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Embrapa apresenta soja para mercado premium e maracujá que produz até 30 toneladas por hectare

Três cultivares lançadas na AgroBrasília 2026 abrem novas frentes para produtores do Cerrado, com foco em resistência a doenças, menor uso de defensivos e nichos de alto valor

Escrito por: Agronamidia Revisão: Derick Machado
22 de maio de 2026
in Agricultura
24/02/2021 - Cascavel, colheita de Soja

24/02/2021 - Cascavel, colheita de Soja

Produzir soja convencional no Brasil, em plena era dos transgênicos, pode soar como um passo atrás. Na prática, é exatamente o contrário. A Embrapa Cerrados apresentou na AgroBrasília 2026, nesta quinta-feira, a BRS 7583, uma cultivar que mira um nicho crescente no mercado internacional: compradores dispostos a pagar mais por soja livre de material geneticamente modificado. O bônus pode chegar a 30% sobre o valor da commodity convencional, uma diferença que muda completamente o cálculo financeiro do produtor.

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O lançamento veio acompanhado de outras duas novidades que ampliam as possibilidades para os agricultores do Planalto Central: a BRS 8282, uma soja com alto teor de ácido oleico cujo óleo se aproxima do azeite de oliva, e a BRS Maracujá Maçã, uma cultivar silvestre com produtividade expressiva e vocação para mercados especiais.

A soja que vale mais por ser convencional

A BRS 7583 chega ao mercado em um momento em que a demanda europeia e asiática por produtos não transgênicos segue em expansão. O material foi desenvolvido para atender justamente esse segmento, e os números de produtividade dão base ao negócio: rendimento superior a 70 sacas por hectare na média, com resultados acima de 90 sacas em algumas regiões.

“Por ser um material convencional, a BRS 7583 vai atingir esse nicho de mercado para soja livre de transgênico, que eventualmente pode pagar algum bônus ao produtor rural, chegando a 30% do valor do produto”, destaca André Pereira, pesquisador da Embrapa Cerrados. Sebastião Pedro, também pesquisador da Embrapa, reforça o posicionamento: “É um mercado premium que não concorre com commodity. Ela será vendida para clientes especiais.”

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Além do apelo comercial, a cultivar entrega características agronômicas relevantes para o dia a dia do produtor. A BRS 7583 apresenta alta tolerância a nematoides de galha da espécie Meloidogyne javanica, uma das principais ameaças à produtividade da soja no Cerrado, e demonstra resistência superior aos materiais já disponíveis no mercado. Em tempos de custo de produção elevado, a redução na pressão por defensivos representa uma economia real por hectare. A planta tem porte médio, não acama com facilidade e entrega estabilidade de produção ao longo de ciclos entre 105 e 121 dias. O material é recomendado para Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Bahia e Distrito Federal.

Um relato coletado pela Fundação Cerrados ilustra bem o potencial da cultivar: em Sinop (MT), um produtor testou a BRS 7583 em uma área de abertura, considerada o pior terreno da fazenda. Mesmo assim, colheu 12 sacas a mais por hectare do que os outros materiais plantados. A qualidade do grão foi outro destaque, com boa aptidão para armazenagem.

Soja com óleo próximo ao azeite

Também apresentada na feira, a BRS 8282 representa uma aposta diferente de mercado. A cultivar concentra alto teor de ácido oleico, substância que eleva a qualidade do óleo produzido a um patamar comparável aos chamados óleos especiais. O resultado é um insumo com maior estabilidade para fritura e com características adequadas à produção de biodiesel de alta qualidade. A cultivar é convencional e altamente produtiva, com previsão de chegada ao mercado em breve.

A estabilidade produtiva ao longo do tempo é um dos critérios centrais nos programas de melhoramento da Embrapa, e esse compromisso foi citado por Cláudio Malinski, diretor técnico da Coopa-DF: a instituição tem histórico de lançar materiais que sustentam desempenho por anos, o que permite ao produtor planejar e fazer orçamento com segurança. O trigo BRS 264, há mais de duas décadas no mercado e ainda entre os mais produtivos do país, é o exemplo mais conhecido desse padrão.

O maracujá silvestre que poucos conhecem no Brasil

A terceira novidade da Embrapa vai além da soja. A BRS Maracujá Maçã, cultivar da espécie Passiflora maliformis L., é praticamente desconhecida no Brasil, mas na Colômbia já tem mercado consolidado, onde é chamada de cholupa e usada tanto na indústria de polpa quanto no varejo de frutas frescas.

O diferencial começa pela polpa: mais doce, com leve acidez e aroma intenso, diferente do maracujá azedo comum. Os frutos são pequenos, pesando em torno de 80 gramas, mas apresentam alto rendimento de polpa e produtividade expressiva. Nas condições do Distrito Federal, a cultivar produz entre 10 e 20 toneladas por hectare ao ano. Com manejo adequado e plantio adensado, chegou a 30 toneladas por hectare ao ano na Unidade Demonstrativa em Flores de Goiás, resultado que poucos cultivos conseguem alcançar em escala comercial.

A cultivar tem tripla aptidão: consumo in natura, processamento industrial e uso ornamental. A casca permanece verde mesmo quando o fruto está maduro, característica que diferencia o produto visualmente nas gôndolas e feiras. O material é especialmente indicado para pequenos produtores que buscam diversificação com acesso a mercados de frutas especiais.

“Nós buscamos, com o melhoramento genético, obter plantas interessantes para o produtor e para o consumidor. Alta produtividade, qualidade química e física dos frutos, vigor, longevidade, adaptabilidade às diversas regiões do Brasil, menor dependência de polinização manual e produção na entressafra são características prioritárias no nosso trabalho”, afirma Fábio Faleiro, pesquisador da Embrapa Cerrados responsável pelo programa de maracujá.

A BRS Maracujá Maçã também apresenta resistência a virose, bacteriose e fusariose, os principais problemas fitossanitários da cultura. Após a apresentação na AgroBrasília, os visitantes tiveram a oportunidade de conhecer a cultivar na vitrine tecnológica da Embrapa e provar o suco da fruta.

Vale lembrar que o portfólio da Embrapa para maracujá vai muito além dessa novidade. Já estão disponíveis no mercado materiais como BRS Pérola (silvestre), BRS Mel do Cerrado (doce), BRS Sertão Forte, desenvolvido em parceria com a Embrapa Semiárido para condições de estresse hídrico, além de minimaracujás roxo e amarelo, o BRS Vita Fruit e os maracujás ornamentais, ainda pouco explorados no Brasil mas bastante valorizados na Europa. Para produtores com problema de fusariose, os porta-enxertos BRS Terra Nova e BRS Terra Boa, de espécies silvestres, também compõem o portfólio disponível.

Juntas, as três cultivares apresentadas na AgroBrasília 2026 apontam para uma direção que o setor agro brasileiro vem perseguindo com mais consistência: produzir com qualidade diferenciada para mercados que pagam por isso, seja no campo da soja premium, dos óleos especiais ou das frutas alternativas com alta produtividade.

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