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Natureza

Cavalos produzem dois sons ao mesmo tempo — e a ciência acaba de entender como

Mecanismo vocal combina vibração de pregas e assobio laríngeo, ampliando alcance da comunicação entre animais

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Cavalos produzem dois sons ao mesmo tempo — e a ciência acaba de entender como

O relincho nunca foi um som qualquer. Quem convive com cavalos sabe que aquele chamado carrega urgência, reconhecimento, até ansiedade. Mas por trás da familiaridade estava um mistério anatômico: como um mamífero consegue emitir grave e agudo ao mesmo tempo, sem interromper um para produzir o outro?

A resposta veio de uma equipe que não se contentou em apenas ouvir. Publicado na revista Science, o estudo demonstrou pela primeira vez que cavalos operam dois sistemas vocais simultaneamente — algo que contraria o padrão de comunicação observado na maioria dos mamíferos.

Dois mecanismos, um único relincho

A parte grave do som funciona como a voz humana. As pregas vocais vibram conforme o ar passa pela laringe, gerando frequências baixas que carregam a base do chamado. Porém, enquanto isso acontece, outra estrutura entra em ação: o som agudo é produzido como um assobio, quando o fluxo de ar atravessa uma região específica da laringe equina.

Não é modulação. É produção simultânea. Os pesquisadores usaram equipamentos de imagem de alta resolução e testaram laringes de cavalos para mapear exatamente onde cada componente sonoro se originava. O resultado foi claro: os dois sons não apenas diferem em altura, mas também em origem física.

“A combinação entre vibração das pregas vocais e assobio laríngeo acontece de forma coordenada, sem que um interfira no outro. Isso amplia a complexidade acústica do relincho e pode explicar por que o som dos cavalos é tão facilmente reconhecível mesmo a grandes distâncias”, afirmou o veterinário e pesquisador em comportamento animal Dr. Tobias Riede, da Universidade de Utah, que acompanha estudos sobre vocalização em mamíferos há mais de 15 anos.

O alcance faz diferença no campo

Cavalos não relincham por capricho. O som serve para localizar membros do grupo, sinalizar desconforto ou reagir à presença de outro animal. Aliás, produtores rurais sabem que um relincho mais longo e agudo costuma indicar separação do bando ou busca por um companheiro ausente.

A descoberta sugere que a capacidade de combinar dois tipos de som permite que o chamado seja captado com mais eficiência em áreas abertas, onde a vegetação, vento e relevo podem abafar frequências isoladas. O componente grave viaja melhor em terrenos irregulares. Já o agudo corta o ar com mais nitidez.

“Essa duplicidade vocal pode ter sido moldada pela necessidade de manter a coesão do grupo em ambientes amplos, como pradarias ou savanas, onde a visão é limitada e a comunicação sonora se torna essencial para a sobrevivência”, explicou a bióloga comportamental Dra. Elodie Briefer, da Universidade de Copenhague, especialista em comunicação acústica de animais domésticos.

Primeiro registro experimental em mamíferos

Até agora, nenhum outro mamífero havia sido documentado com essa capacidade de forma tão clara. Alguns pássaros conseguem produzir sons sobrepostos por meio de uma estrutura chamada siringe, mas entre mamíferos, o padrão sempre foi: uma fonte vocal, um tipo de som por vez.

Os cavalos quebraram essa regra. O estudo não apenas registrou o fenômeno, mas também comprovou experimentalmente como ele acontece, eliminando especulações anteriores de que o som agudo seria apenas um harmônico do grave ou um efeito acústico secundário.

O que muda na prática

Para quem trabalha com equinos, entender essa mecânica vocal pode ajudar a interpretar melhor o comportamento dos animais. Um relincho mais prolongado, com ênfase no componente agudo, pode indicar estresse ou isolamento social. Já um chamado mais curto e grave costuma estar associado a interações de baixa urgência.

Além disso, a descoberta abre caminho para estudos sobre saúde vocal em cavalos. Problemas na laringe que afetem as pregas vocais ou a região do assobio podem alterar o padrão do relincho, servindo como indicador precoce de doenças respiratórias ou inflamações.

Fonte: CNN BRasil

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