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Coplacampo 2025: o robô que lê o pomar e o protetor solar que salva a fruta antes da colheita

Feira de tecnologia do agro em Piracicaba abre com soluções de precisão que atacam duas das maiores causas de perda na fruticultura

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Coplacampo 2025: o robô que lê o pomar e o protetor solar que salva a fruta antes da colheita

A 12ª edição da Coplacampo abriu as portas nesta segunda-feira (23) em Piracicaba, no interior de São Paulo, e já na abertura deixou claro o recado: a tecnologia que chega ao campo hoje não é mais conversa de laboratório. É solução com data de uso. A equipe da EPTV, afiliada da TV Globo na região, foi a campo conferir de perto as inovações que mais chamaram atenção dos visitantes logo no primeiro dia do evento, organizado pela Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana).

Com 170 expositores e expectativa de movimentar R$ 500 milhões até sexta-feira (27), a feira consolida Piracicaba como um dos principais palcos do agro tecnológico nacional. Duas soluções, voltadas especialmente à fruticultura, concentraram o interesse dos produtores: um protetor solar líquido para frutas e um robô autônomo desenvolvido pela Embrapa, guiado por inteligência artificial para mapear a produtividade dentro do pomar.

O protetor solar que chegou antes do calor

A ideia parece simples, mas o problema que resolve é caro. A queima solar em frutas como maçã, pêssego e uva causa perdas diretas de produtividade e reduz a classificação do produto na hora da comercialização, impactando diretamente o preço disponível na porteira. Uma empresa de Vinhedo (SP) desenvolveu um produto comercializado em forma líquida que, ao ser aplicado sobre as frutas, forma uma camada protetora branca capaz de repelir o calor excessivo.

Coplacampo 2025: o robô que lê o pomar e o protetor solar que salva a fruta antes da colheita
Foto: Reprodução/EPTV

O mecanismo é análogo ao de um protetor solar humano. A cobertura reduz a absorção de radiação direta, protegendo a polpa e a casca nos momentos críticos do desenvolvimento vegetativo. Além disso, a coloração branca da camada tem um efeito colateral favorável: confunde pragas voadoras que se orientam pela massa verde do pomar.

“Como ele cria essa camada branca, ele ajuda a repelir algumas pragas voadoras que são atraídas pela massa verde. Então, ele também tem os efeitos adjacentes, mas como proteção solar, o grande objetivo desse produto é evitar a perda de produtividade”, explica Tânia Zen, sócia-fundadora da empresa.

A escalabilidade do produto é um dos pontos fortes. A solução não é amarrada a uma cultura específica, o que amplia o mercado potencial consideravelmente. “Com as temperaturas aumentando em diferentes regiões, ele é uma tecnologia que pode ser usada de forma muito ampla, em momentos específicos de cada fase da planta”, afirma Tânia Zen.

Para o produtor de frutas que enfrenta janelas de calor cada vez mais intensas, especialmente nas regiões de altitude do Sul e Sudeste, essa tecnologia chega com timing preciso. O custo de uma aplicação pontual é marginal diante da perda de um lote classificado.

O robô da Embrapa que georreferencia cada fruto

A outra solução que parou a feira é mais complexa porteira para dentro. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresentou na Coplacampo um robô terrestre ainda em fase de testes, desenvolvido para transitar de forma autônoma por pomares e executar o mapeamento de produtividade com precisão de centímetros.

Coplacampo 2025: o robô que lê o pomar e o protetor solar que salva a fruta antes da colheita
Foto: Reprodução/EPTV

Durante a demonstração, o equipamento foi operado por controle remoto em um talhão de cana-de-açúcar, com o pesquisador Thiago Santos guiando os movimentos do robô para mostrar sua capacidade de navegação entre fileiras. A fase de testes avança, e o próximo passo é a operação totalmente autônoma.

“Da mesma forma em que hoje a gente desenha um circuito para os drones fazerem a cobertura do talhão, a ideia é que o robô faça a mesma coisa, execute sozinho um trajeto dentro do pomar e traga as imagens”, explica Santos, pesquisador da Embrapa.

O sistema já foi testado em lavouras de maçã e uva. Câmeras posicionadas em ambos os lados do corredor capturam imagens contínuas dos frutos, e o software de inteligência artificial processa as informações em tempo real, quantificando os frutos e registrando a posição de cada um via GPS.

“A gente consegue não só fazer uma estimativa de colheita, mas consegue geoespacializar, mostrar no talhão onde há áreas com maior número de frutos e os agricultores que vão usar, por exemplo, práticas de agricultura de precisão podem revisitar o seu talhão e tomar as medidas necessárias para melhorar a produção”, detalha o pesquisador.

O impacto prático para a gestão do pomar é direto. Com o mapa de distribuição dos frutos em mãos, o produtor identifica falhas no estande, redistribui insumos com mais precisão e antecipa a logística da colheita. Isso reduz desperdício de mão de obra e melhora o aproveitamento do talhão safra a safra.

Fonte: G1/Globo

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