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Paisagismo

Chifre-de-veado: a samambaia que virou obsessão na decoração de interiores Planta epífita nativa da

Austrália conquista arquitetos e paisagistas com suas frondes exóticas e baixa exigência de manutenção

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Chifre-de-veado

O chifre-de-veado chegou aos jardins brasileiros e não saiu mais. A Platycerium bifurcatum, nome científico da espécie, acumula seguidores entre paisagistas, colecionadores e entusiastas de plantas ornamentais por uma razão muito concreta: ela é visualmente impossível de ignorar.

As frondes bifurcadas, cobertas por uma camada aveludada de pelos brancos, imitam com precisão desconcertante a estrutura dos chifres de um veado adulto. O resultado é uma planta que parece esculpida

A planta que prescinde do solo

Nativa da Austrália, das Ilhas da Sonda, de Nova Caledônia e Nova Guiné, a espécie é uma epífita clássica. Isso significa que ela cresce fixada em troncos e galhos de árvores em florestas tropicais úmidas, sem depender do solo para sobreviver. Aliás, retirar o chifre-de-veado do substrato e colocá-lo em um vaso convencional é um dos erros mais comuns de quem está começando no cultivo. A planta simplesmente não foi projetada para isso.

Chifre-de-veado: a samambaia que virou obsessão na decoração de interiores Planta epífita nativa da

O que ela faz, com notável eficiência, é capturar a matéria orgânica que se acumula entre suas raízes aéreas e as frondes basais — aquelas folhas arredondadas e achatadas que abraçam o suporte. Com o tempo, essas folhas basais ficam marrons e secas, mas não devem ser removidas. É um erro de jardineiro impaciente. Elas continuam cumprindo função estrutural e contribuem para a retenção de umidade e nutrientes.

“As frondes basais são a âncora e o sistema de abastecimento da planta ao mesmo tempo”, explica a paisagista Camila Ferraz, especializada em espécies epífitas e bromeliáceas. “Removê-las porque ficaram marrons é como tirar a fundação de uma casa.”

Duas frondes, dois papéis

O chifre-de-veado possui dois tipos de fronde com funções distintas, e entender essa divisão muda completamente a forma de cuidar da planta. As frondes basais, já mencionadas, são verdes quando jovens e vão escurecendo com a maturidade. As frondes férteis, por outro lado, são as protagonistas do show visual: eretas, bifurcadas, recobertas por tricomas brancos e responsáveis pela produção de esporos na face inferior de suas extremidades.

Essa camada de pelos brancos, aliás, não é ornamental. Ela regula a perda de água, reflete parte da radiação solar direta e protege os tecidos nos períodos de baixa umidade. Por isso, ao regar a planta, o ideal é evitar jatos de água diretos sobre as frondes férteis. A rega deve ser feita na base, no musgo ou no suporte, não sobre a folhagem.

Como cultivar do jeito certo

O suporte ideal para o chifre-de-veado é um pedaço de madeira não tratada — cedro, pinus ou similar — com musgo esfagno umedecido entre a base da planta e a superfície de fixação. O musgo cumpre papel essencial: retém a umidade que as raízes aéreas precisam para funcionar corretamente. A fixação é feita com linha de pesca ou arame fino, envolvendo a fronde basal de forma firme, porém sem comprimir as raízes.

A iluminação precisa de atenção. O chifre-de-veado tolera algumas horas de sol direto pela manhã, mas a exposição prolongada ao sol da tarde desbota as frondes e pode causar queimaduras irreversíveis. Internamente, funciona muito bem próximo a janelas voltadas para o leste ou norte, onde a incidência de luz é intensa mas indireta. “Essa planta é perfeita para ambientes com pé-direito alto e iluminação natural generosa”, destaca a arquiteta paisagista Fernanda Lopes, autora de projetos residenciais em São Paulo e Curitiba. “Ela ocupa espaço vertical de um jeito que nenhum outro vegetal ornamental consegue.”

Chifre-de-veado: a samambaia que virou obsessão na decoração de interiores Planta epífita nativa da

A rega deve seguir o estado do musgo: quando ele começa a secar, é hora de umedecer. Em climas mais secos, como no inverno do Sul do Brasil ou em ambientes com ar-condicionado, pulverizações leves sobre o musgo duas a três vezes por semana ajudam a manter a umidade adequada sem encharcar o suporte. Excesso de água acumulada na base das frondes basais favorece podridão — e esse sim é um problema difícil de reverter.

A adubação não exige frequência intensa. Um fertilizante líquido balanceado, diluído em água, aplicado a cada dois meses durante a primavera e o verão é suficiente para manter o crescimento ativo e as frondes com coloração vibrante.

Multiplicação sem complicação

Quem já tem um chifre-de-veado estabelecido percebe, com o tempo, o surgimento de novas “cabeças” ao redor da planta principal — são os filhotes, ou brotações laterais, que se formam a partir da base. Essa é a forma mais prática de multiplicar a espécie. Basta separar o filhote com cuidado, garantindo que ele já tenha raízes próprias visíveis, e fixá-lo em um novo suporte com musgo fresco.

Contudo, a paciência é parte do processo. Filhotes muito pequenos levam tempo para se firmar no novo suporte e desenvolver suas frondes características. Tentar acelerar esse processo com adubação excessiva geralmente resulta no efeito contrário: raízes fracas e frondes deformadas.

Sinais de que algo não está certo

Frondes amareladas indicam excesso de luz ou adubação em dose equivocada. Frondes murchas e sem firmeza apontam para déficit hídrico — o musgo provavelmente está seco por tempo demais. Manchas escuras e amolecidas na base das frondes basais são sinal de excesso de umidade acumulada, geralmente causado por rega direta sobre a planta em ambiente sem ventilação adequada.

A boa notícia é que o chifre-de-veado responde bem a correções. Ajustar a posição, revisar a frequência de rega e melhorar a circulação de ar resolve a maioria dos problemas antes que se tornem irreversíveis.

Para quem busca uma planta com presença visual forte, baixa manutenção depois de estabelecida e versatilidade para ambientes internos e externos, o chifre-de-veado ocupa um lugar difícil de ser substituído. O mercado de plantas ornamentais no Brasil cresceu de forma expressiva nos últimos anos, e espécies epífitas como essa continuam ganhando espaço nos projetos de paisagismo residencial e comercial. A tendência não dá sinais de arrefecer.

  • Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.

    ​Sua expertise prática foi rapidamente reconhecida pela comunidade online. Mel contribui ativamente com artigos especializados para importantes plataformas do setor, começando pelo blog Maniadeplantas e hoje é uma autora de destaque na Agronamidia. Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.