Colheita da safrinha arranca bem em Mato Grosso e mal em quem sofreu com a seca

AgRural aponta 2,4% de avanço no Centro-Sul até 28 de maio, ritmo superior ao de 2025, mas com desempenho desigual que ainda preocupa produtores de três estados

Colheita da safrinha arranca bem em Mato Grosso e mal em quem sofreu com a seca

Foto: andreaugusto.agro

A colheita da safrinha de milho no Centro-Sul do Brasil começou 2025 em ritmo mais acelerado do que no mesmo período do ano passado, mas o avanço carrega uma contradição que vai definir o resultado final da segunda safra: enquanto parte dos estados produtores encaminha uma safra de boas produtividades, outra parte já contabiliza perdas causadas pela estiagem prolongada.

Segundo levantamento da AgRural divulgado em 1º de junho, 2,4% da área cultivada na região já havia sido colhida até quinta-feira, 28 de maio. Uma semana antes, o índice estava em 0,9%. No mesmo período de 2024, a colheita acumulava 1,3%, o que confirma que o ritmo atual está acima do histórico recente, embora ainda se trate de uma fase muito inicial dos trabalhos de campo.

Mato Grosso puxa o avanço, Paraná segue mais lento

O estado que concentra o maior avanço nesta largada é Mato Grosso, maior produtor nacional de milho segunda safra. As condições de umidade ao longo do ciclo das lavouras favoreceram o desenvolvimento das plantas, e as máquinas já operam em ritmo considerado consistente para a época.

O Paraná aparece na sequência do levantamento, mas com distância. A umidade ainda excessiva em parte das áreas produtoras paranaenses limita a entrada de colheitadeiras, o que atrasa o início efetivo dos trabalhos no estado. A expectativa da AgRural, no entanto, é de boas produtividades tanto no Paraná quanto em Mato Grosso do Sul e na região sul de São Paulo, desde que as condições climáticas da fase final de maturação se mantenham dentro do esperado.

Três estados somam perdas, e a conta ainda está incompleta

O cenário muda de figura quando a análise se desloca para o norte de São Paulo, para Minas Gerais e para Goiás. Nessas regiões, produtores já trabalham com a perspectiva de quebras significativas na produção, resultado direto da estiagem que castigou as lavouras em período crítico do ciclo vegetativo.

O material divulgado pela AgRural ainda não detalha o percentual de perda por estado nem o total de hectares afetados, o que torna prematura qualquer estimativa precisa sobre o impacto regional. Esse quadro deve se tornar mais claro nas próximas semanas, à medida que a colheita avança e os dados de produtividade começam a se consolidar nos levantamentos de campo.

Por que a safrinha importa tanto para o abastecimento nacional

A segunda safra de milho tem peso estrutural na oferta brasileira do cereal. Historicamente, ela responde por cerca de 70% a 75% de toda a produção nacional de milho, o que torna o desempenho do Centro-Sul entre maio e agosto determinante para o comportamento dos preços internos, para os volumes disponíveis para exportação e para o custo de produção de proteína animal, que consome milho em larga escala como insumo de ração.

Quando a safrinha vai bem nas principais praças produtoras, o Brasil reforça sua posição como um dos maiores exportadores mundiais do grão. Quando vai mal em regiões estratégicas, o reflexo aparece nos preços ao longo de toda a cadeia, do campo ao varejo de alimentos.

O que as próximas semanas vão revelar

O ritmo da colheita nas semanas seguintes vai oferecer a leitura mais precisa sobre o tamanho real das perdas nos estados afetados pela seca e sobre o potencial produtivo nas regiões com condições mais favoráveis. Por enquanto, o início de colheita mais adiantado em relação a 2024 é um dado positivo, mas insuficiente para definir o saldo final da safrinha 2025 no Centro-Sul, que segue com desempenho desigual e resultado em aberto.

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