Agro
Cacau em queda: o que está por trás da nova tendência nos preços globais
Publicado
7 meses atrásem
Por
Claudio P. Filla
A cotação do cacau nos mercados internacionais voltou a oscilar para baixo entre os dias 6 e 13 de junho, refletindo uma série de mudanças que vêm redesenhando o comportamento do setor neste primeiro semestre. Apesar de o início de 2024 ter sido marcado por alta volatilidade e temores de escassez, o cenário atual inspira mais cautela do que alarde.
De acordo com a StoneX, uma das maiores consultorias de inteligência financeira e agrícola do país, a recente recomposição dos estoques certificados nas bolsas internacionais ajudou a conter a pressão sobre os preços. Esse movimento de reposição vem sendo interpretado por analistas como um sinal de que o pior momento da crise de oferta pode ter sido superado — pelo menos temporariamente.
Além disso, as chuvas retornaram com mais regularidade em países-chave na produção de cacau, como Costa do Marfim e Gana. O retorno do regime hídrico mais equilibrado favorece diretamente o desenvolvimento das lavouras e, consequentemente, a expectativa de uma safra mais volumosa e saudável. “As condições climáticas começaram a colaborar, e isso muda radicalmente a percepção de risco que o mercado vinha adotando”, explica Lucas Almeida, engenheiro agrônomo e consultor de commodities agrícolas no Paraná. Segundo ele, a presença constante de chuvas é determinante para evitar perdas de produtividade e doenças no cultivo, como a monilíase.
Com a oferta começando a se estabilizar e os estoques em processo de recuperação, compradores e vendedores adotam uma postura mais conservadora. O mercado monitora agora cada novo boletim climático e estatístico com atenção redobrada. Relatórios de colheita previstos para as próximas semanas devem indicar se essa tendência de baixa nos preços será passageira ou mais duradoura.
Ainda assim, analistas preferem adotar prudência. A volatilidade segue sendo uma característica do setor, especialmente em um ano em que fenômenos climáticos como El Niño e La Niña ainda podem influenciar a produção. “Mesmo com os estoques subindo, o mercado não está completamente seguro. Tudo depende de como se comportará o clima nos próximos dois meses”, avalia André Amorim, economista com foco no agronegócio. Para ele, a reação do mercado futuro ao aumento dos estoques é um reflexo de um alívio momentâneo, mas não suficiente para afastar riscos no médio prazo.
Enquanto isso, o Brasil também acompanha os desdobramentos. Embora a produção nacional represente uma fatia menor do mercado global, os preços internacionais influenciam diretamente os contratos internos. Produtores da Bahia e do Pará, por exemplo, podem sentir os reflexos dessa nova conjuntura nas próximas semanas, especialmente se a tendência de maior oferta se confirmar.

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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