Paisagismo
Cuidado com a planta dedaleira: mesmo com aparência delicada, ela pode provocar intoxicação cardíaca!
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7 meses atrásem

Com suas flores em forma de sinos coloridos, a dedaleira — cientificamente conhecida como Digitalis purpurea — é frequentemente admirada por seu apelo estético. Suas inflorescências se erguem como torres floridas, abrindo-se de baixo para cima com um charme que costuma encantar jardineiros e paisagistas. No entanto, por trás dessa aparência ornamental, a planta guarda um segredo: seus compostos naturais atuam diretamente sobre o coração humano, e o uso incorreto pode levar a consequências sérias para a saúde.
Originária das florestas europeias, a dedaleira foi introduzida em outras regiões por intervenção humana e hoje pode ser encontrada em jardins de altitude na América Central e do Sul. Segundo a farmacêutica-bioquímica e pesquisadora em toxicologia vegetal Celina Rocha, o que torna essa planta tão peculiar é justamente sua capacidade de sintetizar glicosídeos cardiotônicos, substâncias que influenciam a contração do músculo cardíaco. “Esses compostos são extraídos das folhas da dedaleira e, em doses controladas, podem auxiliar no tratamento de arritmias e insuficiência cardíaca”, explica.
Aliás, por muito tempo, medicamentos derivados da Digitalis foram utilizados em hospitais no mundo todo. A digoxina, por exemplo, é um dos princípios ativos mais conhecidos extraídos da planta e pode melhorar a força com que o coração bombeia sangue. Ainda assim, a margem entre a dose terapêutica e a dose tóxica é extremamente estreita — o que torna seu uso clínico cada vez mais restrito e cuidadosamente monitorado.
O uso medicinal exige cuidado extremo
Ainda que os digitálicos — como são chamadas essas substâncias — ofereçam benefícios em determinadas condições, o consumo da dedaleira sem prescrição médica pode causar intoxicações graves, alerta a cardiologista clínica Renata Bastos Oliveira, membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia. “O coração é altamente sensível aos digitálicos. Quando administrados de forma inadequada, esses compostos podem provocar desde náuseas e visão embaçada até bloqueios cardíacos que exigem intervenção com marca-passo”, afirma.

Entre os efeitos mais perigosos da intoxicação digitálica está o chamado bloqueio atrioventricular total — uma falha completa na condução elétrica do coração que, em casos graves, pode levar à morte súbita se não houver socorro imediato. Por isso, mesmo que a planta pareça inofensiva no jardim, não deve jamais ser ingerida ou utilizada em chás e extratos caseiros.
Grupos de risco e contraindicações
A dedaleira é especialmente perigosa para pessoas com condições pré-existentes, como idosos, pacientes com disfunção renal e aqueles com níveis baixos de potássio no sangue. Nesses casos, o risco de intoxicação é ainda mais alto, mesmo com pequenas doses. “Quem já apresenta um ritmo cardíaco lento ou usa outros medicamentos que afetam o coração pode sofrer efeitos colaterais mais rapidamente”, reforça Dr.ª Renata.
Além disso, a automedicação com plantas de propriedades potentes pode mascarar sintomas ou atrasar o diagnóstico correto de doenças cardiovasculares. Caso haja recomendação médica para o uso de medicamentos com base em digitálicos, é fundamental acompanhar os níveis da substância por meio de exames de sangue e manter um controle rigoroso da dosagem.

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
Sua expertise prática foi rapidamente reconhecida pela comunidade online. Mel contribui ativamente com artigos especializados para importantes plataformas do setor, começando pelo blog Maniadeplantas e hoje é uma autora de destaque na Agronamidia. Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.


