O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou, nesta terça-feira (7), a abertura de dois novos mercados para o agronegócio brasileiro. O Peru autorizou a importação de sementes de pimenta da espécie Capsicum baccatum, que reúne variedades como dedo-de-moça, cumari e cambuci. Já as Filipinas passarão a receber grãos secos de destilaria de milho, conhecidos pela sigla DDG, insumo de alto valor na formulação de rações para alimentação animal.
As duas aberturas não partem do zero. O Peru já é um destino consolidado do agro nacional: em 2025, o país vizinho importou mais de US$ 729 milhões em produtos brasileiros, com destaque para produtos florestais, carne de frango, óleo de soja e café. A pimenta Capsicum baccatum chega, portanto, a uma relação comercial madura, diversificando uma pauta que até então se concentrava em commodities de maior volume.
DDG: o subproduto do milho que vira proteína nas Filipinas
O caso das Filipinas é ainda mais expressivo em termos de volume financeiro. O país importou, no ano passado, mais de US$ 1,8 bilhão em produtos agropecuários brasileiros, com carnes, cereais e farinhas liderando as compras. A inclusão do DDG na pauta representa um passo estratégico, pois o produto agrega valor direto à cadeia do milho: originado do processo de produção de etanol, o DDG concentra proteína, fibra e gordura, sendo amplamente utilizado na nutrição de suínos e aves, justamente os segmentos que mais crescem no sudeste asiático.
O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de milho e possui capacidade instalada para atender a demandas crescentes por esse tipo de co-produto. Consequentemente, a abertura das Filipinas posiciona o país para competir num mercado onde a demanda por ingredientes proteicos na ração animal segue em expansão contínua.
557 aberturas e uma estratégia de longo prazo
Com os dois anúncios desta semana, o agronegócio brasileiro alcança 557 aberturas de mercado desde o início de 2023, ritmo que reflete um trabalho sistemático de negociação sanitária e diplomacia comercial conduzido pelo Mapa junto a organismos internacionais e autoridades veterinárias e fitossanitárias de cada país.
A lógica por trás desse número vai além da conquista de novos clientes. Cada abertura reduz a dependência de poucos compradores e distribui o risco da pauta exportadora, o que se traduz em maior estabilidade de receita para o produtor brasileiro nos momentos de volatilidade dos mercados globais. Aliás, a diversificação para Peru e Filipinas reforça exatamente esse movimento: dois países com perfis de consumo distintos, em regiões geográficas opostas, absorvendo produtos que até ontem não tinham acesso formal ao mercado brasileiro.



