Paisagismo
Como manter a floração das orquídeas em épocas de tempo seco
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4 meses atrásem

A elegância das orquídeas encanta apaixonados por plantas em todo o mundo, mas a beleza dessas flores delicadas pode ser comprometida quando o tempo seco se instala. Com a umidade relativa do ar em queda, comum no inverno e em regiões mais áridas do Brasil, as orquídeas sentem os efeitos diretamente em suas folhas e botões. Preservar sua saúde e garantir a continuidade da floração exige atenção redobrada e alguns ajustes simples — mas essenciais — na rotina de cuidados.
Segundo a engenheira agrônoma Marília Rocha, especialista em plantas ornamentais, o segredo está em entender que as orquídeas, apesar de resistentes, são sensíveis à mudança de ambiente, sobretudo à variação brusca de umidade. “O tempo seco pode afetar desde a absorção de nutrientes até o desenvolvimento de novos botões florais. Por isso, adaptar a rega e o local onde ela é cultivada faz toda a diferença”, afirma.
Como o tempo seco afeta as orquídeas
Durante os períodos de baixa umidade, o ar se torna mais seco e o substrato das orquídeas perde água rapidamente, o que interfere diretamente na hidratação das raízes. Além disso, as folhas tendem a perder viço e se tornam opacas, enquanto a floração pode ser interrompida ou nem chegar a acontecer.
De acordo com o paisagista Felipe Nakazato, a orquídea é uma planta que se adapta bem a climas tropicais, mas não tolera extremos prolongados. “Quando o ambiente está muito seco, é comum que as pontas das folhas comecem a ressecar. E se o processo não for controlado, a planta entra em estado de alerta, economizando energia e deixando de florescer”, explica.
Estratégias para manter a umidade e a saúde das raízes
Para contornar o problema, a principal recomendação é observar o substrato com mais frequência. Mesmo que o tempo seco sugira regas mais constantes, o excesso de água continua sendo prejudicial. Assim, o ideal é tocar o substrato com os dedos e só irrigar novamente quando estiver levemente seco, mas nunca totalmente árido.
Outra dica valiosa é pulverizar as folhas com água ao longo do dia, principalmente pela manhã ou no fim da tarde, evitando os horários de sol forte. Esse cuidado ajuda a aumentar a umidade ao redor da planta sem encharcar suas raízes.

Felipe Nakazato recomenda também o uso de bandejas com pedriscos e água sob os vasos, sem que o fundo encoste diretamente no líquido. “É uma maneira eficaz de criar um microclima úmido em torno da orquídea. E funciona muito bem em apartamentos ou ambientes com ar-condicionado”, comenta.
Posicionamento estratégico e ventilação adequada
Além da hidratação, a localização das orquídeas durante o tempo seco pode definir sua capacidade de florescer. Locais muito abafados ou com correntes de ar quente são prejudiciais. A luz indireta é o cenário ideal: ambientes bem iluminados, mas protegidos do sol direto, especialmente nas horas mais quentes do dia.
“É importante garantir uma boa ventilação, mas sem exposição ao vento forte, que acelera a perda de umidade. Uma janela bem posicionada ou um cantinho na varanda com meia-sombra costuma ser uma boa escolha”, afirma Marília Rocha.
Como estimular a floração mesmo no tempo seco
Mesmo sob clima adverso, é possível manter o ritmo natural da planta e estimular a floração. A adubação deve ser mantida em dia, especialmente com fertilizantes ricos em fósforo (NPK 10-30-20), que favorecem a emissão de flores. Segundo a agrônoma, o ideal é adubar a cada 15 dias durante os períodos mais secos, sempre após a rega, para evitar queimar as raízes.
Outro ponto essencial é respeitar o ciclo natural da orquídea. Muitas espécies entram em dormência após a floração, momento em que diminuem o crescimento. Esse período deve ser encarado com paciência, evitando podas ou trocas de substrato desnecessárias.
Proteção extra e observação constante
Para quem vive em cidades com clima seco crônico, como Brasília ou Goiânia, vale investir em umidificadores de ar ou manter as orquídeas em ambientes mais fechados e úmidos, como banheiros bem iluminados.
Observar a planta continua sendo a melhor forma de garantir sua vitalidade. Folhas murchas, amareladas ou manchadas podem ser sinais de estresse hídrico. “As orquídeas são expressivas. Quando algo não está bem, ela dá sinais claros. E cabe ao cultivador adaptar os cuidados a tempo de garantir uma floração bonita e saudável”, conclui Nakazato.

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
Sua expertise prática foi rapidamente reconhecida pela comunidade online. Mel contribui ativamente com artigos especializados para importantes plataformas do setor, começando pelo blog Maniadeplantas e hoje é uma autora de destaque na Agronamidia. Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.


