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Crea-SP apresenta Caderno sobre Mudanças Climáticas e amplia atuação estratégica da Engenharia Ambiental
Publicação técnica transforma diretrizes globais em ações práticas para municípios e fortalece agenda ambiental no Estado de São Paulo
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Consolidado como um dos principais fóruns técnicos do setor no Estado, o 7º Encontro Paulista de Engenharia Ambiental reafirmou o papel estratégico da área diante dos desafios climáticos contemporâneos. Realizado na sede Angélica do Crea-SP, o evento reuniu engenheiros, estudantes e representantes institucionais em torno de um debate que ultrapassa o campo conceitual e se traduz em soluções aplicáveis à realidade urbana.
Ao longo da programação, temas como recuperação hídrica, drenagem sustentável, energia a partir de resíduos sólidos urbanos e licenciamento ambiental foram discutidos sob uma ótica técnica e prática. Entretanto, o ponto central do encontro foi o lançamento do Caderno Técnico sobre Mudanças Climáticas do Crea-SP, documento que estabelece um marco na atuação institucional frente à crise climática.
Elaborado por profissionais da área tecnológica, o material reúne fundamentos técnicos, referências normativas e experiências consolidadas em campo. Além disso, organiza diretrizes sobre soluções baseadas na natureza, florestas urbanas, gestão de riscos de desastres, recursos hídricos e resíduos sólidos. Contudo, vai além da teoria: o caderno traduz compromissos globais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em orientações concretas para municípios e territórios.
A presidente do Conselho, engenheira Lígia Mackey, destacou que a Engenharia Ambiental está diretamente relacionada à qualidade de vida e exige responsabilidade técnica estruturada. Segundo ela, a criação da Câmara Especializada de Engenharia Ambiental e Sanitária (CEEAS) no mesmo ano reforça esse compromisso institucional. O caderno, portanto, surge como instrumento de referência capaz de orientar políticas públicas e decisões técnicas em escala local.
O encontro também celebrou os dez anos da Associação de Engenharia Ambiental e Sanitária do Estado de São Paulo (AEAESP), fortalecendo o elo entre entidades representativas e o sistema profissional. Entre os presentes estavam integrantes da nova Câmara Especializada, além de Thomaz Toledo, presidente da CETESB, consolidando a dimensão institucional do debate.
No campo das soluções inovadoras, o engenheiro ambiental Antônio Iris Mazza apresentou o fotobiorreator de fluxo ascendente aberto, conhecido como “árvore líquida”. A tecnologia utiliza microalgas e cianobactérias para capturar carbono e liberar oxigênio, podendo alcançar eficiência até cinquenta vezes superior à de árvores naturais na absorção de CO₂. Em apenas 90 dias, segundo Mazza, o equipamento representou o equivalente a 192 árvores de uma tonelada. Além disso, a biomassa gerada pode ser convertida em insumos como fertilizantes ou biocombustíveis, o que amplia seu potencial econômico e ambiental.
Na mesma linha de inovação sustentável, a engenheira ambiental e bióloga Juliana Alencar defendeu o manejo hidrográfico urbano como estratégia de adaptação às enchentes. Para ela, integrar infraestrutura verde — como jardins de chuva e parques lineares — às soluções convencionais de concreto é o caminho mais eficiente para cidades resilientes. Assim, a drenagem urbana deixa de ser apenas corretiva e passa a ser preventiva e integrada ao planejamento territorial.
Já o engenheiro ambiental Leandro Dias apresentou dados sobre a geração de energia a partir de aterros sanitários. De acordo com ele, cada duas toneladas de resíduos sólidos urbanos podem resultar em um megawatt-hora de energia, além de reduzir significativamente emissões de gases de efeito estufa. O modelo, portanto, alia destinação adequada de resíduos à diversificação da matriz energética.
Encerrando as apresentações, a engenheira ambiental Simone Zambuzi trouxe a perspectiva do poder público municipal, abordando os desafios do licenciamento ambiental. Com dezesseis anos de atuação em órgãos públicos, ela ressaltou que a qualificação técnica é essencial para decisões mais ágeis e seguras. Por outro lado, destacou que eventos como o Encontro Paulista ampliam a capacidade de atualização dos profissionais.
A percepção foi compartilhada por participantes como Luana Carvalho, servidora da Prefeitura de São Paulo, que destacou a relevância do conteúdo para sua formação acadêmica em drenagem urbana. De forma semelhante, a engenheira ambiental e sanitarista Cristiane Silva relatou que sua participação na edição anterior impulsionou sua carreira, levando-a a se registrar no Crea-SP e estruturar uma consultoria própria.
Dessa forma, o 7º Encontro Paulista não apenas promoveu debates técnicos, mas consolidou a Engenharia Ambiental como eixo estruturante das estratégias climáticas no Estado. O lançamento do Caderno Técnico simboliza essa maturidade institucional, transformando diretrizes globais em ferramentas práticas e reforçando o protagonismo da área na construção de cidades mais sustentáveis e resilientes.
Fonte: Crea-Sp
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