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Besouro africano se espalha por palmeiras e desafia a agricultura paulista

Com alta capacidade destrutiva, praga mobiliza ações emergenciais de controle e fiscalização

by Derick Machado
16 de outubro de 2025
in Noticias
Foto: Secretaria Agricultura SP

Foto: Secretaria Agricultura SP

Com nome discreto, mas potencial devastador, o bicudo-vermelho-das-palmeiras já é visto pelas autoridades agrícolas como um dos principais riscos emergentes ao agronegócio nacional. Nativo do continente africano, o inseto da espécie Rhynchophorus ferrugineus foi oficialmente detectado no Brasil em janeiro de 2022, despertando preocupação crescente em setores que dependem diretamente das palmeiras — especialmente as culturas de coco, dendê e palmito pupunha, além das espécies ornamentais amplamente utilizadas no paisagismo.

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Desde sua identificação no estado de São Paulo por uma equipe técnica do Instituto Biológico, com confirmação feita por análises taxonômicas e moleculares, o besouro tem sido alvo de monitoramento constante. Ainda que discreto à primeira vista, o avanço da praga tem sido silencioso e progressivo. Indícios apontam que sua entrada no território nacional teria ocorrido pelo Rio Grande do Sul, proveniente do Uruguai, através do trânsito irregular de mudas contaminadas. A partir daí, surgiram registros em outros estados, como Minas Gerais, evidenciando o risco de dispersão territorial.

O impacto direto sobre palmeiras produtivas e ornamentais

O perigo do bicudo-vermelho está no ciclo reprodutivo da espécie. As fêmeas perfuram os tecidos da planta para depositar seus ovos, e as larvas, ao emergirem, alimentam-se do palmito e dos tecidos internos, comprometendo o desenvolvimento da planta. Esse processo provoca danos irreversíveis e leva, muitas vezes, à morte da palmeira, especialmente em fases jovens ou em exemplares de grande porte cultivados em maciços ou fileiras.

Embora o impacto visual possa ser sutil no início, os prejuízos econômicos e ecológicos podem ser expressivos. Em experiências observadas fora do Brasil, especialmente na Europa e no Oriente Médio, a disseminação desse besouro foi responsável pela destruição em larga escala de palmeiras nativas e cultivadas, afetando cadeias produtivas inteiras e ecossistemas locais.

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A ameaça não se restringe ao campo produtivo. Jardins botânicos, parques urbanos e projetos de paisagismo também estão na linha de frente do risco, já que muitas palmeiras exóticas ornamentais utilizadas em ambientes urbanos estão entre as espécies vulneráveis à infestação.

Monitoramento técnico e estratégias de contenção

Para conter o avanço da praga e preservar a integridade das plantações, o Estado de São Paulo reforçou as ações de vigilância fitossanitária por meio da Coordenadoria de Defesa Agropecuária e do Instituto Biológico. Além da fiscalização intensiva em viveiros e pontos de venda de mudas, as autoridades vêm promovendo capacitações técnicas voltadas a engenheiros agrônomos e fiscais estaduais.

Esses treinamentos abordam o reconhecimento visual da praga em todas as fases do ciclo de vida — desde os ovos até o inseto adulto — e ensinam como identificar os sintomas iniciais da infestação nas plantas, como perfurações, secreções e coloração alterada no estipe. Outro foco do trabalho são os protocolos de monitoramento preventivo, que incluem armadilhas com feromônio sexual, inspeções visuais rotineiras e análises laboratoriais de amostras suspeitas.

Além disso, toda a movimentação de mudas e palmeiras exige documentação fitossanitária obrigatória, como o CFO (Certificado Fitossanitário de Origem), o CFOC (Certificado de Origem Consolidado) e o PTV (Permissão de Trânsito de Vegetais). Esses documentos são exigidos para garantir a rastreabilidade e reduzir o risco de disseminação acidental do bicudo-vermelho entre estados e regiões.

Cooperação institucional e resposta integrada

As ações realizadas no Estado seguem as diretrizes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que estabeleceu estratégias nacionais para lidar com organismos considerados quarentenários. Isso significa que a presença do bicudo-vermelho não só representa uma ameaça local, mas se insere em um contexto de segurança fitossanitária nacional.

⚠️ Aviso de caráter informativo e técnico
As informações aqui apresentadas são para fins informativos. O controle efetivo da praga depende de fatores técnicos específicos (tipo de solo, estado das plantas, clima, monitoramento contínuo e recursos disponíveis).
As recomendações não substituem avaliação de especialistas fitossanitários, agrônomos ou órgãos oficiais de defesa agropecuária.

  • Derick Machado

    Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em agronegócio. Acompanha de perto as principais pesquisas, tecnologias e movimentos de mercado que impactam produtores rurais brasileiros, com base em fontes institucionais como Embrapa, Cepea/Esalq, MAPA e IBGE.

    E-mail:  contato@agronamidia.com.br

Via: Fonte: Secretaria Agricultura SP
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