O Parque Ecológico de São Carlos recebe neste sábado, 25 de abril, uma das ações mais completas de ciência cidadã já realizadas na cidade. O projeto BioFuturo na Cidade, vinculado à Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), promove mais uma edição da BioBlitz no Pesc, um mutirão de observação da natureza que ocupa a área verde das 8 horas às 16h30 e é aberto a qualquer pessoa interessada, sem cobrança de ingresso.
A proposta vai além de um simples passeio ecológico. Durante o evento, participantes de todas as idades se tornam observadores ativos da biodiversidade local, registrando aves, coletando insetos, identificando plantas, fungos e peixes, e documentando tudo por meio de fotografias. Cada registro contribui para um mapeamento real do que vive dentro dos limites do parque, dados que alimentam pesquisas e ajudam a entender como os ecossistemas urbanos funcionam e resistem à pressão das cidades.
Da observação de aves à poesia: uma programação que conecta ciência e cultura
A BioBlitz no Pesc foi estruturada para contemplar diferentes perfis de público ao longo do dia. A programação começa às 8 horas com a observação, fotografia e registro de aves, momento em que a movimentação ainda é baixa e os pássaros estão mais ativos. Às 9h30, a atenção se volta para insetos como abelhas e vespas, com coleta, identificação e contagem das espécies encontradas no parque, atividade que dialoga diretamente com o papel dos polinizadores na manutenção da vegetação urbana.
A partir das 11 horas, o evento ganha outro contorno com a oficina de Haicai, pequenas poesias de origem japonesa que capturam a essência de um momento na natureza em apenas três versos. A escolha não é aleatória: o Haicai tem relação histórica com a observação do mundo natural e funciona como uma ferramenta sensível de aproximação entre as pessoas e o ambiente ao redor. Às 14 horas, a oficina “A cidade ao meu redor” retoma o olhar científico para o entorno urbano, seguida, às 14h30, pelas coletas e registros de peixes, fungos e plantas. O encerramento, às 16 horas, é do grupo musical Amigos do Violão, que fecha o dia num tom de celebração do que foi descoberto.
Ciência feita por quem mora na cidade
O conceito de BioBlitz surgiu nos Estados Unidos na década de 1990 e se consolidou como uma das metodologias mais eficazes de levantamento rápido de biodiversidade. A lógica é simples e poderosa: concentrar o maior número possível de observadores em uma área durante um período determinado para registrar o máximo de espécies. O que diferencia o modelo do BioFuturo na Cidade é o compromisso com a formação do olhar cidadão, ou seja, não se trata apenas de coletar dados para a ciência, mas de fazer com que quem participa passe a enxergar o parque de forma diferente depois do evento.
Áreas verdes urbanas como o Pesc cumprem funções ecológicas que vão muito além do lazer. Além de servir como corredor para fauna silvestre, esses espaços regulam a temperatura local, filtram poluentes, retêm água das chuvas e abrigam espécies que dependem de fragmentos de vegetação nativa para sobreviver no meio urbano. Mapear o que vive nesses ambientes é, portanto, uma forma concreta de subsidiar políticas públicas de conservação e planejamento urbano.
Como participar
O evento é gratuito e a inscrição deve ser feita previamente via formulário eletrônico. O Parque Ecológico de São Carlos está localizado na Estrada Municipal Guilherme Scatena, Km 2, s/n, no bairro Espraiado. Mais informações podem ser solicitadas pelo e-mail contatobiofuturo@gmail.com.




