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Preços da cesta básica recuam em dezembro puxados por alimentos essenciais

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Preços da cesta básica recuam em dezembro puxados por alimentos essenciais

O encerramento de 2025 trouxe um respiro pontual para parte das famílias brasileiras no custo da alimentação. Dados da Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preços da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, mostram que, em dezembro, o valor do conjunto de alimentos básicos diminuiu em nove capitais do país, permaneceu estável em uma e aumentou nas demais.

Ainda que o movimento não tenha sido homogêneo, a redução observada em cidades específicas reflete o impacto direto da queda nos preços de produtos considerados essenciais no dia a dia, como leite, arroz, açúcar, café e óleo de soja. Esses itens, amplamente consumidos pelas famílias, tiveram comportamento mais favorável no varejo, contribuindo para um alívio localizado no orçamento doméstico.

Diferenças regionais seguem marcantes

Entre novembro e dezembro, os maiores aumentos da cesta básica foram registrados em capitais como Maceió, Belo Horizonte, Salvador, Brasília e Rio de Janeiro, reforçando a pressão inflacionária ainda presente em parte do país. Por outro lado, quedas mais expressivas ocorreram em Porto Velho, Boa Vista, Rio Branco, Manaus e Curitiba, regiões onde fatores como oferta local, logística e composição diferenciada da cesta influenciaram os resultados.

São Paulo manteve-se como a capital com o maior custo médio da cesta básica, superando R$ 845, valor que evidencia o peso da alimentação no orçamento das famílias que vivem nos grandes centros urbanos. Na outra ponta, cidades do Norte e do Nordeste apresentaram os menores valores médios, com destaque para Aracaju, Maceió e Porto Velho, onde a estrutura de consumo e os preços regionais resultam em custos mais baixos.

Alimentos que puxaram a redução dos preços

O arroz agulhinha foi o item com comportamento mais favorável no país, registrando queda de preço na ampla maioria das capitais. A retração está associada, principalmente, à redução do volume exportado e à demanda interna mais contida, fatores que ampliaram a oferta no mercado doméstico e pressionaram os preços para baixo no varejo.

O leite integral também apresentou recuo relevante em grande parte das cidades analisadas. A combinação entre maior produção no campo e importações de derivados contribuiu para o aumento da disponibilidade do produto, refletindo diretamente nos preços pagos pelo consumidor. Em algumas capitais, no entanto, o movimento foi oposto, indicando que o comportamento do mercado ainda varia conforme as dinâmicas regionais.

O açúcar seguiu a mesma tendência, com reduções disseminadas em boa parte do país, favorecido por maior oferta no varejo. Já o café em pó apresentou queda em diversas capitais, influenciado por um cenário internacional mais adverso às exportações, o que acabou redirecionando parte da produção para o mercado interno. O óleo de soja, por sua vez, teve seu preço impactado pela maior oferta global do grão, ainda que algumas cidades tenham registrado elevação pontual.

Salário mínimo e o peso da alimentação

Apesar da redução observada em algumas regiões, os dados reforçam que o custo da alimentação continua elevado em relação à renda. Em dezembro de 2025, o salário mínimo necessário para garantir o sustento de uma família de quatro pessoas ultrapassou R$ 7,1 mil, valor que corresponde a mais de quatro vezes o piso nacional vigente no período.

O tempo médio de trabalho exigido para a compra da cesta básica também permaneceu alto, aproximando-se de 99 horas mensais nas capitais pesquisadas. Quando se considera o salário mínimo líquido, após os descontos previdenciários, quase metade da renda do trabalhador foi comprometida exclusivamente com a aquisição de alimentos básicos, evidenciando que o alívio observado em dezembro ainda é insuficiente para alterar de forma estrutural o cenário de insegurança alimentar.

Ampliação da pesquisa fortalece o diagnóstico

A inclusão das 27 capitais brasileiras na Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, resultado da parceria entre Conab e DIEESE, ampliou a capacidade de análise sobre o custo da alimentação no país. A iniciativa fortalece as políticas públicas de abastecimento e segurança alimentar, oferecendo um retrato mais completo das disparidades regionais e dos desafios enfrentados pelas famílias brasileiras no acesso a alimentos essenciais.

Os dados de dezembro indicam que, embora haja sinais pontuais de desaceleração nos preços, o comportamento da cesta básica segue condicionado a fatores econômicos, climáticos e logísticos, mantendo o tema no centro do debate sobre renda, consumo e qualidade de vida no Brasil.

  • Preços da cesta básica recuam em dezembro puxados por alimentos essenciais

    Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.

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