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CRN completa 36 anos como motor de inovação agropecuária no Noroeste do Paraná

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23 de fevereiro de 2026
in Noticias
CRN completa 36 anos como motor de inovação agropecuária no Noroeste do Paraná

Em 1990, Diamante do Norte tinha um Índice de Desenvolvimento Humano de 0,456. Número baixo, realidade dura. Naquele mesmo ano, o Câmpus Regional do Noroeste (CRN), unidade da Universidade Estadual de Maringá (UEM), foi instalado na cidade. Duas décadas depois, o IDH chegou a 0,723, colocando o município entre os de alto desenvolvimento humano no Paraná, segundo o IBGE. Não é coincidência.

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O CRN completa 36 anos posicionado na tríplice fronteira entre Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, às margens do Rio Paranapanema. A localização não é detalhe: ela define o alcance regional do câmpus, cujas pesquisas e estrutura produtiva impactam diretamente produtores e municípios de um dos territórios agropecuários mais dinâmicos do sul do país.

Pesquisa com os pés no barro

O câmpus ocupa 82,4 hectares com 14 mil metros quadrados de área construída. O espaço abriga projetos ativos de suinocultura, bovinocultura de leite, piscicultura, apicultura, horticultura e mandiocultura. Porteira para dentro, o CRN opera como uma fazenda experimental de verdade, não como laboratório decorativo. Os cursos de Agronomia e Zootecnia usam essa estrutura como base de formação prática, o que diferencia o perfil do profissional que sai dali.

O reitor da UEM, Leandro Vanalli, é direto ao avaliar o papel do câmpus: “Ao longo de seus 36 anos, o câmpus de Diamante do Norte tem realizado pesquisas de qualidade que, aliadas à inovação, direcionam o desenvolvimento de uma agropecuária sustentável. Esse trabalho gera impacto real na economia do nosso Estado e garante uma formação de excelência aos alunos que utilizam a unidade para seus estudos e pesquisas.”

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A fazenda que abastece a universidade

A fazenda experimental do CRN vai além da pesquisa acadêmica. O milho e o sorgo cultivados no local viram silagem. A mandioca e a horta diversificada abastecem o Restaurante Universitário. O eucalipto integra o sistema produtivo. Cada hectare tem função, e o ciclo entre produção e consumo interno é o que sustenta a operação.

Na bovinocultura leiteira, a produção diária oscila entre 200 e 250 litros. Parte do volume vai para uma empresa de laticínios em Nova Londrina. O restante segue para a produção de queijos artesanais. Já na suinocultura, o câmpus aposta na raça Moura, animal com carne de qualidade reconhecida no mercado e que alimenta uma linha de embutidos artesanais com linguiças, salame e defumados produzidos na própria unidade.

Aliás, desde 2022 a fazenda experimental abriga a sede do Centro Estadual de Educação Profissional (Ceep) do Noroeste, o chamado Colégio Agrícola. O investimento foi de R$ 11 milhões, somando recursos do Governo do Estado e do FNDE. O modelo é de internato, com formação técnica em agropecuária de nível médio. É formação de mão de obra especializada feita dentro da própria estrutura produtiva.

Abelhas, tilápias e genética

Dois projetos merecem atenção especial pela relevância científica e pelo potencial econômico para a região. O primeiro é o trabalho com abelhas. O CRN mantém criação de Apis mellifera, favorecida pela presença de mata nativa no câmpus, e iniciou a implantação de um meliponário para criação, manejo e conservação de abelhas sem ferrão. As pesquisas mapeiam a diversidade florística da região, identificando quais espécies vegetais são visitadas pelos polinizadores. Esse dado tem valor direto para apicultores e produtores que dependem da polinização para garantir produtividade.

O segundo projeto é a unidade de piscicultura em tanques-rede instalada no Rio do Corvo, na divisa entre Diamante do Norte e Terra Rica. Implantada em 2023, a estrutura produz tilápias destinadas ao Restaurante Universitário e ao Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM). Além do fornecimento de proteína animal de qualidade, o local abriga o Programa de Melhoramento Genético de Tilápias do Nilo, o Tilamax, vinculado ao Núcleo de Pesquisa Peixegen. Melhoramento genético de tilápia com escala comercial: isso muda o mix de produção dos piscicultores da região.

36 anos de estrutura, pessoas e produção

O diretor do CRN, Donizete Aparecido de Souza, celebrou a data reconhecendo quem sustenta a operação cotidiana do câmpus: “Sem eles, não seria possível realizarmos um bom trabalho. Também gostaria de agradecer o apoio da gestão atual, que tem possibilitado a melhoria da produção que atende o RU e o mercadinho do Programa Alimentos Solidários e Agricultura Sustentável.”

Desde 2023, o CRN avançou em estrutura e capacidade produtiva. A combinação entre ciência aplicada, produção integrada e formação técnica é o que explica a longevidade e a relevância do câmpus para o Noroeste paranaense. Para os próximos anos, o desafio é escalar os resultados dos programas de melhoramento genético e das pesquisas com polinizadores, convertendo conhecimento acadêmico em tecnologia acessível ao produtor da região.

Fonte: Noticias/UEM

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