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Maçã brasileira projeta salto histórico nas exportações após anos de adversidade climática

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Maçã brasileira projeta salto histórico nas exportações após anos de adversidade climática

Depois de duas temporadas marcadas por instabilidade climática e perdas significativas nos pomares do Sul do Brasil, o setor da maçã inicia um novo ciclo com perspectivas mais otimistas. A safra 2025/26 surge como símbolo de retomada produtiva, equilíbrio de mercado e fortalecimento das exportações, em um movimento que pode redefinir o desempenho recente da fruticultura nacional.

De acordo com projeções da Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), a colheita deve alcançar entre 1,05 milhão e 1,15 milhão de toneladas, volume que representa um crescimento expressivo frente às 850 mil toneladas registradas na temporada anterior. Trata-se de um avanço que não apenas recompõe perdas recentes, mas também recoloca o Brasil em um patamar próximo da sua média histórica de produção.

Recuperação após excesso de chuvas no principal polo produtor

O desempenho abaixo do esperado nas últimas duas safras esteve diretamente ligado ao excesso de chuvas na Região Sul, especialmente no segundo semestre de 2023 e em maio de 2024. O fenômeno comprometeu a formação dos frutos, reduziu o calibre e afetou a qualidade comercial, impactando tanto o mercado interno quanto a disponibilidade para exportação.

Segundo Moisés Lopes de Albuquerque, diretor executivo da ABPM, o setor precisou priorizar o abastecimento interno diante da escassez de excedentes. “A indústria brasileira da maçã sempre privilegia o mercado doméstico e, tradicionalmente, exporta apenas entre 5% e 10% do que produz. Nas duas últimas safras praticamente não houve excedente para o mercado externo, o que levou os exportadores a embarcar volumes reduzidos apenas para manter relações comerciais já consolidadas”, explica.

Agora, entretanto, o cenário se altera significativamente. Com a normalização climática e a retomada produtiva, o setor projeta exportar cerca de 60 mil toneladas, um salto de 338% em relação às 13,7 mil toneladas embarcadas no ciclo anterior. Caso se confirme, será o maior volume exportado nos últimos cinco anos.

Mercado externo aquecido e valorização em dólar

Além da recomposição da oferta, outro fator que favorece o aumento das exportações é o contexto internacional. Nos últimos anos, houve valorização do preço médio da maçã brasileira em dólar, o que amplia a competitividade do produto no exterior.

Os principais destinos da fruta nacional incluem Índia, Portugal, Irlanda, Emirados Árabes Unidos, Rússia, Reino Unido e Arábia Saudita. Esses mercados valorizam atributos como firmeza da polpa, equilíbrio entre açúcar e acidez e padronização visual — características que vêm sendo reforçadas pelos investimentos em tecnologia e manejo nos pomares brasileiros.

Albuquerque ressalta, contudo, que a política setorial permanece focada no mercado interno. “Mesmo com o aumento das exportações, a maior parte da produção continuará sendo direcionada ao consumidor brasileiro, que historicamente absorve o grosso da oferta”, afirma.

Qualidade superior amplia competitividade

Se por um lado o volume chama atenção, por outro a qualidade da safra 2025/26 também se destaca. A ABPM informa que os pomares estão entregando frutos com excelente coloração, maior suculência e equilíbrio mais preciso entre açúcar e acidez, além de calibre superior ao observado em temporadas recentes.

Esses atributos não apenas agregam valor comercial, como também fortalecem a imagem da maçã brasileira nos mercados internacionais. Em um setor altamente tecnificado, onde controle fitossanitário, manejo de irrigação e escolha de cultivares são decisivos, o desempenho atual reflete anos de investimento em inovação e sustentabilidade.

Para Francisco Schio, presidente da ABPM, o início da safra simboliza mais do que a colheita propriamente dita. “Estamos iniciando um ciclo dentro da normalidade produtiva, com qualidade e volumes equilibrados. O setor da maçã é altamente tecnificado, gera milhares de empregos e segue investindo em inovação e sustentabilidade, o que consolida o Brasil como produtor competitivo e confiável”, destaca.

Vacaria marca abertura oficial da nova temporada

A abertura oficial da safra 2025/2026 será realizada em 7 de fevereiro, em Vacaria, no Rio Grande do Sul — município que figura entre os maiores produtores do país. O evento acontece no Pomar Cantina – Rasip Agro, às 9h30, e reúne produtores, lideranças e representantes do setor para celebrar a retomada produtiva.

Mais do que um ato simbólico, a cerimônia reforça a importância econômica e social da cadeia produtiva da maçã, que movimenta milhares de empregos diretos e indiretos, impulsiona a logística regional e fortalece a presença brasileira no comércio internacional de frutas.

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    Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.

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