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Agro

Açúcar sente peso da oferta abundante e fecha em queda nas bolsas internacionais

Produção crescente no Brasil e na Índia sustenta projeções de superávit e limita reação dos preços

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Açúcar sente peso da oferta abundante e fecha em queda nas bolsas internacionais

Os preços do açúcar encerraram a quinta-feira em território negativo, refletindo um ambiente global marcado por oferta robusta e projeções consistentes de superávit nas próximas safras. Embora os contratos tenham permanecido acima das mínimas recentes registradas no início da semana, o mercado segue limitado por um quadro estrutural de abundância.

Em Nova York, o contrato do açúcar bruto com vencimento em março recuou 0,17 centavo de dólar, ou 1,2%, encerrando a 14,27 centavos de dólar por libra-peso. Já em Londres, o açúcar branco para março caiu US$ 3,90, equivalente a 0,9%, fechando a US$ 407,90 por tonelada. O movimento confirma a dificuldade de recuperação consistente diante da leitura de oferta confortável no cenário internacional.

Projeções recentes da Czarnikow indicam um superávit global de 3,4 milhões de toneladas para a safra 2026/27, após um excedente ainda mais expressivo, de 8,3 milhões de toneladas, estimado para 2025/26. Sob essa ótica, o mercado passa a precificar não apenas a safra corrente, mas também a expectativa de continuidade do excedente nos ciclos seguintes.

Além disso, estimativas da Green Pool Commodity Specialists apontam superávit de 2,74 milhões de toneladas em 2025/26 e de 156 mil toneladas em 2026/27. Já a StoneX projeta um saldo positivo de 2,9 milhões de toneladas para 2025/26. Assim, a convergência das projeções reforça a percepção de que o mercado global permanece abastecido.

No início da semana, a pressão foi ainda mais intensa. O açúcar em Nova York atingiu o menor patamar em dois meses e meio, enquanto o contrato em Londres recuou à mínima em cinco anos. A combinação entre produção elevada e revisões sucessivas de superávit contribuiu para acelerar as vendas.

No Brasil, os dados da Unica mostram que a oferta segue em expansão. A produção acumulada de açúcar no Centro-Sul na safra 2025/26, até dezembro, alcançou 40,222 milhões de toneladas, avanço de 0,9% na comparação anual. Paralelamente, o mix de produção direcionado ao açúcar aumentou para 50,82%, ante 48,16% na safra anterior, indicando maior prioridade ao produto frente ao etanol.

Esse movimento no Centro-Sul reforça o papel do Brasil como principal fornecedor global, sobretudo em momentos de oferta confortável. Além disso, a manutenção de uma parcela maior da cana destinada ao açúcar amplia a disponibilidade exportável, pressionando ainda mais o equilíbrio global.

A Índia também contribui para o quadro de excedente. De acordo com a India Sugar Mill Association, a produção acumulada entre 1º de outubro e 15 de janeiro da safra 2025/26 atingiu 15,9 milhões de toneladas, crescimento de 22% na comparação anual. A entidade elevou a projeção de produção total para 31 milhões de toneladas no ciclo e, ao mesmo tempo, reduziu a estimativa de açúcar destinado ao etanol.

Consequentemente, a maior disponibilidade indiana pode abrir espaço para volumes adicionais no comércio internacional, ampliando a concorrência no mercado exportador. Esse fator, somado à produção brasileira robusta e às projeções globais de excedente, mantém o mercado operando sob viés baixista.

Dessa forma, enquanto não houver sinal concreto de redução relevante na oferta ou alteração significativa no mix produtivo dos principais players, as cotações tendem a permanecer pressionadas. O cenário atual indica que a abundância global continua sendo o principal vetor de formação de preço, limitando movimentos mais consistentes de recuperação nas bolsas internacionais.

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