Agro
Clima desafia a produtividade do milho safrinha em 2025
Publicado
5 meses atrásem
Por
Claudio P. Filla
Entre a expectativa de uma supersafra e os desafios impostos por fenômenos climáticos cada vez mais imprevisíveis, o milho safrinha em 2025 se transformou em um termômetro da resiliência da agricultura brasileira. O cultivo, que ocupa uma posição estratégica no calendário agrícola do país, vem enfrentando adversidades associadas principalmente ao clima, afetando diretamente a produtividade agrícola em estados-chave como Mato Grosso, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul.
A instabilidade começou ainda na safra de soja 2024/2025, que registrou atrasos significativos no plantio, empurrando o calendário do milho safrinha para fora da chamada “janela ideal”. De acordo com o engenheiro agrônomo e consultor técnico João Arthur Bonetti, esse descompasso é preocupante. “Ao plantar mais tarde, o milho entra em seu estágio reprodutivo justamente no período mais seco e quente do outono. Isso impacta diretamente a formação das espigas e reduz o potencial de grãos por hectare”, afirma.
Além do deslocamento no calendário, o clima e agronegócio vêm travando um duelo cada vez mais delicado. Em 2025, a combinação entre chuvas irregulares e temperaturas elevadas no centro-sul do país resultou em estresse hídrico em diversas lavouras. Mesmo com cultivares mais tolerantes e manejo tecnológico avançado, os produtores não conseguiram evitar perdas significativas em algumas regiões, o que já reflete em ajustes nas projeções de produtividade nacional.
Segundo a meteorologista e especialista em agrometeorologia Camila Torres, o comportamento do clima nos últimos anos acende um alerta para a necessidade de adaptação no setor. “Eventos como El Niño e La Niña estão mais intensos e duradouros, o que afeta diretamente o regime de chuvas e a distribuição térmica. É fundamental investir em previsões mais precisas e no redesenho de estratégias de plantio”, destaca.
Mesmo com as adversidades, a tecnologia tem sido uma aliada na tentativa de mitigar perdas. A adoção de sementes híbridas mais resistentes ao estresse hídrico, o uso de sensores no solo e o mapeamento climático em tempo real são práticas cada vez mais comuns entre os produtores. Entretanto, o desafio maior continua sendo a tomada de decisão dentro de um cenário incerto e, muitas vezes, volátil.
Outro ponto sensível é o impacto econômico gerado por safras irregulares. Com menor volume colhido, a oferta interna de milho pode diminuir, pressionando preços e influenciando a cadeia produtiva, especialmente setores que dependem do grão como matéria-prima, como a produção de ração animal. Além disso, o Brasil, que se consolidou como um dos maiores exportadores de milho do mundo, pode enfrentar dificuldades para cumprir contratos internacionais se a produtividade continuar oscilando.
Mesmo diante desse cenário desafiador, especialistas reforçam que o milho safrinha continua sendo uma cultura estratégica para o Brasil. Contudo, a permanência desse protagonismo exigirá uma leitura cada vez mais refinada do clima, políticas públicas que incentivem a pesquisa e o desenvolvimento agrícola, e uma constante atualização por parte dos produtores. Como observa Bonetti, “o futuro da produtividade no campo passa, inevitavelmente, pela capacidade do agronegócio em se adaptar às mudanças do tempo”.

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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