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Brasília recebe a maior conferência regional da FAO e coloca o Brasil no centro do debate global sobre fome

Pela primeira vez como sede da LARC39, o país apresenta políticas públicas reconhecidas internacionalmente enquanto a região enfrenta retrocessos na segurança alimentar

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Brasília recebe a maior conferência regional da FAO e coloca o Brasil no centro do debate global sobre fome

Entre os dias 2 e 6 de março, Brasília sedia a 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe — a LARC39. O evento não é protocolar. É o principal fórum de governança da FAO na região, onde ministros e representantes dos Estados-Membros sentam à mesa para definir, de forma concreta, as prioridades de trabalho da organização para os próximos dois anos.

O Brasil foi escolhido para sediar o evento por decisão dos próprios países-membros na edição anterior da conferência. A escolha reflete o peso do país nas discussões globais sobre segurança alimentar — e coloca o agro brasileiro no centro de um debate que vai muito além das fronteiras nacionais.

QU Dongyu em Brasília: o sinal político por trás da presença

A abertura oficial acontece no dia 4 de março e conta com a presença do Diretor-Geral da FAO, QU Dongyu. A participação direta do chefe da organização não é rotineira e reforça o peso estratégico desta edição. Ao lado dele, estarão os ministros Carlos Fávaro, do Ministério da Agricultura e Pecuária, e Paulo Teixeira, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, que lideram a conferência como anfitriões.

Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, e Mauro Vieira, titular das Relações Exteriores, também participam dos painéis temáticos ao longo da semana. A composição da bancada brasileira mostra que o governo trata o evento com seriedade política — e não apenas técnica.

Quatro prioridades que moldam o que acontece porteira para dentro

A conferência organiza o trabalho da FAO em quatro prioridades regionais. A primeira trata da produção eficiente, inclusiva e sustentável — o que, na prática, significa discutir como produzir mais sem ampliar o passivo ambiental. A segunda foca em acabar com a fome e garantir segurança alimentar e nutricional, pauta urgente em uma região onde 47 milhões de pessoas ainda não têm acesso regular à alimentação adequada.

A terceira prioridade envolve gestão sustentável de recursos naturais e adaptação às mudanças climáticas, tema que interessa diretamente ao produtor que enfrenta janelas de plantio cada vez mais imprevisíveis e quebras de safra associadas a eventos extremos. A quarta fecha o ciclo com a redução das desigualdades e da pobreza rural. Não são temas desconectados — na prática, cada um deles impacta a cadeia produtiva de uma ponta à outra.

A agenda técnica que o produtor precisa acompanhar

Na quarta-feira (4/3), o ministro Wellington Dias participa do painel sobre políticas eficazes para erradicar a fome e reduzir a desigualdade na região. Na quinta-feira (5/3), a discussão muda de foco: a mesa-redonda sobre transformação dos sistemas agroalimentares na América Latina e no Caribe recebe o secretário-executivo adjunto do Ministério da Agricultura, Cléber Soares. O mesmo dia marca o lançamento do Ano Internacional da Agricultora 2026, com a participação do ministro Mauro Vieira e da secretária-executiva Fernanda Machiaveli.

O encerramento, na sexta-feira (6/3), tem um formato diferente. A Embrapa Cerrados conduz uma visita de campo para apresentação de tecnologias aplicadas em estações experimentais — uma janela rara para mostrar ao mundo o que a pesquisa brasileira produz na prática. Paulo Teixeira ainda participa de mesa-redonda sobre gestão agrícola e florestal sustentável com foco em resiliência climática.

O Brasil como vitrine e como voz

Sediar a LARC39 não é apenas logística. O Brasil assume, de fato, um papel de liderança regional na construção da agenda agroalimentar para os próximos anos. Num momento em que a pressão sobre os sistemas produtivos cresce — seja pelo clima, pela volatilidade de preços ou pelas exigências de sustentabilidade dos mercados compradores — estar no centro desse debate é uma posição estratégica.

Para quem acompanha o agro, a conferência oferece um mapa claro das diretrizes que vão orientar políticas públicas, programas de financiamento e acordos regionais nos próximos dois anos. O evento pode ser acompanhado ao vivo, em português, espanhol, inglês e francês, pela plataforma oficial da FAO.

Fonte: Agência Gov | via Mapa

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