O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) passou a integrar o Conselho Gestor do AgNest Farm Lab, a fazenda laboratório da Embrapa localizada em Jaguariúna, no interior de São Paulo. A entrada da instituição no colegiado, que já reunia Embrapa e Banco do Brasil, reforça a estrutura de governança do hub e amplia a capilaridade do projeto junto aos agricultores em todo o país.
O movimento consolida o AgNest como um dos ambientes mais estratégicos para o desenvolvimento e validação de tecnologias agropecuárias no Brasil, aproximando o ciclo completo da inovação: da pesquisa científica até a adoção prática no campo.
Inovação com presença no campo
A chegada do Senar ao conselho não é apenas institucional. A entidade conta com uma das maiores redes de formação e assistência técnica rural do país, o que oferece ao hub um ativo que vai além do financiamento ou da pesquisa aplicada: a proximidade direta com quem produz.
Para Tirso Meirelles, presidente do Sistema Faesp-Senar, a participação no conselho tem um propósito claro. “Ao participar do Conselho do AgNest, ampliamos essa ponte entre quem desenvolve tecnologia e quem precisa aplicá-la no dia a dia da produção”, destacou.
Essa conexão é determinante para que as tecnologias desenvolvidas no ambiente laboratorial saiam dos testes e cheguem, de fato, à rotina das propriedades rurais. Historicamente, um dos maiores gargalos da inovação agropecuária no Brasil não está na geração de tecnologia, mas na adoção. A presença do Senar no conselho atua diretamente sobre esse ponto.
O que é o AgNest Farm Lab
O AgNest Farm Lab funciona como uma fazenda laboratório dentro da estrutura da Embrapa em Jaguariúna, no estado de São Paulo. O hub opera como um ambiente controlado e real ao mesmo tempo: startups, empresas e instituições de pesquisa testam produtos, serviços e soluções em condições produtivas concretas, com infraestrutura técnica e monitoramento científico.
O modelo reduz o risco de adoção para o produtor rural, pois as tecnologias chegam ao mercado com validação em campo, e não apenas em laboratório. Aliás, esse formato de validação em ambiente real é cada vez mais valorizado por investidores e compradores de tecnologia no agronegócio.
Para a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, o crescimento das startups do agro no Brasil responde diretamente à demanda dos produtores por soluções mais eficientes. “Iniciativas colaborativas bem estruturadas mostram ao mundo a capacidade do país de gerar inovação de ponta”, afirmou.
Cinco startups selecionadas para a safra de inverno
Em dezembro de 2025, o AgNest selecionou cinco startups para testar seus produtos e serviços durante a safra de inverno na fazenda laboratório. As empresas escolhidas foram AgScore, C3 Ambiental, Insuma Biotecnologia, Mondi Energy e Nutralis, cada uma atuando em frentes distintas da cadeia produtiva agropecuária.
O processo seletivo considera a maturidade tecnológica das soluções e o potencial de escala para o mercado agro, além da compatibilidade com os objetivos de pesquisa da Embrapa. A safra de inverno funciona como o período de validação técnica, com dados coletados em condições reais de cultivo e manejo.
O conjunto das cinco startups contempla áreas que vão desde análise de dados e gestão de risco produtivo até biotecnologia, energia e nutrição animal, refletindo a diversidade de demandas do setor. Contudo, os resultados práticos de cada tecnologia serão conhecidos ao longo do ciclo da safra, com potencial de publicação técnica pela Embrapa ao término dos testes.
Governança tripartite como modelo
A composição do conselho gestor com Embrapa, Banco do Brasil e Senar forma uma estrutura tripartite que cobre pesquisa, crédito e formação rural. Esse arranjo institucional posiciona o AgNest Farm Lab como referência nacional em ambientes de inovação colaborativa para o agronegócio, com capacidade de conectar startups a uma rede de validação, financiamento e difusão que poucos hubs no mundo conseguem reunir em um mesmo projeto.
A tendência é que o modelo inspire iniciativas similares em outros biomas e regiões produtivas do Brasil, especialmente no Cerrado e no Sul, onde a pressão por ganhos de produtividade e sustentabilidade torna a adoção tecnológica uma prioridade crescente para os próximos ciclos agrícolas.



