Em 1990, Diamante do Norte tinha um Índice de Desenvolvimento Humano de 0,456. Número baixo, realidade dura. Naquele mesmo ano, o Câmpus Regional do Noroeste (CRN), unidade da Universidade Estadual de Maringá (UEM), foi instalado na cidade. Duas décadas depois, o IDH chegou a 0,723, colocando o município entre os de alto desenvolvimento humano no Paraná, segundo o IBGE. Não é coincidência.
O CRN completa 36 anos posicionado na tríplice fronteira entre Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, às margens do Rio Paranapanema. A localização não é detalhe: ela define o alcance regional do câmpus, cujas pesquisas e estrutura produtiva impactam diretamente produtores e municípios de um dos territórios agropecuários mais dinâmicos do sul do país.
Pesquisa com os pés no barro
O câmpus ocupa 82,4 hectares com 14 mil metros quadrados de área construída. O espaço abriga projetos ativos de suinocultura, bovinocultura de leite, piscicultura, apicultura, horticultura e mandiocultura. Porteira para dentro, o CRN opera como uma fazenda experimental de verdade, não como laboratório decorativo. Os cursos de Agronomia e Zootecnia usam essa estrutura como base de formação prática, o que diferencia o perfil do profissional que sai dali.
O reitor da UEM, Leandro Vanalli, é direto ao avaliar o papel do câmpus: “Ao longo de seus 36 anos, o câmpus de Diamante do Norte tem realizado pesquisas de qualidade que, aliadas à inovação, direcionam o desenvolvimento de uma agropecuária sustentável. Esse trabalho gera impacto real na economia do nosso Estado e garante uma formação de excelência aos alunos que utilizam a unidade para seus estudos e pesquisas.”
A fazenda que abastece a universidade
A fazenda experimental do CRN vai além da pesquisa acadêmica. O milho e o sorgo cultivados no local viram silagem. A mandioca e a horta diversificada abastecem o Restaurante Universitário. O eucalipto integra o sistema produtivo. Cada hectare tem função, e o ciclo entre produção e consumo interno é o que sustenta a operação.
Na bovinocultura leiteira, a produção diária oscila entre 200 e 250 litros. Parte do volume vai para uma empresa de laticínios em Nova Londrina. O restante segue para a produção de queijos artesanais. Já na suinocultura, o câmpus aposta na raça Moura, animal com carne de qualidade reconhecida no mercado e que alimenta uma linha de embutidos artesanais com linguiças, salame e defumados produzidos na própria unidade.
Aliás, desde 2022 a fazenda experimental abriga a sede do Centro Estadual de Educação Profissional (Ceep) do Noroeste, o chamado Colégio Agrícola. O investimento foi de R$ 11 milhões, somando recursos do Governo do Estado e do FNDE. O modelo é de internato, com formação técnica em agropecuária de nível médio. É formação de mão de obra especializada feita dentro da própria estrutura produtiva.
Abelhas, tilápias e genética
Dois projetos merecem atenção especial pela relevância científica e pelo potencial econômico para a região. O primeiro é o trabalho com abelhas. O CRN mantém criação de Apis mellifera, favorecida pela presença de mata nativa no câmpus, e iniciou a implantação de um meliponário para criação, manejo e conservação de abelhas sem ferrão. As pesquisas mapeiam a diversidade florística da região, identificando quais espécies vegetais são visitadas pelos polinizadores. Esse dado tem valor direto para apicultores e produtores que dependem da polinização para garantir produtividade.
O segundo projeto é a unidade de piscicultura em tanques-rede instalada no Rio do Corvo, na divisa entre Diamante do Norte e Terra Rica. Implantada em 2023, a estrutura produz tilápias destinadas ao Restaurante Universitário e ao Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM). Além do fornecimento de proteína animal de qualidade, o local abriga o Programa de Melhoramento Genético de Tilápias do Nilo, o Tilamax, vinculado ao Núcleo de Pesquisa Peixegen. Melhoramento genético de tilápia com escala comercial: isso muda o mix de produção dos piscicultores da região.
36 anos de estrutura, pessoas e produção
O diretor do CRN, Donizete Aparecido de Souza, celebrou a data reconhecendo quem sustenta a operação cotidiana do câmpus: “Sem eles, não seria possível realizarmos um bom trabalho. Também gostaria de agradecer o apoio da gestão atual, que tem possibilitado a melhoria da produção que atende o RU e o mercadinho do Programa Alimentos Solidários e Agricultura Sustentável.”
Desde 2023, o CRN avançou em estrutura e capacidade produtiva. A combinação entre ciência aplicada, produção integrada e formação técnica é o que explica a longevidade e a relevância do câmpus para o Noroeste paranaense. Para os próximos anos, o desafio é escalar os resultados dos programas de melhoramento genético e das pesquisas com polinizadores, convertendo conhecimento acadêmico em tecnologia acessível ao produtor da região.
Fonte: Noticias/UEM
