As cotações da cenoura no Brasil fecharam a última semana com comportamento desigual entre as principais regiões produtoras. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) mostram que a combinação entre menor oferta de produto de boa qualidade e condições climáticas adversas vem sustentando a alta dos preços em parte do país, ao mesmo tempo em que o Sudeste atravessou período de maior pressão pela disponibilidade do produto.
No Rio Grande do Sul, as chuvas comprometeram a qualidade das raízes e reduziram o volume disponível para comercialização, o que empurrou os preços para cima com rapidez. Em Caxias do Sul, a cenoura “suja” — comercializada sem lavagem — foi negociada à média de R$ 63,33 por caixa de 29 quilos entre 30 de março e 2 de abril, alta de 26,7% frente à semana anterior. O movimento reflete não apenas a escassez do produto, mas a dificuldade de colocar raízes dentro do padrão exigido pelo mercado atacadista após períodos prolongados de precipitação.
Sudeste operou sob pressão diferente
No Sudeste, o cenário foi o oposto ao longo de março. O aumento da oferta regional pressionou as cotações para baixo, com recuos superiores a 10% em algumas semanas e médias próximas de R$ 40 a R$ 50 por caixa no mesmo período. A maior disponibilidade do produto, concentrada em janelas específicas do ciclo produtivo, funcionou como contrapeso às altas observadas no Sul e expôs a sensibilidade do mercado de hortaliças às variações de calendário entre regiões.
Área reduzida deve sustentar preços em 2025/26
Além do clima, outro fator estrutural contribui para uma oferta mais ajustada neste ciclo: a redução de área plantada motivada pelos preços baixos registrados em temporadas anteriores. Produtores que trabalharam no prejuízo ou com margens comprimidas optaram por diminuir o volume cultivado, o que limita a reposição de produto nos mercados. Segundo o Cepea, essa combinação tende a dar suporte às cotações nos períodos de menor disponibilidade, criando um piso de preços mais firme do que o observado nos últimos anos.
O mercado da cenoura segue, portanto, dependente do comportamento climático nas principais praças produtoras e da capacidade dos produtores de manter a qualidade das raízes até a colheita. Com oferta ajustada e demanda estável, qualquer nova interrupção no campo tem potencial de amplificar rapidamente os movimentos de alta já registrados no Sul do país.


