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Controle de ácaros entra na era do RNA e ganha novo pedido de registro no Brasil
Controle de ácaros entra na era do RNA e ganha novo pedido de registro no BrasilSubtítulo: Produto biotecnológico busca reduzir perdas em lavouras diante do avanço da resistência química
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A corrida por novas ferramentas de controle ganhou um capítulo importante no Brasil. A GreenLight Biosciences protocolou junto aos órgãos reguladores o pedido de registro de um acaricida biológico baseado em RNA, tecnologia que atua diretamente nos mecanismos celulares da praga. O movimento ocorre em um momento em que o manejo convencional começa a perder eficiência dentro da porteira, especialmente em áreas com histórico de pressão contínua de ácaros.
O produto representa o segundo avanço regulatório da empresa no país envolvendo moléculas de RNA, embora agora com alcance mais amplo. Diferentemente da primeira solução submetida, o novo material foi desenvolvido para atuar sobre quatro espécies responsáveis por grande parte das infestações registradas nas principais cadeias agrícolas brasileiras.
Hoje, ácaros respondem por cerca de 80% dos danos relacionados a esse grupo de pragas em culturas como soja, algodão, café, citros, feijão, uvas, morangos e hortaliças. Em muitas regiões, sobretudo onde o calendário produtivo é intenso e o mix de produção exige aplicações frequentes, a eficiência dos acaricidas tradicionais vem caindo safra após safra.
A praga continua evoluindo — o manejo precisa acompanhar
O ponto central da tecnologia está na forma de ação. Em vez de atacar externamente o organismo da praga, como ocorre nos modelos químicos convencionais, o RNA interfere silenciosamente dentro da célula do ácaro. A molécula bloqueia processos essenciais ligados à produção de proteínas, comprometendo funções vitais e levando à interrupção do ciclo biológico.
Na prática, o controle acontece sem choque imediato visível, mas com impacto direto na sobrevivência da população ao longo do tempo. É um modelo mais próximo da lógica biológica do que da ação de contato tradicional.
Os ensaios de campo apresentados pela empresa indicam níveis de controle entre 70% e 90% por hectare. O número chama atenção não apenas pela eficiência, mas pelo contexto em que surge. Em várias regiões produtoras, o produtor já enfrenta quebra gradual de resposta aos produtos disponíveis, consequência direta do uso repetido de moléculas semelhantes ao longo dos anos.
Resistência crescente pressiona novas soluções no campo
A pressão de seleção causada por aplicações sucessivas acelerou a adaptação das pragas. Ácaros, especialmente, apresentam alta capacidade reprodutiva e ciclos curtos, o que favorece o surgimento rápido de populações resistentes. Quando isso acontece, o custo do controle dispara e a margem do produtor encolhe.
Por isso, tecnologiasium a chegada de tecnologias baseadas em RNA passa a ser observada não apenas como inovação, mas como ferramenta estratégica de manejo. O objetivo deixa de ser apenas eliminar a praga no curto prazo e passa a incluir preservação da eficiência do sistema ao longo das próximas safras.
Além disso, a atuação altamente específica tende a reduzir impactos sobre organismos benéficos, ponto cada vez mais relevante dentro das exigências de mercados internacionais e programas de produção sustentável.
O que muda na prática para o produtor
A introdução de soluções biotecnológicas desse tipo aponta para uma mudança gradual na lógica do manejo fitossanitário. O produtor deixa de depender exclusivamente da resposta rápida de moléculas químicas e passa a integrar ferramentas com mecanismos distintos, capazes de quebrar ciclos de resistência.
Isso não significa substituição imediata do modelo atual. Significa diversificação. E diversificar, no manejo de pragas, costuma ser o caminho mais barato antes que o problema vire perda de produtividade.
Se o processo regulatório avançar dentro do cronograma esperado, o mercado brasileiro pode se tornar um dos primeiros grandes ambientes agrícolas a incorporar o RNA como ferramenta prática contra ácaros. O próximo passo será observar como essa tecnologia se encaixa na janela de aplicação e no custo operacional por hectare — fatores que, no fim do dia, definem se a inovação permanece no laboratório ou ganha espaço definitivo no campo.
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