Técnicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estão percorrendo lavouras de café em dez estados brasileiros para compor o 2º Levantamento da Safra de Café 2026. Os trabalhos de campo, iniciados nesta semana com prazo até o dia 17, vão apurar as condições reais das áreas cultivadas com café arábica e conilon e dar base às estimativas de produção e produtividade do ciclo em curso.
O momento é estratégico. Com a colheita avançando nas principais regiões produtoras, o levantamento ganha uma precisão que o primeiro boletim do ano, publicado ainda no início do ciclo, não é capaz de oferecer. As variáveis coletadas em campo incluem características das lavouras, nível tecnológico e de manejo adotado, além da ocorrência de fatores climáticos e fitossanitários que possam ter interferido no desenvolvimento das plantas. Todos esses dados são cruzados com análises estatísticas, sensoriamento remoto, monitoramento agrometeorológico e a série histórica acumulada pela Conab desde 2001.
Colheita define o grau de precisão do levantamento
Os estados envolvidos na pesquisa são Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Rondônia, Paraná, Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso e Amazonas. Para obter um panorama mais fiel, os técnicos consultam produtores, cooperativas, associações, instituições públicas de agricultura e órgãos de assistência técnica e extensão rural, compondo uma visão ampla de toda a cadeia produtiva.
O primeiro levantamento do ano já havia sinalizado um crescimento expressivo. Publicado em fevereiro, o boletim apontou alta de pouco mais de 17% em relação à safra anterior, com projeção de superar 66 milhões de sacas beneficiadas. Para o gerente de acompanhamento de safras da Conab, Fabiano Vasconcellos, os resultados refletem uma combinação de fatores favoráveis. “A entrada de novas áreas em produção, o crescente uso de tecnologias e insumos e a combinação das condições climáticas favoreceram o crescimento”, avalia.
Minas Gerais puxa a expansão nacional
A liderança de Minas Gerais no cenário nacional segue consolidada. O estado, maior produtor brasileiro de café, registrou no primeiro levantamento uma estimativa de 32,4 milhões de sacas, volume aproximadamente 26% superior ao ciclo anterior. O desempenho mineiro, aliado à expansão das áreas plantadas em outros estados, sustenta as projeções otimistas para 2026.
A área total cultivada com as variedades arábica e conilon cresceu 3,4% em relação à safra anterior, alcançando 2,3 milhões de hectares. O conilon, concentrado principalmente no Espírito Santo e em Rondônia, segue ganhando espaço nas propriedades onde a resistência ao calor e a menor exigência hídrica são diferenciais produtivos relevantes.
Série histórica sustenta a qualidade das projeções
O monitoramento sistemático realizado pela Conab desde 2001 é o que garante a consistência dos boletins técnicos trimestrais sobre a cafeicultura brasileira. Ao longo de mais de duas décadas, a companhia construiu uma base de dados que permite identificar padrões, antecipar riscos e calibrar as estimativas conforme o ciclo bienal da cultura avança.
O segundo levantamento do ano é, dentro dessa metodologia, o ponto de inflexão entre a projeção e a confirmação. Com a colheita em andamento, as informações coletadas em campo têm peso maior sobre o resultado final, reduzindo as margens de incerteza que ainda permeavam os dados de fevereiro.
Os resultados do 2º Levantamento de Café – Safra 2026 devem ser divulgados nos próximos dias, consolidando o cenário produtivo nacional e orientando decisões de comercialização, logística e política agrícola para o restante do ano.
