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Brasil celebra Mariangela Hungria, referência internacional em microbiologia do solo

Medalha entregue pelo Mapa destaca quatro décadas de pesquisa que reduziram fertilizantes químicos, ampliaram produtividade e projetaram a ciência brasileira no exterior

by Derick Machado
6 de novembro de 2025
in Noticias
Foto: Gerardo Lazzari /Embrapa

Foto: Gerardo Lazzari /Embrapa

Resumo
  • Mariangela Hungria recebeu a Medalha de Mérito Apolônio Salles por sua trajetória na Embrapa e por liderar o uso de bioinsumos em grande parte da agricultura brasileira.
  • Suas tecnologias, como a inoculação e coinoculação de microrganismos, estão presentes em 85% da área de soja cultivada no país, gerando economia e redução de emissões.
  • A cientista foi a primeira brasileira a vencer o World Food Prize, o “Nobel da Agricultura”, e entrou na lista TIME100 Climate 2025 pelas contribuições ao meio ambiente.
  • Com mais de 500 publicações e 30 tecnologias lançadas, Mariangela dedicou sua carreira à substituição de fertilizantes químicos por soluções sustentáveis.
  • Sua atuação será destaque na COP30, em Belém, onde defenderá o uso de bioinsumos como solução eficaz para a segurança alimentar e redução de gases de efeito estufa.

A cerimônia realizada no Ministério da Agricultura e Pecuária, em Brasília, marcou mais do que a entrega de uma medalha. Ao conceder a Medalha de Mérito Apolônio Salles à pesquisadora da Embrapa Soja Mariangela Hungria, o ministro Carlos Fávaro reconheceu uma trajetória que ajudou o Brasil a sair da dependência de insumos químicos e a se tornar protagonista mundial no uso de tecnologias biológicas para a produção de alimentos.

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O encontro, realizado no auditório Olacyr de Moraes, destacou que se trata de uma carreira construída com coerência científica, resultados no campo e impacto direto na segurança alimentar. Ao discursar, Fávaro fez questão de relacionar o prêmio à história da própria Embrapa. “A Embrapa é orgulho do Brasil e referência mundial. Em todas as agendas internacionais, todos querem parceria com a Embrapa. Esta medalha entregue à Mariangela representa também 52 anos de história da instituição”, afirmou o ministro, lembrando que a pesquisadora foi responsável por desenvolver tecnologias que hoje estão presentes na maior parte das lavouras de soja do país.

Ele também anunciou que esta será a única entrega da honraria em seu mandato, reforçando o caráter excepcional da homenagem: “É uma homenagem verdadeira, de grandeza equivalente à grandeza da homenageada. O Brasil lidera hoje o avanço dos bioinsumos no mundo, e isso tem o dedo da Mariangela”.

Reconhecimento que vem de dentro da casa

Em seu agradecimento, Mariangela Hungria evidenciou o peso simbólico de ser reconhecida pela instituição à qual dedicou sua vida profissional. Segundo ela, receber a medalha no próprio Ministério da Agricultura e Pecuária e tendo a Embrapa como base técnica e institucional torna a conquista ainda mais significativa.

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“Eu sempre digo que considero a Embrapa o braço de ciência e tecnologia do Mapa, então sempre me senti muito à vontade aqui. Ser reconhecida dentro da nossa própria casa tem um valor imenso”, afirmou. A pesquisadora fez questão de dividir o prêmio com equipes de pesquisa, estudantes e colegas que ajudaram a consolidar a agricultura baseada em microrganismos no Brasil. “Esse prêmio não é meu, é de todos que trabalharam comigo. Dedico esta medalha às mulheres da ciência e da agricultura, muitas vezes invisíveis, mas essenciais para a segurança alimentar do país”, disse.

Esse olhar coletivo fica ainda mais expressivo quando se considera o momento em que a medalha foi entregue. A homenagem ocorreu poucos dias depois de Mariangela ter recebido, em Des Moines, nos Estados Unidos, o World Food Prize 2025, conhecido como o “Nobel da Agricultura”. Ao conquistar o prêmio, ela se tornou a primeira brasileira e apenas a décima mulher no mundo a alcançar esse patamar, o que reafirma o lugar da ciência brasileira no debate global sobre produção de alimentos e sustentabilidade.

A cientista que fez do solo uma fonte de fertilidade

Formada em Engenharia Agronômica pela Esalq/USP, com mestrado em Solos e Nutrição de Plantas e doutorado em Ciência do Solo, Mariangela ingressou na Embrapa em 1982 e desde então dirigiu seus esforços à microbiologia do solo. Seu objetivo era claro: mostrar que microrganismos bem selecionados podem substituir total ou parcialmente os fertilizantes nitrogenados, reduzir custos de produção e ao mesmo tempo proteger o meio ambiente. Esse caminho permitiu ao Brasil consolidar um modelo de produção agrícola que alia alta produtividade com redução de emissões.

As tecnologias que ajudou a desenvolver estão hoje em aproximadamente 85% da área de soja cultivada no país, além de terem sido adaptadas para culturas como feijão, milho, trigo e pastagens. A adoção em larga escala da inoculação com bactérias fixadoras de nitrogênio, especialmente Bradyrhizobium, tornou possível que o produtor alcançasse altos rendimentos sem recorrer ao uso de adubos nitrogenados, tradicionalmente caros e dependentes do mercado externo. Em 2024, somente a substituição desses fertilizantes por bioinsumos gerou uma economia estimada de US$ 25 bilhões para o Brasil e evitou a emissão de mais de 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalentes na atmosfera, resultados que traduzem a dimensão ambiental e econômica da pesquisa.

Inovações que chegam ao produtor

Ao longo de mais de quatro décadas de trabalho, Mariangela participou do lançamento de mais de 30 tecnologias com foco na fixação biológica de nitrogênio e no uso de bactérias promotoras de crescimento de plantas. A inoculação anual da soja, mesmo em áreas já inoculadas anteriormente, garante em média 8% de incremento na produção de grãos, o que é expressivo quando se pensa em milhões de hectares.

Além disso, a cientista foi uma das responsáveis por introduzir, no Brasil, a coinoculação de soja, combinando Bradyrhizobium com Azospirillum brasilense para potencializar o desenvolvimento da planta. Em pouco mais de uma década, essa tecnologia já alcançou cerca de 35% da área total de soja cultivada, o que demonstra o grau de confiança do produtor rural nas soluções da Embrapa.

O avanço não ficou restrito à oleaginosa. A pesquisadora coordenou trabalhos que permitiram recomendar rizóbios e coinoculação para o feijoeiro e ampliar o uso de Azospirillum para o milho, o trigo e pastagens de braquiária. Em 2021, sua equipe apresentou uma inovação que possibilita reduzir em 25% a adubação nitrogenada de cobertura no milho por meio da inoculação com Azospirillum, gerando ganhos diretos ao produtor e reduzindo a pegada de carbono da cultura. Esse tipo de resultado ajuda a explicar por que a ciência pública brasileira é hoje referência quando o assunto é agricultura de baixo carbono.

A força da ciência pública brasileira

A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, ressaltou na solenidade que a medalha repousa sobre o nome de uma pesquisadora, mas representa o esforço de décadas da empresa em provar que é possível produzir mais com menos impacto ambiental. “Esta medalha repousa sobre os ombros da Mariangela, mas suas raízes estão fincadas em quatro décadas de pesquisa e milhões de hectares transformados.

Ela mostrou ao Brasil e ao mundo que o solo não é só chão, é vida”, afirmou. Para Massruhá, que é a primeira mulher a presidir a Embrapa, o reconhecimento internacional de Mariangela reforça o papel da empresa como indutora de inovação e garante que novas gerações de cientistas possam seguir o mesmo caminho. “Com ciência pública e compromisso social, a Embrapa seguirá formando muitas outras Mariangelas”, declarou.

A história da pesquisadora também se conecta a nomes que marcaram a ciência tropical. No doutorado, ela foi orientada pela referência mundial Johanna Döbereiner, que abriu as portas para a fixação biológica de nitrogênio em culturas agrícolas e mostrou que os trópicos poderiam ter um modelo de produção distinto do adotado em países de clima temperado. A partir dessa base, Mariangela aprofundou a pesquisa, firmou parcerias nacionais e internacionais, realizou pós-doutorados em universidades dos Estados Unidos e Espanha e hoje contabiliza mais de 500 publicações científicas, técnicas e em livros, além de ter orientado mais de 200 alunos.

Prêmios, projeção internacional e agenda climática

O reconhecimento conquistado nos últimos anos mostra que a contribuição da pesquisadora ultrapassou a fronteira da agronomia e passou a ser vista também como uma ação estratégica para o clima. Mariangela integra a Ordem Nacional do Mérito Científico, é membro da Academia Brasileira de Ciências, da Academia Brasileira de Ciência Agronômica e da Academia Mundial de Ciências, além de figurar, desde 2020, entre os 100 mil cientistas mais influentes do mundo em levantamento da Universidade de Stanford. Em 2025, voltou ao topo das áreas de Fitotecnia, Agronomia e Microbiologia em listas internacionais que monitoram impacto científico.

No mesmo ano, ela recebeu o Prêmio Mulheres e Ciência, promovido pelo CNPq em parceria com o Ministério das Mulheres, o British Council e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe, e passou a integrar a lista TIME100 Climate 2025, que reúne as 100 personalidades mais influentes na agenda climática global. Ao comentar a inclusão, Mariangela destacou que trabalhar com bioinsumos é uma forma concreta de defender o planeta: “Trabalhar com a produção de alimentos almejando a segurança alimentar usando práticas sustentáveis que permitem ‘defender’ o planeta é um privilégio. Passei a vida pesquisando sobre a substituição de químicos por biológicos na agricultura, sempre que possível. Esse reconhecimento tem um valor enorme, pois valoriza a adoção de práticas sustentáveis na agricultura”, comemorou.

Essa atuação terá continuidade na COP30, em Belém (PA), onde a pesquisadora participará das ações da Embrapa na Agrizone. A proposta é apresentar, para governos e instituições internacionais, evidências de que a agricultura tropical consegue mitigar emissões de gases de efeito estufa quando adota inoculantes e tecnologias microbiológicas. “Espero transmitir a mensagem sobre a viabilidade do uso de produtos biológicos para substituir agroquímicos. Com isso, mitigamos a emissão de gases de efeito estufa e também aumentamos o acesso a alimentos de qualidade”, afirmou.

Uma trajetória coerente com o futuro do agro

Nascida em São Paulo em 1958 e criada em Itapetininga (SP), Mariangela sempre declarou que sua motivação veio da curiosidade sobre os elementos que sustentam a vida no campo: o solo, a água e o ar. Essa curiosidade se transformou em linha de pesquisa e, depois, em política pública, já que hoje os inoculantes fazem parte da rotina de plantio da soja brasileira. “Sempre acreditei na vida no solo, nos microrganismos restaurando a fertilidade, em uma agricultura altamente produtiva que não prejudica o meio ambiente. Nunca me desviei nem um milímetro do que eu acreditava”, ressaltou. Essa fidelidade científica permitiu que suas descobertas chegassem ao produtor e fossem incorporadas pelas principais cadeias produtivas.

A Medalha de Mérito Apolônio Salles, criada em 1987 para distinguir personalidades que prestam serviços relevantes à agricultura brasileira, ganha, portanto, um novo significado ao ser entregue a uma pesquisadora que transformou milhões de hectares com ciência. A solenidade contou com a presença do secretário-executivo adjunto do Mapa, Cleber Soares, além de representantes do setor produtivo, da academia e de instituições públicas, todos reconhecendo que o avanço brasileiro em bioinsumos tem nome, método e resultados concretos.

  • Derick Machado

    Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em agronegócio. Acompanha de perto as principais pesquisas, tecnologias e movimentos de mercado que impactam produtores rurais brasileiros, com base em fontes institucionais como Embrapa, Cepea/Esalq, MAPA e IBGE.

    E-mail:  contato@agronamidia.com.br

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