na eficiência da cadeia produtiva. “O Brasil não cresceu apenas em volume. Cresceu com ganho de eficiência. A redução no tempo de confinamento, a adoção de genética mais produtiva e o avanço do manejo nutricional contribuíram para que mais animais chegassem ao abate em menos tempo, sem comprometer a qualidade da carcaça.”
Couro bovino: volume recorde que alimenta o mercado global
O desempenho do rebanho bovino reverbera diretamente na cadeia coureira. Os curtumes brasileiros processaram 44,03 milhões de peças inteiras de couro bovino em 2025, alta de 9,8% sobre 2024, o maior volume já registrado. No quarto trimestre, foram 11,126 milhões de peças, com aumento de 11,8% sobre o terceiro trimestre do mesmo ano, embora com leve recuo de 2,4% frente ao quarto trimestre de 2024.
O couro brasileiro, reconhecido internacionalmente pela qualidade e rastreabilidade, segue como matéria-prima estratégica para indústrias de calçados, automóveis e artigos de luxo. O crescimento no volume disponível em 2025 amplia a capacidade exportadora do país e pressiona positivamente os preços no mercado internacional, beneficiando diretamente os curtumes nacionais.
Ovos: quase 5 bilhões de dúzias e um novo patamar produtivo
A produção de ovos de galinha também entrou para o rol de recordes. Foram 4,95 bilhões de dúzias produzidas em 2025, crescimento de 5,7% sobre 2024 e o maior volume já contabilizado pelo IBGE na série histórica. O quarto trimestre respondeu por 1,259 bilhão de dúzias, alta de 4,1% sobre igual período de 2024.
O resultado reflete a expansão do consumo interno, que cresceu de forma consistente nos últimos anos, aliada ao aumento das exportações, especialmente para países da América do Sul, Oriente Médio e Ásia. A avicultura de postura brasileira tem se beneficiado de grãos relativamente competitivos, avanços no bem-estar animal e adoção de modelos de produção mais intensivos e automatizados.
Segundo Guilherme Bellodi, consultor do setor de proteína animal com atuação no agronegócio brasileiro, o crescimento da produção de ovos acompanha uma mudança estrutural no consumo. “O ovo deixou de ser um alimento de conveniência para se tornar uma proteína de primeira escolha para uma parcela crescente da população brasileira. Isso sustenta a demanda interna e dá base para que o setor continue expandindo a produção com segurança de mercado.”


