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Do Xingu ao mercado: o chocolate indígena que transforma cacau nativo em renda e identidade no Pará

Festival Chocolat Amazônia reúne 300 produtores em Belém, movimenta R$ 15 milhões e acende o debate sobre o futuro do cacau brasileiro em queda livre de preços

by Derick Machado
24 de abril de 2026
in Noticias
Foto: Eliane Silva/Globo Rural

Foto: Eliane Silva/Globo Rural

A expressão Sídia Wahiü, que na língua do povo Xypaia significa “mulher forte”, não foi escolhida por acaso para nomear o primeiro chocolate indígena produzido na região do Médio Xingu, no Pará. Por trás da marca há uma cadeia produtiva que começa nas roças manejadas há gerações, passa pela fermentação artesanal das amêndoas e chega às prateleiras com 72% de cacau, pedaços de abacaxi, banana e pitaia, frutas típicas da floresta que seguem sendo secadas ao sol, em pedras, exatamente como faziam os avós de Katiana Xypaia.

Katiana é líder de sua comunidade em Vitória do Xingu e um dos rostos mais emblemáticos da 10ª edição do Chocolat Amazônia, festival que começou nesta quinta-feira (24/4) em Belém e deve movimentar R$ 15 milhões até o domingo, reunindo cerca de 300 produtores, a maioria oriunda da agricultura familiar.

A roça que cresceu com a verticalização

O cultivo de cacau na comunidade de Katiana remonta à época do seu avô, que colhia o fruto, moía e preparava o chocolate para a família, além de fazer licor com o mel do cacau. Com a decisão de verticalizar a produção, os parentes foram se agregando ao projeto, as roças foram ampliadas e hoje a comunidade maneja 20 mil pés de cacau, entre nativos e plantados.

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A oportunidade de agregar valor com a fabricação da própria barra surgiu em 2023, por meio de uma proposta da Coopatrans, cooperativa sediada em Medicilândia que produz chocolate de origem sob a marca Cacauway. No modelo adotado, as amêndoas são fermentadas na própria comunidade e enviadas para a agroindústria da cooperativa, onde passam pelo processamento final. Com isso, o cacau passou a ser a principal fonte de renda da comunidade ribeirinha, que também comercializa frutas desidratadas como abacaxi e banana.

A divisão da produção é estratégica: metade vira chocolate de origem e outros derivados, 30% é comercializado como commodity e o restante é negociado com intermediários. Essa estrutura permite que a comunidade acesse diferentes mercados sem depender exclusivamente das oscilações de preço da commodity, que nos últimos 12 meses sofreu uma queda abrupta nas bolsas internacionais.

O caminho aberto para o empreendedorismo indígena

O trabalho de Katiana, que se tornou também palestrante em eventos de chocolate pelo país, abriu espaço para iniciativas similares. Após a consolidação da Sídia Wahiü, surgiram mais quatro marcas indígenas de chocolate no Pará. Os produtos são vendidos em lojas da Cacauway, em feiras locais como a de Belém e também por canais digitais.

“A cooperativa reúne 40 famílias de agricultores familiares que têm no cacau sua principal renda. No total, cultivamos 800 hectares em Medicilândia em sistema agroflorestal, com outras frutas integradas ao cacaueiro”, explica Rita Aguiar, produtora de cacau e chocolatier da Cacauway.

Das aproximadamente 800 toneladas de cacau produzidas pelos cooperados, 15 toneladas são destinadas à fabricação do chocolate “tree to bar”, expressão do segmento que designa o controle completo da cadeia, da colheita à barra final. Essa proporção reflete tanto a capacidade atual da agroindústria quanto a lógica de diversificação que garante a viabilidade econômica do conjunto.

Cacau em queda: o debate que o festival não pode ignorar

O festival acontece em um momento delicado para o mercado cacaueiro. Há um ano, o cacau era negociado na Bolsa de Nova York por cerca de US$ 8.000 a tonelada. Atualmente, o preço está na faixa de US$ 3.000, uma retração que impacta diretamente o caixa dos produtores brasileiros.

No Pará, os agricultores recebem das indústrias moageiras cerca de R$ 11,20 pelo quilo, valor que no mesmo período de 2025 chegava a R$ 44, segundo cotação da consultoria Mercado do Cacau. Para quem opera no modelo commodity, essa diferença representa um colapso de receita em menos de 12 meses.

“É necessário que a gente faça uma revisão sobre o cacau como commodity. Temos que ter um produto que impacte na vida dos produtores pagando melhor, estimulando a agroindústria a buscar o mundo”, afirma Marco Lessa, empresário baiano idealizador e organizador do Chocolat Amazônia, que em 2025 terá edições em Ilhéus, Salvador, Brasília, Altamira e em Portugal.

Para Lessa, o festival não é apenas uma vitrine comercial, mas um ambiente de repositivamento da cadeia, com foco em dar melhores condições aos produtores e expandir o modelo brasileiro de cacau fino para os mercados internacionais. A lógica é a mesma que sustenta o trabalho de Katiana: quanto mais a produção se afasta do granel e se aproxima da identidade de origem, menos ela fica refém das oscilações da bolsa.

O sistema agroflorestal como base produtiva e diferencial de mercado

O modelo adotado pela Coopatrans em Medicilândia segue o sistema agroflorestal (SAF), integrando cacaueiros a outras culturas como frutas tropicais. Além de aumentar a biodiversidade no campo e contribuir para a manutenção do microclima da área, o SAF agrega ao produto final um argumento de origem que o mercado internacional de chocolate fino valoriza cada vez mais.

A rastreabilidade que começa nas roças manejadas pelas famílias cooperadas, passa pela fermentação feita na própria comunidade e termina no rótulo que identifica o território de produção é justamente o que diferencia o Sídia Wahiü de um produto anônimo de prateleira. Aliás, é esse conjunto de atributos que permite ao chocolate indígena paraense ser precificado fora da lógica que hoje corrói a renda de quem vende apenas a amêndoa fermentada.

O modelo demonstra que a agregação de valor no cacau não depende de grande escala industrial, mas de organização da cadeia, acesso à agroindústria cooperativa e, sobretudo, de uma identidade de produto que o mercado possa reconhecer e pagar por isso. Para as comunidades ribeirinhas do Médio Xingu, esse caminho já está trilhado, com nome, com sabor e com a força de uma mulher que aprendeu a fazer chocolate observando as pedras ao sol.

  • Derick Machado

    Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em agronegócio. Acompanha de perto as principais pesquisas, tecnologias e movimentos de mercado que impactam produtores rurais brasileiros, com base em fontes institucionais como Embrapa, Cepea/Esalq, MAPA e IBGE.

    E-mail:  [email protected]

Via: Eliane Silva/Globo RuralGlobo Rural

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