A BrasilAgro (AGRO3) anunciou a promoção de Eduardo Marrey ao cargo de diretor comercial, encerrando um ciclo de dez anos em que o executivo construiu, de dentro para fora, o entendimento sobre os mercados em que a companhia opera. Marrey deixa a posição de gerente-executivo para assumir a liderança da estratégia de vendas nos mercados nacional e internacional, com responsabilidade direta sobre um portfólio que ultrapassa 252 mil hectares distribuídos entre seis estados brasileiros, Paraguai e Bolívia.
A movimentação reflete uma escolha deliberada da companhia por continuidade técnica. Marrey é engenheiro agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, a Esalq/USP, e iniciou a carreira na Bunge, onde ficou por quase três anos. Passou ainda pela Agrifirma Brasil Agropecuária e pela Corretora Unicot antes de ingressar na BrasilAgro em 2016, chegando com um perfil que combinava vivência em tradings, no mercado de terras e na comercialização agrícola.
“Esse novo desafio amplia minha responsabilidade em uma área central da estratégia da empresa. O foco segue na disciplina comercial, na previsibilidade e na captura de valor da produção agrícola, em linha com o posicionamento da companhia”, afirma Marrey.
Gestão de ativos rurais como modelo e como exigência comercial
A BrasilAgro não opera como uma fazenda tradicional. O modelo de negócios da companhia combina a aquisição de terras com potencial de valorização, a transformação produtiva dessas áreas e a venda estratégica dos ativos, além da produção de grãos, cana-de-açúcar e outros produtos. Esse ciclo exige que a frente comercial esteja alinhada não apenas à safra corrente, mas ao plano de longo prazo da empresa.
Nesse contexto, a gestão de contratos, o relacionamento com compradores e a previsibilidade das receitas ganham peso equivalente ao da operação no campo. Marrey atuou diretamente nessas frentes ao longo dos anos como gerente-executivo, o que torna a transição para a diretoria menos uma mudança de perfil e mais uma ampliação de escopo.
“A trajetória construída ao longo desses anos permite aprofundar o entendimento do negócio e dos diferentes mercados em que a companhia atua. O objetivo é seguir contribuindo para decisões comerciais consistentes e alinhadas ao plano de longo prazo”, destaca o executivo.
Portfólio amplo, demanda por precisão comercial
A estrutura atual da BrasilAgro inclui 21 propriedades rurais, sendo 11 fazendas próprias e 10 áreas conduzidas em parcerias agrícolas. Das mais de 252 mil hectares totais, mais de 188 mil estão disponíveis para produção, o que coloca a companhia entre as maiores operadoras de ativos rurais do país com capital aberto na B3.
Operar em seis estados brasileiros, além de unidades no Paraguai e na Bolívia, significa lidar com calendários agrícolas distintos, diferentes pressões logísticas e mercados compradores com características próprias. A captura de valor da produção, termo central no discurso de Marrey, depende diretamente da capacidade de antecipar janelas de comercialização favoráveis e de manter contratos bem estruturados em cada uma dessas praças.